Ebal lança franquia da Cesta do Povo

23/04/2008
Em meio a um cenário de prejuízos financeiros, a rede Cesta do Povo, administrada pela Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), vai passar a ser operada também pelo sistema de franquias. Na tentativa de cortar custos e reduzir dívidas, a estatal pretende implantar, até o final do ano, cerca de 30 unidades franqueadas, além de 39 lojas próprias. Segundo o presidente da Ebal, Reub Celestino, o novo sistema dará direito ao uso da marca e à comercialização dos produtos repassados pela companhia. Os credenciados terão ainda que investir no ponto comercial e arcarão com os custos com funcionários e a manutenção do empreendimento, sendo que cada loja opera, em média, com seis trabalhadores.

Durante coletiva com a imprensa, realizada ontem, Celestino falou que o objetivo da empresa é desativar o modelo de lojas próprias, à medida que as franquias forem sendo implantadas. `Queremos eliminar principalmente as unidades mais custosas, a exemplo das que funcionam em pontos alugados. Se tudo der certo, a meta é chegar a milhares de franquias em pouco tempo`, declarou. O presidente disse que ainda está em elaboração a lista de pré-requisitos para quem quiser se tornar um franqueado da Cesta do Povo, adiantando apenas que `o processo será rigoroso, tanto para entrar quanto para sair`.

De acordo com os dados apresentados na coletiva, as despesas operacionais da Ebal tiveram uma queda de 31%, entre dezembro de 2006 e março de 2008, através de iniciativas como cortes em mais de 700 linhas telefônicas e a redução de custos com frota, aluguel de loja, material de expediente, água, energia, material de consumo e nos contratos terceirizados. `Dá pra enxugar ainda mais as despesas operacionais. Nossa proposta é reduzir mais 10% este ano`, revelou. Houve ainda uma redução de 80% no prejuízo da empresa, que caiu de R$305 milhões, em 2006, para R$64 milhões, no ano passado.

Empresa vai criar atacada

Junto com a formação da rede franquias, a Ebal anunciou também a criação de um segmento atacadista, voltado para o pequeno varejista. `Nossa intenção é evitar que sejamos um concorrente desse comerciante, possibilitando com que ele adquira nossos produtos com preços diferenciados, por conta da redução do ICMS. Com isso, ele poderá comercializar as mercadorias pelos mesmos preços da Cesta do Povo, ou até mais baratos`, explicou Reub Celestino.

Os pontos de atacado serão implantados dentro das cinco centrais de distribuição da rede, situadas em Salvador, Feira de Santana, Senhor do Bonfim, Vitória da Conquista e Buerarema, e nas lojas maiores, a exemplo das unidades do Ogunjá e Rio Vermelho, na capital baiana, e nas cidades de Senhor do Bonfim e Camaçari.

O presidente da Ebal contou ainda que será elaborado um novo plano de cargos e salários, um programa de capacitação para os trabalhadores da rede, além da ampliação no mix de itens comercializados nas lojas, que atualmente é de 1,4 mil artigos _ o qual deve saltar para 3,5 mil até o final do ano, chegando a cinco mil em março de 2009. `Junto com o incremento do mix, vamos lançar opções de pacotes de produtos mais em conta para o consumidor, como uma cesta de 12 itens, por R$12, e um cestão de 40kg, com alimentos, artigos de higiene pessoal e limpeza, que deve custar entre R$85 e R$95. Não dá para dizer qual a diferença hoje dos preços dos produtos comercializados nas lojas da Cesta do Povo em relação aos supermercados, mas certamente todas as mercadorias da rede têm preço mais em conta que os grandes do setor`, relatou.

Fonte: Jornal Correio da Bahia

Repórter: Adriana Patrocínio

Em 23/04/2008.