25/03/2008
Ao apresentar para investidores o lucro de R$ 1,54 bilhão no ano passado, 33% acima de 2006, o diretor financeiro da Eletrobrás, Astrogildo Quental, insistiu na necessidade de centralização da gestão, com as subsidiárias mais afinadas com as decisões da holding, inclusive na formação de grupos para disputar leilões de geração de energia. A estatall também espera que os ministérios de Minas e Energia e da Fazenda concordem com medidas de alívio financeiro, como forma de compensar prejuízos na venda de energia no sistema isolado da Região Norte, até uma eventual suspensão do esforço de superávit primário da Eletrobrás.
Do lucro da estatal, responsável por 40% da geração de energia elétrica brasileira, a maior parte — R$ 1,22 bilhão — se deve ao superávit atuarial dos fundos de pensão de funcionários das empresas ligadas à holding. Só o Real Grandeza, dos empregados de Furnas, contribuiu com R$ 1,13 bilhão. Sem isso, o lucro seria bem menor, de R$ 320 milhões, ou 72% menor que o do ano anterior.
A empresa, credora em dólares, teve prejuízos com o câmbio (R$ 3 bilhões), sua maior subsidiária, Furnas, teve perdas de R$ 1,17 bilhão com a comercialização de energia — decorrentes da redução do fornecimento de gás natural da Bolívia — enquanto a Eletronorte calcula prejuízos com a comercialização de energia de R$ 276 milhões. Ambas tiveram que recorrer ao mercado livre para garantir contratos. Essas perdas foram parcialmente compensadas com as atividades de geração e transmissão.
Outro nó continua nas sete distribuidoras controladas direta ou indiretamente pela Eletrobrás. Essas empresas (Acre, Rondônia, Roraima, Amazonas, Piauí e Alagoas) tiveram juntas prejuízo de R$ 1,15 bilhão — 47,5% acima de 2006. `Essas empresas ainda estão longe do que a Eletrobrás entende como necessário. Uma gestão centralizada pode dar ganhos de escala`, defendeu Quental, na regra que valeria também para outras coligadas. `Queremos centralização das decisões, sem tirar autonomia das empresas em poder opinar`, disse.
A fórmula para essa centralização aguarda sinal verde do Ministério de Minas e Energia e prevê transformar as distribuidoras em uma espécie de superintendências regionais da Eletrobrás. Quental evitou, no entanto, discorrer sobre o efeito dessas mudanças nas indicações políticas para as distribuidoras estaduais de energia. `A troca de diretoria é um detalhe importante, mas secundário. O fundamental, inclusive para os políticos, é garantir o bom atendimento à população e a realização de investimentos`, afirmou.
Parte das dificuldades do grupo, especialmente da Eletronorte, no sistema isolado, está no que o Executivo resume como o fornecimento de energia elétrica a custo inferior ao da geração. Nesse campo, a Eletrobrás tem feito gestões para garantir que a diferença seja coberta com subsídios cobrados de todos os brasileiros na conta de luz, a exemplo do que acontece hoje para compensar o preço da energia gerada em térmicas a óleo combustível na região amazônica.
`O consumo do sistema isolado é pequeno, cerca de 3% do país, mas é uma parte significativa em termos de resultados do grupo Eletrobras, particularmente em relação à Eletronorte. Isso é uma parte da questão, que está sendo vista em uma MP do Sistema Isolado ou algo equivalente. Tem uma proposta em curso no ministério que pode resultar num dispositivo legal`, admitiu o diretor da Eletrobrás.
Repórter: Luís Osvaldo Grossmann
Fonte: Correio Braziliense
25/3/2008.
Do lucro da estatal, responsável por 40% da geração de energia elétrica brasileira, a maior parte — R$ 1,22 bilhão — se deve ao superávit atuarial dos fundos de pensão de funcionários das empresas ligadas à holding. Só o Real Grandeza, dos empregados de Furnas, contribuiu com R$ 1,13 bilhão. Sem isso, o lucro seria bem menor, de R$ 320 milhões, ou 72% menor que o do ano anterior.
A empresa, credora em dólares, teve prejuízos com o câmbio (R$ 3 bilhões), sua maior subsidiária, Furnas, teve perdas de R$ 1,17 bilhão com a comercialização de energia — decorrentes da redução do fornecimento de gás natural da Bolívia — enquanto a Eletronorte calcula prejuízos com a comercialização de energia de R$ 276 milhões. Ambas tiveram que recorrer ao mercado livre para garantir contratos. Essas perdas foram parcialmente compensadas com as atividades de geração e transmissão.
Outro nó continua nas sete distribuidoras controladas direta ou indiretamente pela Eletrobrás. Essas empresas (Acre, Rondônia, Roraima, Amazonas, Piauí e Alagoas) tiveram juntas prejuízo de R$ 1,15 bilhão — 47,5% acima de 2006. `Essas empresas ainda estão longe do que a Eletrobrás entende como necessário. Uma gestão centralizada pode dar ganhos de escala`, defendeu Quental, na regra que valeria também para outras coligadas. `Queremos centralização das decisões, sem tirar autonomia das empresas em poder opinar`, disse.
A fórmula para essa centralização aguarda sinal verde do Ministério de Minas e Energia e prevê transformar as distribuidoras em uma espécie de superintendências regionais da Eletrobrás. Quental evitou, no entanto, discorrer sobre o efeito dessas mudanças nas indicações políticas para as distribuidoras estaduais de energia. `A troca de diretoria é um detalhe importante, mas secundário. O fundamental, inclusive para os políticos, é garantir o bom atendimento à população e a realização de investimentos`, afirmou.
Parte das dificuldades do grupo, especialmente da Eletronorte, no sistema isolado, está no que o Executivo resume como o fornecimento de energia elétrica a custo inferior ao da geração. Nesse campo, a Eletrobrás tem feito gestões para garantir que a diferença seja coberta com subsídios cobrados de todos os brasileiros na conta de luz, a exemplo do que acontece hoje para compensar o preço da energia gerada em térmicas a óleo combustível na região amazônica.
`O consumo do sistema isolado é pequeno, cerca de 3% do país, mas é uma parte significativa em termos de resultados do grupo Eletrobras, particularmente em relação à Eletronorte. Isso é uma parte da questão, que está sendo vista em uma MP do Sistema Isolado ou algo equivalente. Tem uma proposta em curso no ministério que pode resultar num dispositivo legal`, admitiu o diretor da Eletrobrás.
Repórter: Luís Osvaldo Grossmann
Fonte: Correio Braziliense
25/3/2008.