Estado quer alfabetizar 1 milhão de baianos até 2010

10/05/2007
Metade do contingente de analfabetos da Bahia, 1 milhão de pessoas devem aprender a ler e escrever até 2010. Esta é a meta proposta pelo programa especial de alfabetização de jovens e adultos Todos pela Alfabetização (Topa), lançado pelo Governo do Estado ontem, no Centro de Convenções. Na ocasião, foram lançados também os programas federais Brasil Alfabetizado e Todos pela Educação (Tope), que dão início no estado ao Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), do Ministério da Educação.

O governador Jaques Wagner afirmou que o governo federal vai investir R$ 250 milhões na Bahia e o Estado vai aplicar outros R$ 70 milhões, totalizando, em três anos e meio, R$ 320 milhões. `Os recursos vão possibilitar a alfabetização de 1 milhão de pessoas em três anos e meio, um objetivo plenamente possível de ser alcançado`, disse.

Ele espera que 100 mil pessoas deixem de ser analfabetas entre julho e dezembro deste ano e mais 300 mil a cada ano, entre 2008 e 2010. Wagner lembrou que, embora a Bahia apresente números tão altos de analfabetos, é a terra de alfabetizadores como Cosme de Farias e Anísio Teixeira.

Segundo o ministro da Educação, Fernando Haddad, é a primeira vez que o país tem um plano de metas de qualidade e não de quantidade para a educação. `Não se trata somente de matricular as pessoas na escola, mas de fazê-las aprender`, destacou.

Ele observou que o governo federal está abandonando a postura passiva de ficar esperando a presença, em Brasília, de governadores e prefeitos para que apresentem seus projetos. `Temos 80 consultores contratados pela Unesco que vão visitar os municípios mais pobres e elaborar planos de trabalho que serão financiados pela União`, explicou.

Haddad afirmou que a metodologia de aplicação do PDE inclui os professores da rede pública. `O modelo antigo não previa que o alfabetizador fosse um professor. Alteramos a lei e estamos convocando o professorado da rede pública para se engajar nesta tarefa. Eles serão remunerados com uma bolsa-auxílio e vão receber capacitação. Esse casamento com a rede pública é o que vai garantir o sucesso dessa empreitada`, disse.

Para o ministro, o que o Brasil está recebendo é um plano sério de desenvolvimento da educação, com metas de qualidade, territorialidade, engajamento de mobilização da sociedade e campanha de mídia. `O país está maduro para isso. Já enfrentou vários desafios, estabeleceu o regime democrático, estabilizou sua economia, está se desenvolvendo, gerando empregos, e está mais do que na hora da educação entrar na agenda definitiva deste país`, afirmou.

Wagner ressaltou que os programas não são de responsabilidade somente do governo federal ou estadual. `É preciso a participação de toda a sociedade civil organizada. Creio que o dia de hoje só vale a pena se cada um de nós sair daqui compromissado com a educação. Vamos ver o que é possível ser feito nas igrejas, nos terreiros, nos templos, nos clubes, como podemos nos reunir para superar esses índices`, destacou.

Segundo o secretário da Educação, Adeum Sauer, o Topa precisa alcançar todos os municípios da Bahia, dos quais alguns chegam a ter mais da metade da população de analfabetos. `A Secretaria da Educação espera que os municípios venham a aderir ao programa`, convocou.

Para ele, a idéia de que a alfabetização se dá com o voluntarismo e com a militância política é um equívoco. `É importante também o conhecimento técnico. É necessário saber quem são os educandos e quais as suas aspirações`, explicou.

Sauer afirmou que há uma teoria consolidada sobre o assunto e que será levada aos professores, `para que seja possível a obtenção de bons resultados`.

6,6 mil professores e 330 coordenadores

O Topa vai atuar na formulação sistemática e permanente de políticas de educação de jovens e adultos com vistas à sua escolarização e inclusão social, seguindo os mesmos princípios que norteiam o projeto político-educacional do Estado.

Para isso, serão realizados estudos e pesquisas, cursos de formação continuada de professores alfabetizadores, desenvolvimento de instrumentos e mecanismos de acompanhamento e avaliação e produção de material didático-pedagógico, dentre outras ações que assegurem a sua efetividade.

O programa contará com 6,6 mil professores e 330 coordenadores. Para isso, a SEC está firmando parcerias com empresas públicas e privadas, com os movimentos sociais, as universidades, as prefeituras e com o governo federal.

Complementando o Topa, o governo da Bahia lançou ainda o Prêmio Cosme de Farias, que vai reconhecer as prefeituras baianas que mais reduzirem os índices de analfabetismo, de acordo com os critérios estabelecidos pelo programa.

O prêmio leva o nome de um grande baluarte das causas populares, sobretudo no combate ao analfabetismo. Em 1892, com 14 anos, no início da República do Brasil, Cosme de Farias criou a Campanha do ABC, distribuindo milhares de cartilhas. Em 1915, com seu idealismo, criou a Liga Contra o Analfabetismo. Nunca foi rico, mas criou e manteve durante mais de 60 anos quase 200 escolas onde alfabetizava jovens e adultos.

Índices baianos motivaram lançamento

A escolha da Bahia para o lançamento dos programas federais foi motivada por ser o estado que contém, no Brasil, o maior número absoluto de adultos analfabetos: cerca de 2 milhões, o que representa 18,8% da população baiana acima dos 15 anos, segundo dados do IBGE, e corresponde a quase o dobro da taxa nacional, aproximando-se da taxa do Nordeste, que é de 21,9%.

A taxa de analfabetismo na zona rural é uma das mais altas do país (31,6%). Quando analisada a taxa de analfabetismo funcional, a Bahia praticamente dobra a média geral, indo para 35,6%, sendo que no campo a taxa sobe para 55,6%.

`A Bahia foi escolhida para iniciarmos nossa caravana da educação porque está com indicadores críticos de qualidade tanto na educação básica como na alfabetização de jovens e adultos`, declarou o ministro da Educação.

Ele disse que todos os estados do país serão visitados. `Mas será marcante a nossa passagem inicial pela Bahia, devido à sua representatividade, pela necessidade que o estado tem de um apoio técnico-financeiro da União e pelas parcerias que podem ser estabelecidas a partir de agora`, afirmou Haddad.

Fonte: Diário Oficial

10/05/07