Verbas para a escola

11/09/2007
No dia em que recebeu o título de cidadão soteropolitano na Câmara Municipal, o ministro da educação, Fernando Haddad, anunciou o envio de R$9 milhões para serem distribuídos entre 300 escolas de Salvador. A verba vai financiar a primeira de 40 ações previstas pelo Plano de Desenvolvimento da Escola (PDE), na tentativa de tirar da cidade o incômodo título de pior desempenho entre as capitais, verificado através do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), 2005.

Acompanhado do secretário estadual da Educação, Adeum Sauer, e do secretário municipal da Educação, Ney Campello, Haddad ainda foi à Concha Acústica do Teatro Castro Alves. Ele acompanhou a festa de formatura promovida para cinco mil dos 14 mil alunos que participaram do Programa Salvador Cidade das Letras/Brasil Alfabetizado. Depois da solenidade, ainda teve tempo de curtir os shows da cantora Mariene de Castro e do músico Armandinho.

Antes de receber a homenagem, o ministro conversou com jornalistas e teve que explicar como pretende trabalhar para melhorar a qualidade do ensino no Nordeste. `Já fizemos um completo levantamento e detectamos que mesmo sendo a região que mais precisa, foi justamente a mais negligenciada pelas autoridades federais durante muitos anos`, justificou Haddad.

De cada dez municípios com os piores indicadores nas primeiras séries do ensino fundamental, oito estão no Nordeste.

Como apenas parte da responsabilidade é do governo federal, o sintonia entre as três esferas da administração pública é a esperança do ministro. `Não vamos agir olhando qual é o partido que administra determinada cidade ou estado`, afirmou Haddad.

Ele ainda anunciou a construção de oito escolas técnicas federais no estado, mas se disse alarmado com a grande quantidade de analfabetos em Salvador (115 mil), e na Bahia (2,2 milhões).

Com marcas negativas em todas as últimas avaliações de desempenho realizadas pelo MEC, a educação baiana chegou ao fundo do poço. O estado tem o maior número de municípios, 205, entre os que obtiveram menores notas no Ideb. O recorde negativo coube a Maiquinique, no interior do estado, como nota 0,69. A média nacional foi de 3,8 e nos países desenvolvidos a média é de no mínimo 6, numa escala de 0 a 10.

O secretário estadual da Educação, Adeum Sauer, justificou o baixo nível educacional demonstrado pelos estudantes baianos como o resultado de muitos anos de políticas inadequadas.

`Sempre houve uma valorização da qualidade do ensino, em detrimento da qualidade da aprendizagem. Não é da noite para o dia, mas vamos mudar esta lógica para acelerar a melhoria destes índices`, prometeu Sauer.

Apesar de ser a pior capital no desempenho do Ideb, Salvador saiu na frente para garantir o apoio do MEC e tentar reverter a situação. A cidade foi a primeira a enviar um projeto para o Plano de Ações Articuladas (PAR), e conseguir verbas através do Termo de Adesão ao Plano de Metas Compromisso Todos pela Educação. Pelo menos 40 ações estão previstas para serem implementadas no município.

`Nós queremos fazer da educação um elemento propulsor de desenvolvimento econômico, mas também melhorar o nível cultural da nossa população`, explicou o secretário municipal Ney Campello. A maioria das ações foi desenvolvida em parceria com professores e gestores de escolas públicas. A idéia do MEC é facilitar a realização de pequenas ações locais e, por isso, quase 400 diretores de escolas estaduais e municipais tomaram conhecimento de como vai funcionar o PAR. Durante a palestra realizada pela secretária de educação básica do MEC, Maria do Pilar Lacerda, eles foram convocados a sugerir novas ações e colocar em prática as idéias já acatadas pelo ministério.

Fonte: Jornal Correio da Bahia

Repórter: Jony Torres

11/09/07