22/08/2007
As apostas pararam em Salvador, em quase toda a Bahia e em Sergipe, onde o esquema do jogo do bicho era comandado pela organização Paratodos-BA, que unificou este tipo de jogo de azar, em 1990, no Estado. Uma força-tarefa, formada por ministérios públicos Federal e Estadual (MPF e MPE) e Polícia Federal (PF), deflagrou, ontem, a Operação Aposta, resultado de investigação iniciada há cerca de quatro anos - e que englobou os principais jogos de azar que afrontavam o poder público no Estado: bicho, bingos e caça-níqueis.
Foram apreendidos pelo menos R$ 2,6 milhões em espécie, grande número de cheques de alto valor, cerca de 750 máquinas caçaníqueis, máquinas diversas de bingos, mais de cem computadores - com eles dois provedores -, milhares de arquivos digitais e farta documentação, incluindo papéis de imóveis, como 18 fazendas do presidente da organização, Adilson Santana Passos.
Como não havia mandados de prisão, foi detido só o chefe da segurança da fortaleza, José Carlos - por porte ilegal de arma. O segurança foi liberado no fim do dia.
SORTEIOS - Ontem, já não houve sorteios nem foram pagos prêmios aos ganhadores dos cinco dias anteriores, prazo legal para recebimento.
A partir de hoje, por determinação da Justiça Federal, nenhum ponto de apostas poderá ser aberto e todos os tipos de publicidade, placas e letreiros em geral devem ser retirados, sob risco de prisão de donos dos imóveis.
Os donos de bingos, caça-níqueis e jogo do bicho - neste caso os 34 sócio-cotistas da Paratodos (veja quadro na página ao lado) -, são investigados, entre outros crimes, por suspeita de lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, contrabando e contravenção penal.
Só na sede da Arcadas Empreendimentos, conhecida como fortaleza da Paratodos, e nas lojas da empresa, cerca de 500 funcionários ficaram sem trabalho. Só no jogo do bicho, a operação atinge pelo menos outras quatro mil pessoas que trabalhavam em cerca de quatro mil pontos de apostas da capital e Região Metropolitana.
Sem contar com os que atuam na jogatina do interior do Estado e de Sergipe, cujos pontos de apostas são bancados por sócios cotistas da Paratodos-BA. Há, ainda, cerca de mil pessoas que trabalham nas casas de bingos e de caçaníqueis, muitas delas já `desempregadas` nos últimos dias, uma vez que o contraventor Fernando Ferreira, o Fernando Português, dono dos maiores bingos de Salvador, de alguns restaurantes de luxo e outros negócios (quase todos funcionavam com `testasde-ferro`), vinha fechando as portas dos empreendimentos, sob alegação de falência. No entanto, uma reunião ocorreria hoje, com esses funcionários, para tratar das rescisões contratuais.
Adiada na semana passada, a operação policial foi deflagrada por volta das 8h30 de ontem, quando cerca de 200 pessoas, entre policiais, promotores e pessoas de apoio começaram a cumprir os 33 mandados de busca e apreensão expedidos pela 17ª Vara Federal.
FORTALEZA - A principal ação ocorreu na fortaleza da ParatodosBA, prédio de número 8085, na orla de Pituaçu, sede administrativa do grupo. Entre 35 e 40 policiais, com 12 carros da PF, entraram no local de repente, quando pelo menos 80 pessoas já trabalhavam e umas dez esperavam para consultas médica e dentária: havia consultórios no prédio, para atendimento a colaboradores. Três pessoas se sentiram mal e foram medicadas no local.
Os federais exigiram que todos se reunissem no pátio para triagem.
Cerca de uma hora depois, algumas dezenas de pessoas foram liberadas, ficando no prédio representantes de cada setor, para abrir compartimentos, testemunhar as apreensões e prestar esclarecimentos.
Apenas um dos 34 cotistas, o diretor operacional, Landulfo Vital de Araújo, 59, estava na Arcadas.
Ele foi o último a deixar o prédio, às 23 horas, quando os delegados Fernando Berbert, Luís Gustavo e Marcelo Werner lacraram a sede. O balanço das apreensões é parcial, segundo o promotor de Justiça Edmundo Reis. Às 23 horas, a PF ainda enfrentava dificuldades para recolher toda a mercadoria nos pontos.
Fonte: Jornal A Tarde
DEODATO ALCÂNTARA
dalcantara@grupoatarde.com.br
Em 22/08/2007.
Foram apreendidos pelo menos R$ 2,6 milhões em espécie, grande número de cheques de alto valor, cerca de 750 máquinas caçaníqueis, máquinas diversas de bingos, mais de cem computadores - com eles dois provedores -, milhares de arquivos digitais e farta documentação, incluindo papéis de imóveis, como 18 fazendas do presidente da organização, Adilson Santana Passos.
Como não havia mandados de prisão, foi detido só o chefe da segurança da fortaleza, José Carlos - por porte ilegal de arma. O segurança foi liberado no fim do dia.
SORTEIOS - Ontem, já não houve sorteios nem foram pagos prêmios aos ganhadores dos cinco dias anteriores, prazo legal para recebimento.
A partir de hoje, por determinação da Justiça Federal, nenhum ponto de apostas poderá ser aberto e todos os tipos de publicidade, placas e letreiros em geral devem ser retirados, sob risco de prisão de donos dos imóveis.
Os donos de bingos, caça-níqueis e jogo do bicho - neste caso os 34 sócio-cotistas da Paratodos (veja quadro na página ao lado) -, são investigados, entre outros crimes, por suspeita de lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, contrabando e contravenção penal.
Só na sede da Arcadas Empreendimentos, conhecida como fortaleza da Paratodos, e nas lojas da empresa, cerca de 500 funcionários ficaram sem trabalho. Só no jogo do bicho, a operação atinge pelo menos outras quatro mil pessoas que trabalhavam em cerca de quatro mil pontos de apostas da capital e Região Metropolitana.
Sem contar com os que atuam na jogatina do interior do Estado e de Sergipe, cujos pontos de apostas são bancados por sócios cotistas da Paratodos-BA. Há, ainda, cerca de mil pessoas que trabalham nas casas de bingos e de caçaníqueis, muitas delas já `desempregadas` nos últimos dias, uma vez que o contraventor Fernando Ferreira, o Fernando Português, dono dos maiores bingos de Salvador, de alguns restaurantes de luxo e outros negócios (quase todos funcionavam com `testasde-ferro`), vinha fechando as portas dos empreendimentos, sob alegação de falência. No entanto, uma reunião ocorreria hoje, com esses funcionários, para tratar das rescisões contratuais.
Adiada na semana passada, a operação policial foi deflagrada por volta das 8h30 de ontem, quando cerca de 200 pessoas, entre policiais, promotores e pessoas de apoio começaram a cumprir os 33 mandados de busca e apreensão expedidos pela 17ª Vara Federal.
FORTALEZA - A principal ação ocorreu na fortaleza da ParatodosBA, prédio de número 8085, na orla de Pituaçu, sede administrativa do grupo. Entre 35 e 40 policiais, com 12 carros da PF, entraram no local de repente, quando pelo menos 80 pessoas já trabalhavam e umas dez esperavam para consultas médica e dentária: havia consultórios no prédio, para atendimento a colaboradores. Três pessoas se sentiram mal e foram medicadas no local.
Os federais exigiram que todos se reunissem no pátio para triagem.
Cerca de uma hora depois, algumas dezenas de pessoas foram liberadas, ficando no prédio representantes de cada setor, para abrir compartimentos, testemunhar as apreensões e prestar esclarecimentos.
Apenas um dos 34 cotistas, o diretor operacional, Landulfo Vital de Araújo, 59, estava na Arcadas.
Ele foi o último a deixar o prédio, às 23 horas, quando os delegados Fernando Berbert, Luís Gustavo e Marcelo Werner lacraram a sede. O balanço das apreensões é parcial, segundo o promotor de Justiça Edmundo Reis. Às 23 horas, a PF ainda enfrentava dificuldades para recolher toda a mercadoria nos pontos.
Fonte: Jornal A Tarde
DEODATO ALCÂNTARA
dalcantara@grupoatarde.com.br
Em 22/08/2007.