23/04/2007
A missão institucional da Secretaria de Infra-Estrutura do Estado (Seinfra) é executar as políticas públicas relativas a energia, transportes, comunicação, bem como regular, controlar e fiscalizar a qualidade dos serviços concedidos, permitidos e autorizados pelo executivo estadual. Não são muitas atribuições para uma secretaria apenas? Dá para fazer tudo isso sem comprometer a qualidade dos serviços?
Batista Neves - Não, meu caro, não compromete em nada. A Seinfra possui uma extensa gama de atribuições, mas com vontade, profissionalismo, organização e um esforço conjunto com todas as outras secretarias (uma sinergia constante) conseguimos dar conta do recado. Estamos garantindo a uniformidade.
Quais são os principais programas do governo Wagner na área de infra-estrutura?
BN - Temos projetos em três vertentes: Transporte, Comunicação e Energia.
Transportes: A área de transportes compreende rodovias, ferrovias, portos e aeroportos. Encontramos 90% das estradas baianas em estado ruim ou péssimo. Estamos executando um programa emergencial para intervenção em 15 BA`s. Faremos também o anel da soja na região de Luis Eduardo Magalhães para escoamento da produção. O governo fará a recuperação da capa asfáltica em mais de 1.200km, com verba prevista de US$ 186 milhões. Com apoio da Anac e da Infraero, vamos recuperar os aeroportos de Conquista, Barreiras, Jequié, Canavieiras e Bom Jesus da Lapa. Ilhéus e Porto Seguro, duas importantes localidades turísticas, vão ganhar novos aeroportos. No aeroporto internacional de Salvador já temos estudos avançados para fazer o trevo rodoviário para melhorar a infra-estrutura de acesso e dar uma boa trafegabilidade ao local.
Quanto aos portos, vamos aumentar a bacia de evolução dos portos de Salvador e Aratu para melhorar a área de manobra. Vamos montar um novo terminal de contêineres em Salvador. Para essas obras contamos com recursos do PAC. Estamos de braços dados com o governo federal. As ferrovias estavam completamente abandonadas. Inicialmente vamos construir uma linha férrea de Camaçari para o porto de Aratu com o objetivo de escoar a produção industrial do pólo petroquímico. Também vamos implementar a tão sonhada ferrovia do oeste, com 675km de extensão.
Energia: R$ 100,685.120 milhões serão investidos para produção de energia industrial, automotiva e residencial. Também estamos fazendo estudos para produção de energia solar e eólica, já existem até algumas empresas interessadas. Temos convênios com a Eletrobrás e a Coelba.
Comunicação: Até o início do ano, 170 cidades não tinham sinal da TVE. Até agora, 23% desse total já foram recuperados. Ao que parece, a TVE nunca tinha sido encarada como uma empresa de utilidade social, uma TV realmente pública. Temos que mudar isso! A previsão é que o sistema de comunicação esteja disponível para oito milhões de pessoas.
Recentemente a Seinfra conseguiu a redução da participação do Estado de 20% para 10% no financiamento do programa federal `Luz para Todos`. O que isso representa para os cofres públicos? Essa medida não compromete a viabilidade do programa? Ainda há casas na Bahia sem luz elétrica? BN - Não compromete em nada, pelo contrário. A distribuição de luz é um programa casado com o governo federal. O que acontece é que os parceiros, a União e a Eletrobrás aumentaram sua participação. O governo anterior não se empenhava nisso.
Pretendemos fazer 120 mil ligações inicialmente. A intenção, como garantiu o presidente Lula, é universalizar o fornecimento de luz até 2010. Com essa redução da participação do Estado, faremos uma economia de R$ 213 milhões até 2010.
O MST levou ao governador uma série de reivindicações. Entre elas, a construção de três mil casas e a reforma de outras cinco mil ainda este ano; a recuperação de mil quilômetros de estradas vicinais e a liberação de R$ 3 milhões para a compra de sementes. Qual será a participação da Seinfra na execução deste acordo?
BN - Como disse o governador Wagner, `o grito dos trabalhadores precisa ser ouvido`. O MST é uma turma que tem vontade de trabalhar. A Seinfra vai garantir energia elétrica para todos os assentamentos do MST, através do `luz para todos`. A recuperação das estradas vicinais já está na pauta do governo. Essas estradas são importantes porque fazem a ligação entre fazendas e estradas estruturantes.
É verdade que o governo do Estado pretende atrair investimentos estrangeiros, sobretudo norte-americanos, para produção de biodiesel? A Bahia tem potencial para a bioenergia?
BN - Isso é verdade. A Bahia tem vocação e potencialidade para bioenergia. Seja para produzir os insumos, como a mamona e também para o escoamento da produção. O biodiesel é viável e o nosso Estado pode se consolidar como um grande produtor.
Como o governo Wagner vai ajudar na transposição do rio São Francisco? Existe alguma resistência ao formato do projeto apresentado pelo ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima?
BN - Olha, isso não compete à Seinfra, mas, como engenheiro, acredito que o projeto é importante e o ministro Geddel fará um bom trabalho.
Há pouco tempo, devido o tráfego sobrecarregado da região do Iguatemi, o `Bahia Notícias` levantou a discussão de que a Rodoviária de Salvador, com suas 540 linhas de ônibus, podia ser transferida de lugar. O que o sr. acha disso?
BN - Uma coisa é certa: Salvador precisa de um plano de mobilidade. Temos um projeto para essa área junto com a Prefeitura e o Ministério das Cidades. As oito principais avenidas da cidade possuem muitas sinaleiras, o que é um erro. Nas grandes cidades o tráfego deve ser contínuo. Temos que retirar as sinaleiras e colocar passarelas. Para resolver essa questão só um sistema intermodal de tráfego contínuo.
Como anda a exploração de gás natural no Estado? Por falar nisso, por que o último concurso da Bahiagás foi cancelado? Houve alguma fraude? BN - A produção de gás na Bahia vai muito bem, obrigado. Só o poço de Manati produz três milhões de metros cúbicos por dia. Quanto ao concurso da `Bahiagás`, realmente não houve fraude. As investigações não apontaram isso. Alguns candidatos já foram até chamados. Aos poucos, vamos substituir todos os funcionários do regime Reda. A indicação do governo é usar o Reda só em casos extremamente necessários.
A empresa TWB, que ganhou a concessão para explorar o Ferry Boat por 25 anos, não goza de boa reputação junto à população. Existem muitas reclamações sobre atrasos, má qualidade dos serviços, falta de segurança e de um posto de primeiros socorros no terminal hidroviário. A quem cabe fiscalizar e regular a concessionária?
BN - Cabe à Agerba fiscalizar e regular a TWB. Mas, deixa eu te falar uma coisa. No início do governo encontramos uma dívida na ordem de R$ 120 milhões, incluindo restos a pagar e despesas da gestão anterior. Também percebemos uma falta de comprometimento das empresas prestadoras de serviços. No caso da TWB, fizemos uma reunião e dissemos: olha, a situação é grave. Ou vocês resolvem os problemas ou o Estado fará uma forte intervenção. Eles entenderam o ultimato. Na época, apenas três ferrys faziam a travessia Salvador - Bom Despacho. Agora, são seis, sendo que dois dos equipamentos antigos tiveram o motor substituído, o que reduz o tempo de travessia. Também foram incluídas duas lanchas rápidas e um catamarã. Implementamos o serviço de bilhetagem eletrônica, o que resolveu a questão dos atrasos. Melhoramos a infra-estrutura dos postos de embarques, instalamos câmeras de segurança. Outra coisa importante foi o cadastramento e organização do transporte clandestino. A junção dessas ações melhorou significativamente a qualidade dos serviços prestados. Vou adiantar uma coisa: vamos trazer mais dois ferrys novos com o dobro da capacidade de passageiros. Um agora em dezembro, outro no final do próximo ano.
Fonte: Site Samuel Celestino
Reportagem: Daniel Pinto
23/04/07
Batista Neves - Não, meu caro, não compromete em nada. A Seinfra possui uma extensa gama de atribuições, mas com vontade, profissionalismo, organização e um esforço conjunto com todas as outras secretarias (uma sinergia constante) conseguimos dar conta do recado. Estamos garantindo a uniformidade.
Quais são os principais programas do governo Wagner na área de infra-estrutura?
BN - Temos projetos em três vertentes: Transporte, Comunicação e Energia.
Transportes: A área de transportes compreende rodovias, ferrovias, portos e aeroportos. Encontramos 90% das estradas baianas em estado ruim ou péssimo. Estamos executando um programa emergencial para intervenção em 15 BA`s. Faremos também o anel da soja na região de Luis Eduardo Magalhães para escoamento da produção. O governo fará a recuperação da capa asfáltica em mais de 1.200km, com verba prevista de US$ 186 milhões. Com apoio da Anac e da Infraero, vamos recuperar os aeroportos de Conquista, Barreiras, Jequié, Canavieiras e Bom Jesus da Lapa. Ilhéus e Porto Seguro, duas importantes localidades turísticas, vão ganhar novos aeroportos. No aeroporto internacional de Salvador já temos estudos avançados para fazer o trevo rodoviário para melhorar a infra-estrutura de acesso e dar uma boa trafegabilidade ao local.
Quanto aos portos, vamos aumentar a bacia de evolução dos portos de Salvador e Aratu para melhorar a área de manobra. Vamos montar um novo terminal de contêineres em Salvador. Para essas obras contamos com recursos do PAC. Estamos de braços dados com o governo federal. As ferrovias estavam completamente abandonadas. Inicialmente vamos construir uma linha férrea de Camaçari para o porto de Aratu com o objetivo de escoar a produção industrial do pólo petroquímico. Também vamos implementar a tão sonhada ferrovia do oeste, com 675km de extensão.
Energia: R$ 100,685.120 milhões serão investidos para produção de energia industrial, automotiva e residencial. Também estamos fazendo estudos para produção de energia solar e eólica, já existem até algumas empresas interessadas. Temos convênios com a Eletrobrás e a Coelba.
Comunicação: Até o início do ano, 170 cidades não tinham sinal da TVE. Até agora, 23% desse total já foram recuperados. Ao que parece, a TVE nunca tinha sido encarada como uma empresa de utilidade social, uma TV realmente pública. Temos que mudar isso! A previsão é que o sistema de comunicação esteja disponível para oito milhões de pessoas.
Recentemente a Seinfra conseguiu a redução da participação do Estado de 20% para 10% no financiamento do programa federal `Luz para Todos`. O que isso representa para os cofres públicos? Essa medida não compromete a viabilidade do programa? Ainda há casas na Bahia sem luz elétrica? BN - Não compromete em nada, pelo contrário. A distribuição de luz é um programa casado com o governo federal. O que acontece é que os parceiros, a União e a Eletrobrás aumentaram sua participação. O governo anterior não se empenhava nisso.
Pretendemos fazer 120 mil ligações inicialmente. A intenção, como garantiu o presidente Lula, é universalizar o fornecimento de luz até 2010. Com essa redução da participação do Estado, faremos uma economia de R$ 213 milhões até 2010.
O MST levou ao governador uma série de reivindicações. Entre elas, a construção de três mil casas e a reforma de outras cinco mil ainda este ano; a recuperação de mil quilômetros de estradas vicinais e a liberação de R$ 3 milhões para a compra de sementes. Qual será a participação da Seinfra na execução deste acordo?
BN - Como disse o governador Wagner, `o grito dos trabalhadores precisa ser ouvido`. O MST é uma turma que tem vontade de trabalhar. A Seinfra vai garantir energia elétrica para todos os assentamentos do MST, através do `luz para todos`. A recuperação das estradas vicinais já está na pauta do governo. Essas estradas são importantes porque fazem a ligação entre fazendas e estradas estruturantes.
É verdade que o governo do Estado pretende atrair investimentos estrangeiros, sobretudo norte-americanos, para produção de biodiesel? A Bahia tem potencial para a bioenergia?
BN - Isso é verdade. A Bahia tem vocação e potencialidade para bioenergia. Seja para produzir os insumos, como a mamona e também para o escoamento da produção. O biodiesel é viável e o nosso Estado pode se consolidar como um grande produtor.
Como o governo Wagner vai ajudar na transposição do rio São Francisco? Existe alguma resistência ao formato do projeto apresentado pelo ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima?
BN - Olha, isso não compete à Seinfra, mas, como engenheiro, acredito que o projeto é importante e o ministro Geddel fará um bom trabalho.
Há pouco tempo, devido o tráfego sobrecarregado da região do Iguatemi, o `Bahia Notícias` levantou a discussão de que a Rodoviária de Salvador, com suas 540 linhas de ônibus, podia ser transferida de lugar. O que o sr. acha disso?
BN - Uma coisa é certa: Salvador precisa de um plano de mobilidade. Temos um projeto para essa área junto com a Prefeitura e o Ministério das Cidades. As oito principais avenidas da cidade possuem muitas sinaleiras, o que é um erro. Nas grandes cidades o tráfego deve ser contínuo. Temos que retirar as sinaleiras e colocar passarelas. Para resolver essa questão só um sistema intermodal de tráfego contínuo.
Como anda a exploração de gás natural no Estado? Por falar nisso, por que o último concurso da Bahiagás foi cancelado? Houve alguma fraude? BN - A produção de gás na Bahia vai muito bem, obrigado. Só o poço de Manati produz três milhões de metros cúbicos por dia. Quanto ao concurso da `Bahiagás`, realmente não houve fraude. As investigações não apontaram isso. Alguns candidatos já foram até chamados. Aos poucos, vamos substituir todos os funcionários do regime Reda. A indicação do governo é usar o Reda só em casos extremamente necessários.
A empresa TWB, que ganhou a concessão para explorar o Ferry Boat por 25 anos, não goza de boa reputação junto à população. Existem muitas reclamações sobre atrasos, má qualidade dos serviços, falta de segurança e de um posto de primeiros socorros no terminal hidroviário. A quem cabe fiscalizar e regular a concessionária?
BN - Cabe à Agerba fiscalizar e regular a TWB. Mas, deixa eu te falar uma coisa. No início do governo encontramos uma dívida na ordem de R$ 120 milhões, incluindo restos a pagar e despesas da gestão anterior. Também percebemos uma falta de comprometimento das empresas prestadoras de serviços. No caso da TWB, fizemos uma reunião e dissemos: olha, a situação é grave. Ou vocês resolvem os problemas ou o Estado fará uma forte intervenção. Eles entenderam o ultimato. Na época, apenas três ferrys faziam a travessia Salvador - Bom Despacho. Agora, são seis, sendo que dois dos equipamentos antigos tiveram o motor substituído, o que reduz o tempo de travessia. Também foram incluídas duas lanchas rápidas e um catamarã. Implementamos o serviço de bilhetagem eletrônica, o que resolveu a questão dos atrasos. Melhoramos a infra-estrutura dos postos de embarques, instalamos câmeras de segurança. Outra coisa importante foi o cadastramento e organização do transporte clandestino. A junção dessas ações melhorou significativamente a qualidade dos serviços prestados. Vou adiantar uma coisa: vamos trazer mais dois ferrys novos com o dobro da capacidade de passageiros. Um agora em dezembro, outro no final do próximo ano.
Fonte: Site Samuel Celestino
Reportagem: Daniel Pinto
23/04/07