10/08/2007
A crise nos financiamentos imobiliários norte-americanos desencadeou um movimento global de reavaliação do custo do crédito, que tende a subir. Isso significa que empresas e o governo brasileiros poderão encontrar juros mais elevados que os atuais quando forem captar recursos no exterior.
Economistas ouvidos pela Folha afirmam que a avaliação do risco embutida na concessão de créditos estava contaminada por um otimismo excessivo, que levou à cobrança de prêmios mais baixos do que seria razoável. Agora, com a inadimplência no chamado mercado `subprime` [empréstimos de risco maior] dos EUA, aumentará o pessimismo e, com ele, o prêmio de risco exigido de todos os devedores.
`O que aconteceu mostra que todo mundo está machucado e pensando em crédito com muito mais cuidado que antes`, diz Alexandre Schwartsman, economista-chefe para a América Latina do Banco Real e ex-diretor de Assuntos Internacionais do BC (Banco Central). Joel Bogdanski, consultor de Política Monetária do Banco Itaú, ressalta que a baixa taxa de juros no mercado internacional levou ao surgimento de bolhas e a uma avaliação condescendente do risco.
Na opinião de Rodolfo Riechert, diretor do UBS Pactual, a reavaliação do custo do crédito torna o momento atual péssimo para as empresas brasileiras que pretendem emitir títulos no exterior. `O mercado está fechado até encontrar nova precificação para dívida.` A incerteza sobre o tamanho das perdas no mercado `subprime` dos EUA e a falta de clareza sobre quem será afetado na crise levaram ontem a uma paralisia nas operações de crédito interbancário europeu. As instituições financeiras tinham dinheiro, mas não queriam correr risco de emprestá-lo.
Para evitar o agravamento da crise, o Banco Central Europeu injetou no mercado 94,8 bilhões, cobrando uma taxa de 4%. Segundo Bogdanski, a atuação segue o que se espera de autoridades monetárias em momentos como o de ontem. Análises recentes das razões que levaram à crise de 1929 apontam para equívocos do Federal Reserve (o BC norte-americano), que elevou os juros e tirou liquidez do mercado no momento em que a economia precisava de mais fôlego. Nas turbulências recentes, diz Bogdanski, os BCs têm feito o contrário, reduzindo juros e elevando a liquidez. Riechert concorda: `Não sabemos o tamanho do prejuízo com as turbulências, mas vimos que os bancos centrais deram liquidez ao mercado, o que mostra que estão atentos ao desdobramento da crise imobiliária`.
Para o economista Gustavo Franco, ex-presidente do BC, a crise só terá desdobramentos mais sérios se contaminar os bancos. Por enquanto, ele vê apenas problemas de liquidez em grandes fundos. Em sua opinião, ainda é difícil saber qual será a extensão dos danos da crise imobiliária nos EUA.
`Se a situação se restringir aos fundos, não vai ter problema. A preocupação é se passar dos fundos para os bancos.`.
Fonte: Jornal Folha de S. Paulo
CLÁUDIA TREVISAN e TONI SCIARETTA
Em 10/08/2007.
Economistas ouvidos pela Folha afirmam que a avaliação do risco embutida na concessão de créditos estava contaminada por um otimismo excessivo, que levou à cobrança de prêmios mais baixos do que seria razoável. Agora, com a inadimplência no chamado mercado `subprime` [empréstimos de risco maior] dos EUA, aumentará o pessimismo e, com ele, o prêmio de risco exigido de todos os devedores.
`O que aconteceu mostra que todo mundo está machucado e pensando em crédito com muito mais cuidado que antes`, diz Alexandre Schwartsman, economista-chefe para a América Latina do Banco Real e ex-diretor de Assuntos Internacionais do BC (Banco Central). Joel Bogdanski, consultor de Política Monetária do Banco Itaú, ressalta que a baixa taxa de juros no mercado internacional levou ao surgimento de bolhas e a uma avaliação condescendente do risco.
Na opinião de Rodolfo Riechert, diretor do UBS Pactual, a reavaliação do custo do crédito torna o momento atual péssimo para as empresas brasileiras que pretendem emitir títulos no exterior. `O mercado está fechado até encontrar nova precificação para dívida.` A incerteza sobre o tamanho das perdas no mercado `subprime` dos EUA e a falta de clareza sobre quem será afetado na crise levaram ontem a uma paralisia nas operações de crédito interbancário europeu. As instituições financeiras tinham dinheiro, mas não queriam correr risco de emprestá-lo.
Para evitar o agravamento da crise, o Banco Central Europeu injetou no mercado 94,8 bilhões, cobrando uma taxa de 4%. Segundo Bogdanski, a atuação segue o que se espera de autoridades monetárias em momentos como o de ontem. Análises recentes das razões que levaram à crise de 1929 apontam para equívocos do Federal Reserve (o BC norte-americano), que elevou os juros e tirou liquidez do mercado no momento em que a economia precisava de mais fôlego. Nas turbulências recentes, diz Bogdanski, os BCs têm feito o contrário, reduzindo juros e elevando a liquidez. Riechert concorda: `Não sabemos o tamanho do prejuízo com as turbulências, mas vimos que os bancos centrais deram liquidez ao mercado, o que mostra que estão atentos ao desdobramento da crise imobiliária`.
Para o economista Gustavo Franco, ex-presidente do BC, a crise só terá desdobramentos mais sérios se contaminar os bancos. Por enquanto, ele vê apenas problemas de liquidez em grandes fundos. Em sua opinião, ainda é difícil saber qual será a extensão dos danos da crise imobiliária nos EUA.
`Se a situação se restringir aos fundos, não vai ter problema. A preocupação é se passar dos fundos para os bancos.`.
Fonte: Jornal Folha de S. Paulo
CLÁUDIA TREVISAN e TONI SCIARETTA
Em 10/08/2007.