22/05/2007
O asfalto vai sumindo, sumindo, sumindo, sumindo... até que a estrada se torna uma via esburacada, onde o barro vira lama toda vez que a chuva cai no terreno seco do sertão. Assim aconteceu na BA-161, que leva até a cidade de Pilão Arcado.Nos mapas a estrada aparece como asfaltada. Na vida real, é difícil transitar entre tantos buracos.
Acostamento, então, é algo invisível no meio do solo rachado pelas altas temperaturas.
E essa situação é a mesma em todas as regiões da Bahia, com a precariedade na malha viária sendo refletida de forma negativa nas condições sociais das comunidades e na economia do Estado. Somente nas rodovias estaduais são 90% de estradas que oscilam entre ruim e péssima, segundo números oficiais da Secretaria de Infra-Estrutura da Bahia (Seinfra).
Na região norte da Bahia, por exemplo, foram precisos seis dias para A TARDE percorrer trechos como o da BA-314, após a cidade de Serra da Canabrava, onde uma cratera na estrada derrubou metade da pista. Ou ainda a BR-222, que aparece asfaltada no mapa, mas está quase sem asfalto ao se aproximar da cidade de Remanso.
Além disso, em boa parte das vias deterioradas o velocímetro não consegue ultrapassar os 60 quilômetros, dando chance a ação de assaltantes. Foram2.684 quilômetros percorridos por 15 rodovias - oito federais e sete estaduais.
Apenas duas vias estão em bom estado de conservação e podem ser utilizadas sem transtornos - as BRs 242 e 116 -, com asfalto adequado, sinalização e acostamento.
E nem foi preciso ir tão longe para começar a rodar em estradas ruins. A situação se complica logo depois da cidade de Pojuca, seguindo em direção a Araçás, na BA-093, a 67 km de Salvador. A dimensão de algumas crateras inutiliza um lado da pista e os danos na via obrigam motoristas a dirigir em ziguezague. Qualquer vacilo pode representar um pneu danificado ou furado. `Pior é perder o controle do veículo`, reclama o motorista Manoel Araújo, 50 anos, que parou o carro e externou sua revolta ao ver os cliques da fotógrafa na estrada esburacada.
Araújo trabalha há oito meses com o transporte de moradores das cidades vizinhas até Pojuca. Na boléia do seu caminhão, mulheres e crianças chacoalham sem parar enquanto o veículo desvia dos obstáculos.
Após o município de Araçás, em direção a Alagoinhas, é a vez de encarar os desafios da BA-504. No início da rodovia é possível contar 24 buracos seqüenciados em cerca de dois metros. Para surpresa dos motoristas, a maior parte está em boas condições.
FRONTEIRA - O mesmo não pode ser dito da BR-110, de Alagoinhas a Jeremoabo, que merece o troféu de obra incompleta mais grave nas estradas baianas. A viagem pela rodovia segue tranqüila até o entroncamento de Sátiro Dias, que funciona como divisor de terras entre a pista adequada e a estrada ruim.
E, por ironia do destino, uma placa de obras do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit) está fincada no lado ruim da pista. `Esqueceram isso aí e nunca mais tiraram`, diz o borracheiro Tiago Silva Muniz, 25 anos, que ganha direito fazendo serviço de consertos de pneus destruídos. A placa da obra na estrada está enferrujada e é de 2006. Foi deixada lá na época em que o governo alardeou o Programa Emergencial de Trafegabilidade e Segurança nas Estradas (PETSE), sendo aplicados R$ 6,5 milhões na BR-110.
`Deram uma tapada nos buracos, mas todos reabriram e novos apareceram`, completa Tiago, que cobra R$ 4 por pneu trocado e perdeu as contas de quantos veículos já apareceram com os sistemas de alinhamento e balanceamento prejudicados. Os casos mais graves em veículos somente podem ser resolvidos em Alagoinhas, a 56 km de distância.
Lá o serviço de guincho até Sátiro Dias chega a custar R$ 150. `As estradas trazem muitos prejuízos`, lamentou Renildo Silva, representante comercial na entrada de Ribeira do Pombal. Por causa dos buracos o escoamento da produção da região é feita com dificuldade. `De Salvador para cá demora-se seis horas. Poderia ser percorrido em cinco horas`, diz Renildo, ao lembrar que a matéria-prima da empresa vem da capital e os produtos são vendidos para cidades próximas, como Nova Soure e Cipó. A empresa em que trabalha faz parte do Pólo Industrial de Ribeira do Pombal, onde há produtoras de leite e mel. Na região a pecuária é forte como também a cultura do feijão, milho e caju.
Fonte: Jornal A Atarde
(R LUIS SANTANAEDE) eluis@grupoatarde.com.br
Em 22/05/2007.
Acostamento, então, é algo invisível no meio do solo rachado pelas altas temperaturas.
E essa situação é a mesma em todas as regiões da Bahia, com a precariedade na malha viária sendo refletida de forma negativa nas condições sociais das comunidades e na economia do Estado. Somente nas rodovias estaduais são 90% de estradas que oscilam entre ruim e péssima, segundo números oficiais da Secretaria de Infra-Estrutura da Bahia (Seinfra).
Na região norte da Bahia, por exemplo, foram precisos seis dias para A TARDE percorrer trechos como o da BA-314, após a cidade de Serra da Canabrava, onde uma cratera na estrada derrubou metade da pista. Ou ainda a BR-222, que aparece asfaltada no mapa, mas está quase sem asfalto ao se aproximar da cidade de Remanso.
Além disso, em boa parte das vias deterioradas o velocímetro não consegue ultrapassar os 60 quilômetros, dando chance a ação de assaltantes. Foram2.684 quilômetros percorridos por 15 rodovias - oito federais e sete estaduais.
Apenas duas vias estão em bom estado de conservação e podem ser utilizadas sem transtornos - as BRs 242 e 116 -, com asfalto adequado, sinalização e acostamento.
E nem foi preciso ir tão longe para começar a rodar em estradas ruins. A situação se complica logo depois da cidade de Pojuca, seguindo em direção a Araçás, na BA-093, a 67 km de Salvador. A dimensão de algumas crateras inutiliza um lado da pista e os danos na via obrigam motoristas a dirigir em ziguezague. Qualquer vacilo pode representar um pneu danificado ou furado. `Pior é perder o controle do veículo`, reclama o motorista Manoel Araújo, 50 anos, que parou o carro e externou sua revolta ao ver os cliques da fotógrafa na estrada esburacada.
Araújo trabalha há oito meses com o transporte de moradores das cidades vizinhas até Pojuca. Na boléia do seu caminhão, mulheres e crianças chacoalham sem parar enquanto o veículo desvia dos obstáculos.
Após o município de Araçás, em direção a Alagoinhas, é a vez de encarar os desafios da BA-504. No início da rodovia é possível contar 24 buracos seqüenciados em cerca de dois metros. Para surpresa dos motoristas, a maior parte está em boas condições.
FRONTEIRA - O mesmo não pode ser dito da BR-110, de Alagoinhas a Jeremoabo, que merece o troféu de obra incompleta mais grave nas estradas baianas. A viagem pela rodovia segue tranqüila até o entroncamento de Sátiro Dias, que funciona como divisor de terras entre a pista adequada e a estrada ruim.
E, por ironia do destino, uma placa de obras do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit) está fincada no lado ruim da pista. `Esqueceram isso aí e nunca mais tiraram`, diz o borracheiro Tiago Silva Muniz, 25 anos, que ganha direito fazendo serviço de consertos de pneus destruídos. A placa da obra na estrada está enferrujada e é de 2006. Foi deixada lá na época em que o governo alardeou o Programa Emergencial de Trafegabilidade e Segurança nas Estradas (PETSE), sendo aplicados R$ 6,5 milhões na BR-110.
`Deram uma tapada nos buracos, mas todos reabriram e novos apareceram`, completa Tiago, que cobra R$ 4 por pneu trocado e perdeu as contas de quantos veículos já apareceram com os sistemas de alinhamento e balanceamento prejudicados. Os casos mais graves em veículos somente podem ser resolvidos em Alagoinhas, a 56 km de distância.
Lá o serviço de guincho até Sátiro Dias chega a custar R$ 150. `As estradas trazem muitos prejuízos`, lamentou Renildo Silva, representante comercial na entrada de Ribeira do Pombal. Por causa dos buracos o escoamento da produção da região é feita com dificuldade. `De Salvador para cá demora-se seis horas. Poderia ser percorrido em cinco horas`, diz Renildo, ao lembrar que a matéria-prima da empresa vem da capital e os produtos são vendidos para cidades próximas, como Nova Soure e Cipó. A empresa em que trabalha faz parte do Pólo Industrial de Ribeira do Pombal, onde há produtoras de leite e mel. Na região a pecuária é forte como também a cultura do feijão, milho e caju.
Fonte: Jornal A Atarde
(R LUIS SANTANAEDE) eluis@grupoatarde.com.br
Em 22/05/2007.