30/03/2009
O Banco Central prevê US$ 25 bilhões de investimentos diretos em 2009. Esse número pode ser visto de duas formas. Na visão pessimista, significa queda de 44,4% em relação ao recorde de US$ 45 bilhões de 2008. Na visão otimista, em meio a uma severa crise financeira, o volume de investimentos irá superar a média de US$ 22 bilhões observada desde o Plano Real, de 1994.
Até então, os fluxos de investimentos diretos tinham ficado imunes às crises. Em 1997, por exemplo, o Brasil foi atingido pela crise asiática, e no ano seguinte os investimentos cresceram 52%, chegando a US$ 29 bilhões. Em 1998, houve a moratória russa, e os investimentos mantiveram-se em US$ 29 bilhões em 1999.
Há várias teorias para explicar a estabilidade dos investimentos diretos. A mais aceita é que os investidores têm uma visão de longo prazo e não estão interessados nas flutuações de curto prazo. `O Brasil tem grande potencial de crescimento, ao contrário das economias desenvolvidas, que têm mercados saturados`, afirma Luiz Afonso Lima, da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet).
Dois economistas do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), Marcelo José Braga Nonnenberg e Mário Jorge Cardoso de Mendonça, descobriram, a partir de dados de 33 países em desenvolvimento, que o tamanho e o ritmo de crescimento da economia são os principais determinantes dos investimentos diretos, bem à frente de variáveis como risco e inflação.
Os estudos mostram também uma forte inércia nos investimentos. Antonio Corrêa Lacerda, professor da PUC-SP, afirma que países com maior estoque de investimentos diretos tendem a ter maior fluxo de investimentos. `As empresas tem que fazer investimentos mínimos para manter a competitividade`, afirma.
Lima, da Sobeet, lembra que os investimentos diretos se tornaram mais pulverizados, com maior presença dos emergentes, e a diversidade de origem favorece a continuidade dos fluxos. Também aumentou a pulverização no ingresso de investimentos. Em 2008, 48,3% dos investimentos eram de operações até US$ 100 milhões.
Mas então porque a crise vai reduzir os fluxos de investimentos em 2009? Para o BC, a crise atual é diferente das anteriores porque levou a uma forte contração na liquidez mundial. Há menos recursos disponíveis para bancar os investimentos. (AR)
Valor Econômico - 30/03/2009.
Até então, os fluxos de investimentos diretos tinham ficado imunes às crises. Em 1997, por exemplo, o Brasil foi atingido pela crise asiática, e no ano seguinte os investimentos cresceram 52%, chegando a US$ 29 bilhões. Em 1998, houve a moratória russa, e os investimentos mantiveram-se em US$ 29 bilhões em 1999.
Há várias teorias para explicar a estabilidade dos investimentos diretos. A mais aceita é que os investidores têm uma visão de longo prazo e não estão interessados nas flutuações de curto prazo. `O Brasil tem grande potencial de crescimento, ao contrário das economias desenvolvidas, que têm mercados saturados`, afirma Luiz Afonso Lima, da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet).
Dois economistas do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), Marcelo José Braga Nonnenberg e Mário Jorge Cardoso de Mendonça, descobriram, a partir de dados de 33 países em desenvolvimento, que o tamanho e o ritmo de crescimento da economia são os principais determinantes dos investimentos diretos, bem à frente de variáveis como risco e inflação.
Os estudos mostram também uma forte inércia nos investimentos. Antonio Corrêa Lacerda, professor da PUC-SP, afirma que países com maior estoque de investimentos diretos tendem a ter maior fluxo de investimentos. `As empresas tem que fazer investimentos mínimos para manter a competitividade`, afirma.
Lima, da Sobeet, lembra que os investimentos diretos se tornaram mais pulverizados, com maior presença dos emergentes, e a diversidade de origem favorece a continuidade dos fluxos. Também aumentou a pulverização no ingresso de investimentos. Em 2008, 48,3% dos investimentos eram de operações até US$ 100 milhões.
Mas então porque a crise vai reduzir os fluxos de investimentos em 2009? Para o BC, a crise atual é diferente das anteriores porque levou a uma forte contração na liquidez mundial. Há menos recursos disponíveis para bancar os investimentos. (AR)
Valor Econômico - 30/03/2009.