Mais de 1,4 mil focos de incêndio poderão ser registrados na Bahia

01/11/2007
Ocorrências severas e riscos críticos de focos de queimadas poderão ser verificados na Bahia até o final de novembro. É o que mostra o Boletim de Previsão Climática, divulgado nesta quarta (31) pelo Centro Estadual de Meteorologia da Bahia, órgão da Superintendência de Recursos Hídricos (Cemba/SRH). As áreas mais vulneráveis do estado são as regiões Norte, Nordeste, Oeste, São Francisco, Chapada Diamantina e Sudoeste.

As temperaturas elevadas e a baixa umidade relativa do ar intensificaram a situação de seca, tendo como conseqüência o aumento no número de incêndios nessas regiões. O boletim do Cemba/SRH revela que de 1º a 30 de outubro foram registrados 1.497 focos de incêndio na Bahia; 12% a mais que o mês de outubro de 2006 quando foram registrados 1.339 focos.

Em setembro, o satélite NOAA-15 captou 1.453 focos de incêndio no estado. O número é 105% maior do que o verificado no mês de agosto quando foram observados 709 focos. Em comparação ao mês de setembro de 2006, o aumento foi de 24%.

O prognóstico climático para o estado nos meses de novembro e dezembro de 2007 e janeiro de 2008 mostra que a situação continuará crítica nas regiões Norte, Nordeste e Recôncavo. Por outro lado, com o início da estação chuvosa na faixa centro-oeste e sul do Estado, haverá gradual redução do número de queimadas a partir do mês de novembro nessas regiões.

Falta de chuva

O boletim do Cemba/SRH também mostra que os meses de dezembro de 2006, janeiro, março, abril, maio, junho, julho, agosto, setembro e outubro de 2007 foram aqueles em que ocorreram os maiores déficits de precipitação nas regiões Norte, Oeste, São Francisco e Chapada Diamantina. A atuação e persistência de massas de ar quente e seco foram os principais responsáveis pela redução das chuvas na Bahia. Estes sistemas estiveram centrados no interior do Nordeste brasileiro, cobrindo grande extensão do território baiano.

Entre os meses de março e outubro de 2007 as precipitações estiveram variando entre a normalidade a valores ligeiramente abaixo da média nas regiões do Recôncavo, Sul, Nordeste e Sudoeste. A média de precipitação entre esses meses no Recôncavo foi de 115,2 mm, de 103,3 no Sul; 46,4mm no Nordeste e de 44,4 no Sudoeste baiano. Destaca-se que os meses de março a julho são os de maiores incidência de chuva no Recôncavo e no Nordeste do Estado. Os ventos úmidos vindos do Oceano Atlântico foram os principais responsáveis pelas chuvas nessas regiões.

A previsão climática da precipitação para o trimestre que vai de novembro de 2007 a janeiro de 2008 indica que as chuvas ficarão abaixo da média histórica em praticamente toda a Bahia, com exceção da faixa litorânea do Recôncavo Norte, onde a previsão é de que as chuvas fiquem em torno da normalidade. De acordo com o Cemba/SRH esse trimestre está inserido no primeiro período chuvoso da Bahia que começa em outubro e prossegue até março do ano seguinte.

Nesse período é que são registrados os maiores índices de precipitação nas regiões Oeste, São Francisco, Chapada Diamantina, Sudoeste e Sul. O meteorologista do Cemba/SRH, Heráclio Alves, explicou, no entanto, que apesar de o período chuvoso já ter começado nessas regiões, as precipitações ainda não estão ocorrendo devido à influência de uma massa de ar quente e seco. Isso, segundo avalia o meteorologista, pode prolongar o período de focos de incêndio.

A climatologia do trimestre novembro, dezembro e janeiro mostra que os totais de chuvas acumuladas, com valores acima de 300 mm, são esperados na faixa centro-oeste e sul da Bahia. A Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), que traz umidade da região Amazônica, e as frentes frias, que se deslocam do Sul em direção ao Nordeste brasileiro, são os principais sistemas meteorológicos responsáveis pelas chuvas nessas áreas.

Nas demais regiões do Estado, os totais acumulados de chuvas não ultrapassam os 200 mm. A distribuição de probabilidades para o trimestre que vai de novembro de 2007 a janeiro de 2008 está indicando a tendência de 40% de chances de as chuvas ficarem abaixo da média histórica nas regiões Oeste, São Francisco, Sudoeste, Sul, Chapada Diamantina, Norte, Nordeste e grande parte do Recôncavo. Na faixa litorânea do Recôncavo, a tendência é a de que as chuvas fiquem dentro da média histórica.

Fonte: Agecom

31/10/2007