26/11/2008
Na sexta-feira, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) publicou resolução em que elimina por completo os preços mínimos estabelecidos para vôos do Brasil para todos as regiões do mundo, com exceção da América do Sul, a partir de janeiro de 2010. Já em 2009, as empresas poderão praticar descontos sobre o piso de referência: 20% a partir de janeiro, 50% em abril e 80% em julho.
Na prática, a redução deverá acontecer conforme a necessidade de atrair passageiros. `Enquanto os vôos estiverem cheios, é possível cobrar mais caro`, diz José Trinca, diretor de vendas da American Airlines para São Paulo e a região Sul. `Mas se a demanda estiver baixa, se houver recessão, aí vão ocorrer muito mais promoções`, afirma o executivo. Segundo ele, até o carnaval do ano que vem o movimento está aquecido. `Depois, não sabemos o que vai acontecer.`
A questão da oferta também pode jogar a favor de promoções. Nos últimos meses, American, TAM, Delta e Continental anunciaram diversos novos vôos entre o Brasil e os Estados Unidos, por exemplo. Com um aumento do número de assentos e incertezas sobre a demanda - a American estima crescimento de 7% no tráfego Brasil-EUA - é possível que as empresas sintam mais necessidade de baixar os preços para encher os vôos.
José Antônio Coimbra, diretor comercial da British Airways, diz que ficará `feliz` se a demanda em 2009 for a mesma registrada neste ano e não cair. A empresa voa do Brasil para Londres e para Buenos Aires. Para estimular o mercado, diz Coimbra, a primeira ação é explorar os benefícios da liberação das tarifas com descontos e mais propaganda de ofertas. O executivo considera razoável uma redução de 20% sobre o piso mínimo vigente hoje - US$ 869 em bilhetes para o Reino Unido. `Mais do que isso, atinge a lucratividade`, diz.
Mas, dependendo de como a demanda for atingida pela crise, será preciso também rever o número de vôos. `No médio longo prazo, vender passagens baratas pode não compensar e daí é preciso contrair a oferta`, diz.
Trinca, da American, afirma que as reduções de preço da companhia `vão obedecer o limite da rentabilidade, especialmente num momento de recessão americana`. A companhia tem flexibilidade para mexer na oferta de vôos, diz.
Com um cenário econômico mais difícil, a situação agora é diferente daquela que as empresas encontraram quando a Anac liberou os preços nos vôos para a América do Sul, entre março e setembro deste ano. Nesses meses, o dólar baixo e a economia aquecida tornaram os vôos na região tão cheios que nenhuma empresa baixou preços. `Só agora que o dólar subiu e a demanda para Buenos Aires despencou é que as empresas reduziram as tarifas`, diz Coimbra.
Autor(es): Roberta Campassi
Fonte: Valor Econômico
- 26/11/2008
Na prática, a redução deverá acontecer conforme a necessidade de atrair passageiros. `Enquanto os vôos estiverem cheios, é possível cobrar mais caro`, diz José Trinca, diretor de vendas da American Airlines para São Paulo e a região Sul. `Mas se a demanda estiver baixa, se houver recessão, aí vão ocorrer muito mais promoções`, afirma o executivo. Segundo ele, até o carnaval do ano que vem o movimento está aquecido. `Depois, não sabemos o que vai acontecer.`
A questão da oferta também pode jogar a favor de promoções. Nos últimos meses, American, TAM, Delta e Continental anunciaram diversos novos vôos entre o Brasil e os Estados Unidos, por exemplo. Com um aumento do número de assentos e incertezas sobre a demanda - a American estima crescimento de 7% no tráfego Brasil-EUA - é possível que as empresas sintam mais necessidade de baixar os preços para encher os vôos.
José Antônio Coimbra, diretor comercial da British Airways, diz que ficará `feliz` se a demanda em 2009 for a mesma registrada neste ano e não cair. A empresa voa do Brasil para Londres e para Buenos Aires. Para estimular o mercado, diz Coimbra, a primeira ação é explorar os benefícios da liberação das tarifas com descontos e mais propaganda de ofertas. O executivo considera razoável uma redução de 20% sobre o piso mínimo vigente hoje - US$ 869 em bilhetes para o Reino Unido. `Mais do que isso, atinge a lucratividade`, diz.
Mas, dependendo de como a demanda for atingida pela crise, será preciso também rever o número de vôos. `No médio longo prazo, vender passagens baratas pode não compensar e daí é preciso contrair a oferta`, diz.
Trinca, da American, afirma que as reduções de preço da companhia `vão obedecer o limite da rentabilidade, especialmente num momento de recessão americana`. A companhia tem flexibilidade para mexer na oferta de vôos, diz.
Com um cenário econômico mais difícil, a situação agora é diferente daquela que as empresas encontraram quando a Anac liberou os preços nos vôos para a América do Sul, entre março e setembro deste ano. Nesses meses, o dólar baixo e a economia aquecida tornaram os vôos na região tão cheios que nenhuma empresa baixou preços. `Só agora que o dólar subiu e a demanda para Buenos Aires despencou é que as empresas reduziram as tarifas`, diz Coimbra.
Autor(es): Roberta Campassi
Fonte: Valor Econômico
- 26/11/2008