22/04/2008
O diretor de comercialização de energia elétrica de Furnas, Fabio Machado Resende, evitou detalhar o tamanho do rombo na estatal, que tem impactado diretamente o resultado da empresa, mas admitiu que as perdas da companhia chegam a `algumas centenas de milhões de reais`.
O executivo revelou que a energia é adquirida junto à Eletronuclear, a estatal responsável pela operação das duas usinas, a R$ 120 por megawatt/hora (MWh), mas é obrigada a revendê-las às distribuidoras pelo equivalente a R$ 70/MWh. A defasagem, de acordo com o executivo, se deve ao modelo de comercialização da energia no País, por intermédio de leilões. Como o valor de compra representa o preço-teto nos pregões, a concorrência entre as distribuidoras provoca a redução do valor final da energia.
O problema, no entanto, encontra-se em discussão no âmbito da Eletrobrás, que tem operado como árbitro no processo. A Eletronuclear, justificou o diretor de Furnas, também sofre com o preço atual da energia de Angra, uma vez que é remunerada com apenas uma parcela do valor comercializado. O próprio Resende admitiu que, se a estatal deseja construir Angra 3, precisará rever não só o modelo de comercialização da carga, como também o valor envolvido no negócio.
`Para construir Angra 3, a Eletronuclear também vai precisar de mais recursos. Daí a necessidade de revisão do preço da energia nuclear`, afirmou o diretor de Furnas, ao reconhecer, ainda, outras dificuldades envolvidas no processo. Embora a energia nuclear seja atualmente comercializada por valores abaixo do previsto nos mesmo leilões para a energia das usinas termelétricas a gás natural, o reajuste em negociação não pode exceder demais o preço atual. Do contrário, haverá o risco de tornar as usinas nucleares pouco competitivas em relação às demais fontes de geração. Tal competitividade foi usada pelo lobby do setor nuclear, nos últimos anos, para convencer a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, a apoiar a retomada do projeto de Angra 3.
O presidente da Eletronuclear, Othon Luiz Pinheiro, revelou semana passada, durante um seminário do setor elétrico, que as decisões sobre o preço e o novo modelo de comercialização da energia nuclear precisam ser tomadas a partir de agora, devido à retomada de Angra 3. A intenção da estatal é reiniciar as obras da terceira central termonuclear do País em julho, de modo a concluí-la em julho de 2014, conforme o previsto no Plano Decenal de Energia Elétrica 2007-2016. `Esse é o momento oportuno de se rediscutir o tema, de forma não-litigiosa, uma vez que já concluímos todas as audiências públicas previstas para o projeto de Angra 3 e vamos retomar as obras neste ano`, disse Pinheiro, ao acrescentar que uma das possibilidades em discussão para a comercialização da energia nuclear é a adoção de um modelo semelhante ao hoje utilizado para a carga gerada por Itaipu Binacional - um sistema de cotas-partes, centralizado pela holding Eletrobrás, que contempla todas as distribuidoras das regiões Sul e Sudeste do País.
Repórter: Ricardo Rego Monteiro
Fonte: Gazeta Mercantil
22/4/2008.
O executivo revelou que a energia é adquirida junto à Eletronuclear, a estatal responsável pela operação das duas usinas, a R$ 120 por megawatt/hora (MWh), mas é obrigada a revendê-las às distribuidoras pelo equivalente a R$ 70/MWh. A defasagem, de acordo com o executivo, se deve ao modelo de comercialização da energia no País, por intermédio de leilões. Como o valor de compra representa o preço-teto nos pregões, a concorrência entre as distribuidoras provoca a redução do valor final da energia.
O problema, no entanto, encontra-se em discussão no âmbito da Eletrobrás, que tem operado como árbitro no processo. A Eletronuclear, justificou o diretor de Furnas, também sofre com o preço atual da energia de Angra, uma vez que é remunerada com apenas uma parcela do valor comercializado. O próprio Resende admitiu que, se a estatal deseja construir Angra 3, precisará rever não só o modelo de comercialização da carga, como também o valor envolvido no negócio.
`Para construir Angra 3, a Eletronuclear também vai precisar de mais recursos. Daí a necessidade de revisão do preço da energia nuclear`, afirmou o diretor de Furnas, ao reconhecer, ainda, outras dificuldades envolvidas no processo. Embora a energia nuclear seja atualmente comercializada por valores abaixo do previsto nos mesmo leilões para a energia das usinas termelétricas a gás natural, o reajuste em negociação não pode exceder demais o preço atual. Do contrário, haverá o risco de tornar as usinas nucleares pouco competitivas em relação às demais fontes de geração. Tal competitividade foi usada pelo lobby do setor nuclear, nos últimos anos, para convencer a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, a apoiar a retomada do projeto de Angra 3.
O presidente da Eletronuclear, Othon Luiz Pinheiro, revelou semana passada, durante um seminário do setor elétrico, que as decisões sobre o preço e o novo modelo de comercialização da energia nuclear precisam ser tomadas a partir de agora, devido à retomada de Angra 3. A intenção da estatal é reiniciar as obras da terceira central termonuclear do País em julho, de modo a concluí-la em julho de 2014, conforme o previsto no Plano Decenal de Energia Elétrica 2007-2016. `Esse é o momento oportuno de se rediscutir o tema, de forma não-litigiosa, uma vez que já concluímos todas as audiências públicas previstas para o projeto de Angra 3 e vamos retomar as obras neste ano`, disse Pinheiro, ao acrescentar que uma das possibilidades em discussão para a comercialização da energia nuclear é a adoção de um modelo semelhante ao hoje utilizado para a carga gerada por Itaipu Binacional - um sistema de cotas-partes, centralizado pela holding Eletrobrás, que contempla todas as distribuidoras das regiões Sul e Sudeste do País.
Repórter: Ricardo Rego Monteiro
Fonte: Gazeta Mercantil
22/4/2008.