Braskem diz que pode rever investimento no País e volta ao lucro

09/08/2007
O presidente da Braskem, José Carlos Grubisich, disse ontem, durante divulgação dos resultados trimestrais da petroquímica do Grupo Odebrecht, que o ritmo e a estrutura dos investimentos da empresa poderão ser alterados caso a Petrobras decida entrar como acionista majoritária do pólo petroquímico do Sudeste. Para Grubisich, esse movimento poderia representar um processo de reestatização do setor, o que criaria incertezas para as petroquímicas.

Um dos pontos delicados para a companhia seria a relação com a Petrobras no controle da Petroquímica Paulínia (SP), da qual a Braskem é acionista majoritária, com 60% de participação, enquanto a Petrobras detém 40%. `Não poderemos aportar todo o nosso know how e estratégia de negócios, caso a Petrobras seja a controladora do player da região Sudeste.`

Outros investimentos da companhia, como os previstos para o Rio Grande do Sul e para o Nordeste (Bahia e Alagoas), também poderiam ser revistos justamente em decorrência das incertezas, caso a estatal se torne a segunda maior do setor petroquímico brasileiro. Um dos pontos ressaltados pelo presidente da Braskem é que a companhia precisaria ter uma posição clara da Petrobras em assuntos como a isonomia nas matérias-primas fornecidas por ela - nafta, propeno e gás natural - ao setor. Mesmo levantando algumas dúvidas sobre como ficaria o setor com a atuação mais efetiva da Petrobras, o presidente da Braskem destacou que não acredita que este será o cenário a ser apresentado pela estatal aos demais participantes deste mercado. Grubisich acredita que o modelo a ser consolidado pela estatal será a formação do pólo da região Sudeste pela Petrobras, mas como uma `sócia minoritária de relevância` do grupo, e tendo um parceiro privado como majoritário.

A candidata mais provável a ocupar o posto, segundo Grubisich, seria a União de Indústrias Petroquímicas (Unipar), que já é controladora da Petroquímica União (PQU) e é uma das sócias majoritárias da Rio Polímeros (Riopol). A partir de então, a própria Unipar precisaria analisar a necessidade de convidar mais algum grupo a participar do projeto. Essa situação já está sendo analisada por representantes da Unipar e da Petrobras. Definida a situação do pólo petroquímico do Sudeste, a dúvida passaria a ser como ficaria a composição do grupo que irá controlar o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), e que por sua vez já conta com a participação prevista da Petrobras, do Grupo Ultra e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A expectativa é de que a Unipar seja um quarto parceiro do projeto, o que poderia inviabilizar a entrada da Braskem no Comperj, destacam alguns analistas do setor. Grubisich ressaltou que a Braskem ainda aguarda um relatório da Petrobras com dados mais detalhados sobre o Comperj e disse que não acredita que a formação de uma empresa única para controlar a petroquímica na região Sudeste possa dificultar um eventual ingresso da Braskem no complexo, caso a companhia, após analisar o material, considere haver atratividade.

De volta ao lucro.

A Braskem encerrou o segundo trimestre deste ano com lucro líquido de R$ 281 milhões, revertendo um prejuízo de R$ 55 milhões registrado em igual período do ano passado. De acordo com a companhia, os números foram influenciados pelo melhor desempenho operacional e financeiro, combinado com o impacto positivo de itens não-recorrentes, como a reversão da provisão de PIS/COFINS e o reconhecimento de receita de imposto de renda diferido ativo pela dedutibilidade do ágio decorrente da incorporação da Politeno, com impacto de R$ 86 milhões no resultado.

A receita líquida consolidada no trimestre foi de R$ 5 bilhões, um crescimento de 23% em relação ao mesmo trimestre de 2006. A geração de caixa, ou Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações), teve alta de 64%, para R$ 921 milhões. No semestre, a receita líquida teve expansão de 17% ante o período entre janeiro e junho do ano passado, somando R$ 9,4 bilhões.

Segundo a companhia, a melhor performance operacional ficou evidenciada por maiores taxas de utilização de capacidade, maiores volumes vendidos e melhor rentabilidade na comercialização dos produtos. A margem subiu de 13,9% para 18,5%. Os resultados já consolidam a aquisição dos ativos do Grupo Ipiranga.

As vendas consolidadas de resinas termoplásticas da Braskem cresceram 7% no primeiro semestre deste ano, na comparação com igual período do ano passado, para 1,4 milhão de toneladas. No segundo trimestre, a alta foi de 9%, para 739 mil toneladas, números que já consideram a incorporação dos ativos da Petroquímica Ipiranga, Ipiranga Química e Copesul. O resultado no trimestre foi impulsionado pelo crescimento de 17% nas vendas de PVC ao mercado interno e pelas exportações. Ao todo, a companhia comercializou 121,1 mil toneladas de PVC, ante 103,7 mil em igual período de 2006. Já as exportações no período somaram US$ 675 milhões (considerando todas as áreas, incluindo a de insumos básicos), ante US$ 496 milhões do segundo trimestre do ano passado.

Fonte: Jornal Gazeta Mercantil

André Magnabosco

Em 9/08/2007.