23/05/2007
A Bahia tem 143.851 quilômetros de estradas federais e estaduais, porém, a melhoria dessa malha viária está longe de ser prioridade política. Nas vias estaduais, 90% estão em péssimas condições. Nas federais, os mapas indicam que 81% estão pavimentadas, mas a realidade não confirma esse índice. Basta circular por algumas para perceber os buracos, falta de sinalização e acostamentos, além do risco de assaltos. A partir de hoje, A TARDE publica uma série de matérias sobre as condições das estradas. Foram percorridos 2.684 quilômetros, na sua maioria por vias degradadas. As matérias começam pela região norte, com as BAs 093, 161 e 052, além das BRs 407 e 110. Amanhã é a vez da região oeste. E na quinta-feira é a vez do Extremo Sul e a região de Santo Antonio de Jesus. O asfalto vai sumindo, sumindo, sumindo, sumindo... até que a estrada se torna uma via esburacada, onde o barro vira lama toda vez que a chuva cai no terreno seco do sertão.
Assim aconteceu na BA-161, que leva até a cidade de Pilão Arcado.Nos mapas a estrada aparece como asfaltada. Na vida real, é difícil transitar entre tantos buracos.
Acostamento, então, é algo invisível no meio do solo rachado pelas altas temperaturas.
E essa situação é a mesma em todas as regiões da Bahia, com a precariedade na malha viária sendo refletida de forma negativa nas condições sociais das comunidades e na economia do Estado.
Somente nas rodovias estaduais são 90% de estradas que oscilam entre ruim e péssima, segundo números oficiais da Secretaria de Infra-Estrutura da Bahia (Seinfra).
Na região norte da Bahia, por exemplo, foram precisos seis dias para A TARDE percorrer trechos como o da BA-314, após a cidade de Serra da Canabrava, onde uma cratera na estrada derrubou metade da pista. Ou ainda a BR-222, que aparece asfaltada no mapa, mas está quase sem asfalto ao se aproximar da cidade de Remanso.
Além disso, em boa parte das vias deterioradas o velocímetro não consegue ultrapassar os 60 quilômetros, dando chance a ação de assaltantes. Foram2.684 quilômetros percorridos por 15 rodovias - oito federais e sete estaduais.
Apenas duas vias estão em bom estado de conservação e podem ser utilizadas sem transtornos - as BRs 242 e 116 -, com asfalto adequado, sinalização e acostamento.
E nem foi preciso ir tão longe para começar a rodar em estradas ruins. A situação se complica logo depois da cidade de Pojuca, seguindo em direção a Araçás, na BA-093, a 67 km de Salvador. A dimensão de algumas crateras inutiliza um lado da pista e os danos na via obrigam motoristas a dirigir em ziguezague. Qualquer vacilo pode representar um pneu danificado ou furado. `Pior é perder o controle do veículo`, reclama o motorista Manoel Araújo, 50 anos, que parou o carro e externou sua revolta ao ver os cliques da fotógrafa na estrada esburacada.
Araújo trabalha há oito meses com o transporte de moradores das cidades vizinhas até Pojuca. Na boléia do seu caminhão, mulheres e crianças chacoalham sem parar enquanto o veículo desvia dos obstáculos.
Após o município de Araçás, em direção a Alagoinhas, é a vez de encarar os desafios da BA-504. No início da rodovia é possível contar 24 buracos seqüenciados em cerca de dois metros. Para surpresa dos motoristas, a maior parte está em boas condições.
FRONTEIRA - O mesmo não pode ser dito da BR-110, de Alagoinhas a Jeremoabo, que merece o troféu de obra incompleta mais grave nas estradas baianas. A viagem pela rodovia segue tranqüila até o entroncamento de Sátiro Dias, que funciona como divisor de terras entre a pista adequada e a estrada ruim.
E, por ironia do destino, uma placa de obras do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit) está fincada no lado ruim da pista. `Esqueceram isso aí e nunca mais tiraram`, diz o borracheiro Tiago Silva Muniz, 25 anos, que ganha direito fazendo serviço de consertos de pneus destruídos.
A placa da obra na estrada está enferrujada e é de 2006. Foi deixada lá na época em que o governo alardeou o Programa Emergencial de Trafegabilidade e Segurança nas Estradas (PETSE), sendo aplicados R$ 6,5 milhões na BR-110.
`Deram uma tapada nos buracos, mas todos reabriram e novos apareceram`, completa Tiago, que cobra R$ 4 por pneu trocado e perdeu as contas de quantos veículos já apareceram com os sistemas de alinhamento e balanceamento prejudicados. Os casos mais graves em veículos somente podem ser resolvidos em Alagoinhas, a 56 km de distância.
Lá o serviço de guincho até Sátiro Dias chega a custar R$ 150. `As estradas trazem muitos prejuízos`, lamentou Renildo Silva, representante comercial na entrada de Ribeira do Pombal.
Por causa dos buracos o escoamento da produção da região é feita com dificuldade. `De Salvador para cá demora-se seis horas. Poderia ser percorrido em cinco horas`, diz Renildo, ao lembrar que a matéria-prima da empresa vem da capital e os produtos são vendidos para cidades próximas, como Nova Soure e Cipó. A empresa em que trabalha faz parte do Pólo Industrial de Ribeira do Pombal, onde há produtoras de leite e mel. Na região a pecuária é forte como também a cultura do feijão, milho e caju.
Fonte: Jornal A Tarde
Repórter: Eder Luis Santana
22/05/07
Assim aconteceu na BA-161, que leva até a cidade de Pilão Arcado.Nos mapas a estrada aparece como asfaltada. Na vida real, é difícil transitar entre tantos buracos.
Acostamento, então, é algo invisível no meio do solo rachado pelas altas temperaturas.
E essa situação é a mesma em todas as regiões da Bahia, com a precariedade na malha viária sendo refletida de forma negativa nas condições sociais das comunidades e na economia do Estado.
Somente nas rodovias estaduais são 90% de estradas que oscilam entre ruim e péssima, segundo números oficiais da Secretaria de Infra-Estrutura da Bahia (Seinfra).
Na região norte da Bahia, por exemplo, foram precisos seis dias para A TARDE percorrer trechos como o da BA-314, após a cidade de Serra da Canabrava, onde uma cratera na estrada derrubou metade da pista. Ou ainda a BR-222, que aparece asfaltada no mapa, mas está quase sem asfalto ao se aproximar da cidade de Remanso.
Além disso, em boa parte das vias deterioradas o velocímetro não consegue ultrapassar os 60 quilômetros, dando chance a ação de assaltantes. Foram2.684 quilômetros percorridos por 15 rodovias - oito federais e sete estaduais.
Apenas duas vias estão em bom estado de conservação e podem ser utilizadas sem transtornos - as BRs 242 e 116 -, com asfalto adequado, sinalização e acostamento.
E nem foi preciso ir tão longe para começar a rodar em estradas ruins. A situação se complica logo depois da cidade de Pojuca, seguindo em direção a Araçás, na BA-093, a 67 km de Salvador. A dimensão de algumas crateras inutiliza um lado da pista e os danos na via obrigam motoristas a dirigir em ziguezague. Qualquer vacilo pode representar um pneu danificado ou furado. `Pior é perder o controle do veículo`, reclama o motorista Manoel Araújo, 50 anos, que parou o carro e externou sua revolta ao ver os cliques da fotógrafa na estrada esburacada.
Araújo trabalha há oito meses com o transporte de moradores das cidades vizinhas até Pojuca. Na boléia do seu caminhão, mulheres e crianças chacoalham sem parar enquanto o veículo desvia dos obstáculos.
Após o município de Araçás, em direção a Alagoinhas, é a vez de encarar os desafios da BA-504. No início da rodovia é possível contar 24 buracos seqüenciados em cerca de dois metros. Para surpresa dos motoristas, a maior parte está em boas condições.
FRONTEIRA - O mesmo não pode ser dito da BR-110, de Alagoinhas a Jeremoabo, que merece o troféu de obra incompleta mais grave nas estradas baianas. A viagem pela rodovia segue tranqüila até o entroncamento de Sátiro Dias, que funciona como divisor de terras entre a pista adequada e a estrada ruim.
E, por ironia do destino, uma placa de obras do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit) está fincada no lado ruim da pista. `Esqueceram isso aí e nunca mais tiraram`, diz o borracheiro Tiago Silva Muniz, 25 anos, que ganha direito fazendo serviço de consertos de pneus destruídos.
A placa da obra na estrada está enferrujada e é de 2006. Foi deixada lá na época em que o governo alardeou o Programa Emergencial de Trafegabilidade e Segurança nas Estradas (PETSE), sendo aplicados R$ 6,5 milhões na BR-110.
`Deram uma tapada nos buracos, mas todos reabriram e novos apareceram`, completa Tiago, que cobra R$ 4 por pneu trocado e perdeu as contas de quantos veículos já apareceram com os sistemas de alinhamento e balanceamento prejudicados. Os casos mais graves em veículos somente podem ser resolvidos em Alagoinhas, a 56 km de distância.
Lá o serviço de guincho até Sátiro Dias chega a custar R$ 150. `As estradas trazem muitos prejuízos`, lamentou Renildo Silva, representante comercial na entrada de Ribeira do Pombal.
Por causa dos buracos o escoamento da produção da região é feita com dificuldade. `De Salvador para cá demora-se seis horas. Poderia ser percorrido em cinco horas`, diz Renildo, ao lembrar que a matéria-prima da empresa vem da capital e os produtos são vendidos para cidades próximas, como Nova Soure e Cipó. A empresa em que trabalha faz parte do Pólo Industrial de Ribeira do Pombal, onde há produtoras de leite e mel. Na região a pecuária é forte como também a cultura do feijão, milho e caju.
Fonte: Jornal A Tarde
Repórter: Eder Luis Santana
22/05/07