Ônibus com 7 anos sai de circulação

14/03/2007
Dois mil e oitocentos ônibus com mais de sete anos de uso, que fazem o transporte rodoviário intermunicipal na Bahia, terão que ser retirados de circulação. Os ônibus pertencem a diversas empresas e a renovação da frota é uma das exigências do Governo do Estado, que busca atender a população com melhorias na qualidade dos serviços de transporte na Bahia. Esta ação faz parte do projeto que está sendo desenvolvido pela Secretaria Estadual de Infra-estrutura (Seinfra), por meio da Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Energia, Transportes e Comunicações da Bahia (Agerba) e em parceria com a Associação de Empresas de Transporte Coletivo Rodoviário do Estado da Bahia (Abemtro), com o objetivo de reduzir a idade média dos ônibus para três anos e meio, no período máximo de quatro anos.

O primeiro passo será dado pelo Grupo Carletto, que assina, quarta-feira (14), um protocolo de intenções com o Governo da Bahia através da Seinfra e a Agerba, para incorporação de 67 novos veículos à frota das três empresas que compõem o grupo. A assinatura do protocolo será às 15h30, na sede da Seinfra, no CAB (4ª Avenida, nº 440, 2º andar). Esses ônibus vão atender as 176 linhas que atendem 324 localidades do Sudoeste, Sul e o Extremo-Sul do estado.

A frota na Bahia, segundo levantamento da Agerba, tem ônibus que passam de 10 a 17 anos de uso, enquanto os demais estados têm em média de três a cinco anos. A Viação Cidade Sol, Expresso Brasileiro e a Rota Transportes, que atendem a diversas localidades no interior do Estado, serão as primeiras a receberem os novos veículos. O financiamento de R$ 19,3 milhões será feito por meio do Banco Mercedes-Benz.

Dentro de 60 dias, a Bahia terá um projeto específico para o transporte complementar de passageiros, que vai estabelecer regras e requisitos de segurança para os operadores do sistema e acabar com a clandestinidade. O anúncio foi feito pelo diretor-executivo da Agerba, Antonio Lomanto Netto.

Segundo ele, é impossível controlar um sistema de transporte que não está sendo submetido a regras. `Em parceria com as polícias rodoviárias Federal e Estadual, a Agerba vai adotar outras medidas para evitar irregularidades como o transporte clandestino, responsável por inúmeros acidentes, como os que aconteceram na semana passada na Ilha de Itaparica`, disse Lomanto Netto.

Segundo o secretário estadual de Infra-estrutura, Antônio Carlos Batista Neves, após a conclusão do projeto serão publicados os editais de licitação para as linhas de trajeto. `O governo do Estado está preocupado com a segurança dos passageiros, que deve ser priorizada. Vamos organizar em cooperativas e associações os que trabalham hoje sem nenhuma regularidade`, declarou Batista Neves.

O processo será feito através de licitação pública e vai permitir que os operadores possam trabalhar dentro de regras, atendendo aos requisitos de segurança estabelecidos pela Agerba. O sistema de transporte intermunicipal da Bahia conta com uma frota de 2.800 ônibus, responsável pelo transporte de dez milhões de passageiros por mês.

Números extra-oficiais apontam que cerca de cinco mil veículos, entre vans, ônibus, micro-ônibus e até carros de passeio atuam no transporte clandestino. Para saber se um veículo é do sistema regular e não clandestino, o usuário deve verificar se ele tem o selo e o número de ordem da Agerba, afixados sempre em locais visíveis na chaparia ou no interior. Lomanto Netto alerta para o perigo desse tipo de transporte, explicando que os veículos clandestinos não oferecem segurança, pois não são vistoriados e em caso de acidente deixam os passageiros sem qualquer cobertura de seguro. A Agerba conta com uma central de atendimento, com ligação grátis de qualquer ponto do estado, para receber denúncias. A central atende através do telefone 0800 71 0080, de segunda a sexta-feira, das 7 às 19 horas. O usuário pode acessar o site (www.agerba.ba.gov.br) e registrar a reclamações.

Tribuna da Bahia