Nordeste entra na disputa pelo mercado de energia limpa

14/03/2008
sec_silvano.jpg Criação de leilões exclusivos para a produção de energia eólica e sua inserção na matriz energética do país. Essas foram as principais reivindicações dos secretários estaduais, representantes e técnicos do setor de energia do Nordeste durante o I Seminário Regional de Planejamento Energético, realizado no início da semana (dia 10), em Fortaleza (Ceará).

Com a instabilidade do mercado de gás natural, o aumento do preço do petróleo inviabilizando a construção de térmicas a diesel, além de sua poluição, o Brasil deverá buscar novas fontes de energia. Desta forma, Bahia e Ceará aparecem como importantes alternativas de energias renováveis, levando-se em conta, sobretudo, a sua capacidade na produção de energia eólica, considerada a principal fonte renovável com potencial de aproveitamento em larga escala em todo o Nordeste.

A intenção é incluir as propostas desses e de outros estados nordestinos na revisão do Plano Nacional de Energia 2030, aproveitando sua capacidade de produção e, ao mesmo tempo, enquadrando a região nas políticas energéticas do país. Para Amílcar Guerreiro, representante no evento da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), órgão vinculado ao Ministério de Minas e Energia, investir em energia vai ser o caminho para o Brasil atrair mais investimentos e reduzir, dessa forma, as desigualdades regionais. 'A idéia é que o Brasil tenha, até 2030, 45% de sua energia oriunda de fontes renováveis'.

De acordo com o secretario estadual de Infra-estrutura, Antonio Carlos Batista Neves, também vice-presidente do Fórum Nacional de Secretários para Assuntos de Energia, 'o leilão de energia eólica propiciará oportunidades para estimular a implantação de novos parques eólicos no país e o surgimento de empresas fabricantes de agrogeradores e componentes'. 'Além de contribuir para minimizar os riscos de falta de abastecimento de energia elétrica', ressalta.

Conforme Silvano Ragno, superintendente de Energia e Comunicações da Seinfra e representante da Bahia no encontro, o Nordeste é pouco contemplado no Plano Nacional de energia. Segundo ele, o governo federal tem dado pouco espaço nos leilões para a energia eólica, ignorando o potencial do Nordeste de geração dessa energia. 'A região poderia, ao invés de importar energia do Sul do país, usar o seu grande potencial tanto para o próprio abastecimento quanto para exportar', explica.

Só a Bahia detém 10% da capacidade nacional em energias limpas e já conquistou a liberação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para a construção de quatro parques eólicos, nos municípios de Caetité (192 MW), Conde (59,5 MW), Mucuri (99,5 MW) e Jandaíra (30,6 MW). 'O problema é que a energia eólica ainda é considerada cara. Com a abertura de leilões exclusivos para esta fonte, a tendência é a redução dos custos. Não se pode investir na produção de energia se não há quem compre, daí a necessidade de leilão. É preciso também incentivos fiscais do governo para que o funcionamento dos parques eólicos se torne rentáveis', completa Silvano Ragno.

Fonte: Ascom/Seinfra