Entrevista exclusiva do ministro Geddel Vieira Lima ao Jornal Tribuna da Bahia

19/03/2007
ENTREVISTA

Tribuna da Bahia - O que a Bahia pode esperar do senhor, que acaba de assumir um novo desafio, à frente do Ministério de Integração Nacional?

Ministro Geddel Vieira Lima - Pode esperar trabalho, seriedade, vontade de contribuir de forma clara para nós combatermos essas brutais desigualdades que, apesar de tudo que vem sendo feito, ainda persistem no Brasil e, evidentemente, ter um olhar muito carinhoso para a Bahia. Não adianta ser ministro se não puder ajudar a Bahia e eu tenho essa noção exata de que a minha passagem aqui pela Integração Nacional é uma oportunidade de alavancarmos investimentos que possam acelerar o desenvolvimento do nosso Estado.

TB - Alguns trabalhos que o senhor tem pela frente são considerados polêmicos, a exemplo a transposição do Rio São Francisco. Qual a sua posição sobre isto? O senhor é contra ou a favor?

Ministro - Não tenho posição, a minha posição é a do governo. O que pergunto sempre é isso: já que há uma decisão do governo de fazer o projeto de interligação de bacias, é melhor que isso seja feito por um ministro de outro Estado ou por um ministro da Bahia que agirá como guardião dos interesses do nosso Estado? O que precisamos, efetivamente, é ter coragem de desmistificar o preconceito e dar conhecimento desse projeto aos baianos para mostrar que ele não faz mal nenhum ao nosso Estado e ajuda outros. E muito mais que isto, estimula os investimentos do governo federal na Bahia. Portanto, vejo com muita tranqüilidade, eu nunca tive medo de enfrentar problemas.

TB - Mas o que a Bahia ganha com a transposição ou revitalização das bacias?

Ministro - Vamos ser muito beneficiados com a questão da revitalização, com a idéia de através de PPP (Parceria Público Privada) concluir o projeto do Salitre e o projeto do Baixio de Irecê. Projetos esses que podem gerar alguma coisa em torno de 200 milhões de empregos na Bahia, se levarmos em conta que um hectare irrigado significa um, um e meio emprego direto. Portanto, eu acho que se avançarmos nisso, solucionar o problema da falta d`água histórica, dar seguimento ao projeto de irrigação de Dom Basílio, Livramento de Nossa Senhora, além da construção do sistema integrado de abastecimento de água de Santana com mais 100 quilômetros de adutora, estaremos dando condições efetivas para nosso Estado.

TB - Quando o senhor, de fato, soube que assumiria o Ministério da Integração Nacional?

Ministro - Quando o presidente da República confirmou, sinalizou no encontro que tive com ele e com o governador Jaques Wagner (no início da semana passada). E também quando Lula comunicou (no mesmo dia) ao presidente do meu partido, Michel Temer, que estaria me convocando para assumir esta missão de ajudar o governo no Ministério da Integração Nacional. Como o próprio presidente Lula disse na cerimônia de posse, minha convocação significa o símbolo dessa coalizão que dá sustentação ao governo dele no Congresso Nacional.

TB - Qual será, na sua opinião, o maior desafio do presidente Lula daqui para frente?

Ministro - Eu acho que o presidente Lula já colocou. O grande desafio dele é tomar as medidas necessárias para, na linguagem do presidente, `destravar o crescimento`. Está aí o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Temos que acelerar a votação dessas matérias no Congresso Nacional para que o Brasil possa crescer no ritmo que todos nós desejamos e gerando os empregos que a população brasileira tanto anseia.

TB - Com o PAC, o que a Bahia ganha?

Ministro - Temos muito investimentos no PAC. Temos que levar em consideração o seguinte: você tem R$ 1,3 bilhão destinados aos programas de revitalização e, evidentemente, que um ministro baiano, olhará com muito carinho para os municípios vizinhos da Bacia do Rio São Francisco. A Bahia ganhará com investimentos em saneamento, prevenção de enchentes, construção de barragens e obras de adutora. Enfim, o ministro da Integração Nacional vai olhar com muito carinho para as necessidades da Bahia.

TB - O senhor agora à frente do Ministério, o credencia a disputar a sucessão de Jaques Wagner ao governo da Bahia em 2010?

Ministro - Em absoluto. O meu projeto político está amarrado ao de Jaques Wagner. As prioridades são dele, o governador foi o condutor dessa vitória que obtivemos na Bahia e ele tem honrado todos os compromissos políticos com o PMDB. Eu tenho com Jaques Wagner uma amizade fraterna e a minha passagem pelo Ministério da Integração Nacional estará voltada também politicamente para fortalecê-lo na sua missão de liderar a Bahia, nesse momento, como governador do Estado.

TB - O senhor vai continuar com as articulações dentro do Congresso Nacional?

Ministro - Eu sou um homem do parlamento, eu nasci politicamente no parlamento. Eu aprendi nele que não há caminho mais curto para se conquistar benefícios à população do que o de entendimento, do diálogo, da busca de soluções negociáveis. E, mesmo exercendo esse papel administrativo importante, eu não tenho como abrir mão dos contatos dos companheiros, deputados e senadores, esses amigos que há tanto tempo militam na Câmara e no Senado lutando pelos interesses do Brasil.

TB - O PMDB inaugurou um novo momento político, cada vez mais forte tanto nacionalmente, quanto na Bahia. Como será a relação do partido com o governo federal e com o próprio PT?

Ministro - Uma relação absolutamente amistosa. Eu acho que as posses que o presidente Lula está dando a ministros do PMDB sinalizam que já tínhamos uma coalizão política, uma coalizão congressual, e passamos agora a ter uma coalizão administrativa. Portanto, o PMDB é co-responsável no ato de governar, arcando com os momentos bons desse ato e com eventuais equívocos que, conjuntamente, possamos cometer.

TB - Na convenção do PMDB, que aconteceu no último dia 11, o partido decidiu que vai sair com candidato próprio à presidente da República. Qual sua opinião?

Ministro - Não se decidiu. O presidente Michel Temer, simplesmente, externou um sentimento de todo grande partido. Evidentemente, que todo grande partido deseja viabilizar um projeto de poder no sentido de apresentar programas que representem sua visão sobre os destinos do país. Mas um partido que deseja ter um candidato pressupõe-se que deseja ter apoios. E quem deseja apoio tem que estar disposto a apoiar. Eu aqui, nesse caso, sigo muito ao ensinamento da bíblia: cada dia com sua agonia.

TB - Como fica agora o PMDB baiano? O senhor sai da presidência estadual?

Ministro - Eu licencio. O executivo vai ser presidido pelo Lúcio Vieira Lima (irmão de Geddel), vice-presidente eleito em convenção. Mas o PMDB continua com o mesmo norte, crescer com tranqüilidade, seriedade e dar as condições, como já vem sendo feito, para o fortalecimento do projeto político do governador Jaques Wagner, representando o PT, e do vice-governador Edmundo Pereira, representando o PMDB.

TB - E o prefeito João Henrique? Ele esteve presente na sua posse em Brasília. O prefeito vai ou não ingressar no PMDB?

Ministro - Essa é uma angústia mais da imprensa do que nossa do PMDB. Temos conversado com João Henrique, eu agradeço a presença dele e do senador João Durval aqui em Brasília, prestigiando a solenidade de posse, mas a hora que o prefeito achar oportuno e o partido também, essa definição será tomada. O prefeito é um grande quadro político, mas temos que tomar essas decisões em harmonia também com o governador Jaques Wagner.

(Por Raiane Verissimo)