Ministro da Integração Nacional debate transposição com a sociedade e políticos

03/04/2007
Há exatos 18 dias depois de tomar posse no Ministério da Integração Nacional, o baiano Geddel Vieira Lima cumpre o prometido e chega a Salvador para fazer um amplo debate com a sociedade, entidades e políticos baianos sobre o polêmico projeto de revitalização e transposição do Rio São Francisco. Acompanhado de técnicos do Ministério, Geddel receberá a imprensa, hoje, às 9 horas, na Associação Bahia de Imprensa (ABI), na Praça da Sé, para esclarecer as dúvidas relativas ao projeto.

Entre os assuntos a serem debatidos estão a sustentabilidade ambiental da transposição - já que os opositores afirmam que a obra pode matar o rio -, a existência de alternativas mais baratas para levar água ao Nordeste.

Setentrional, como os estudos da Embrapa, a Agência Nacional de Águas (ANA) e a Articulação do Semi-Árido (ASA), que apontam soluções para a seca como cisternas de captação de chuva e utilização de lençóis freáticos, e o custo da água transposta do São Francisco na conta da população.

Durante a coletiva, o ministro Geddel Vieira Lima deverá responder alguns questionamentos envolvendo o projeto de transposição, como o que está sendo feito em termos de revitalização do `Velho Chico`, em que eleva de R$ 4,5 bilhões (valor estimado inicialmente para a transposição) para R$ 11,3 bilhões o volume de investimentos federais para a obra, previstos no Programa de Aceleração de Crescimento (PAC).

Geddel terá pela frente que enfrentar várias ações contrárias ao projeto, como os movimentos sociais, que juntos com o MST, preparam o chamado `abril vermelho` para tentar adiar o início das obras, e o bispo de Barra, dom Luís Flávio Cappio, que vem aumentando o tom das críticas e ameaça uma nova greve de fome contra a transposição. Em 2005, ele passou dez dias sem se alimentar em protesto contra a transposição do Rio São Francisco.

Em seu pronunciamento em Brasília, durante solenidade de posse que aconteceu no último dia 16, o ministro da Integração ressaltou a importância da transposição do Rio São Francisco e disse que as pessoas, em especial os baianos, desconhecem o que realmente é o projeto. `O que precisa é deixar claro que a transposição vai trazer inúmeros benefícios para o Nordeste e para a Bahia. Não é literalmente transpor o rio e pronto, e é isso que as pessoas devem compreender melhor. O projeto deve ser explicado para que as pessoas não tomem suas conclusões precipitadas`, disse.

Logo após a coletiva, às 11 horas, Geddel e comitiva - formada pelo coordenador-geral do projeto de Interligação de Bacias do Nordeste Setentrional, Rômulo Macedo, a coordenadora do programa de revitalização da bacia do Rio São Francisco, Karla Arns, e o diretor da área de revitalização das bacias hidrográficas, Jonas Paulo Neres - seguem para a Assembléia Legislativa para uma reunião com os deputados estaduais.

Já às 15 horas, na Cúria Metropolitana (Garcia), o ministro se encontra com dom Geraldo Majella, presidente da CNBB - uma das principais entidades resistentes ao projeto. Às 17 horas, prosseguem os esclarecimentos e debates sobre o projeto na Superintendência de Recursos Hídricos do governo do Estado (SRH), no Itaigara.

Disposto a debater com amplitude o projeto de transposição do Rio São Francisco, Geddel Vieira Lima, incluiu uma visita ao presidente da CNBB (Confederação dos Bispos do Brasil), dom Geraldo Majella, na extensa agenda que terá hoje em sua primeira visita à Bahia como integrante do governo Lula. Depois de uma entrevista coletiva na ABI, às 9:00, e de um encontro com os deputados estaduais às 11h00 na Assembléia, o ministro segue para conversar na Cúria Metropolitana, às 15h00, com o presidente da CNBB, uma das entidades mais enfáticas nas críticas à transposição. Dom Geraldo tem advertido na imprensa sobre a `pressa` e a `insistência do governo` em realizar este projeto.

Tribuna da Bahia

03/04/07