Projeto propõe conta de água individualizada

04/10/2007
Um projeto de lei que deve ser votado na próxima segundafeira na Câmara de Vereadores visa obrigar todos os prédios que serão construídos na cidade a contar com medidores individuais do consumo. Para os condomínios já existentes, está previsto que as adaptações serão opcionais, definidas a partir do consenso entre os mora dores.

Pela proposta de nº 402/2005, de autoria do vereador Beto Gaban (PDT), todos os novos edifícios terão um sistema de medição similar ao que é utilizado para registrar o consumo de energia elétrica.

Atualmente, a despesa de água é rateada pelo condomínio independentemente da utilização de cada residência, mas alguns prédios já usam um modelo diferente.

Segundo o superintendente comercial da Embasa, Raimundo Freitas, 71 prédios da capital baiana possuem os hidrômetros individualizados.

A proposta de Gaban estabelece ainda que a instalação deve seguir os parâmetros da Embasa, embora esta não execute o serviço. De acordo com Freitas são oferecidos quatro modelos de uso. Para prédios de até quatro pavimentos, os hidrômetros são ligados diretamente aos apartamentos, mas expostos do lado de fora dos edifícios.

`É uma estratégia para garantir a segurança dos moradores`, justifica o superintendente. Nos edifícios mais altos é usado o sistema de leitura remota, com os valores da medição de cada hidrômetro sendo transferidos para um equipamento concentrador. O mesmo modelo é aplicado a condomínios horizontais com mais de 30 casas. Nos que têm menos de 30 habitações, os aparelhos são instalados individualmente.

Caso o projeto seja aprovado, uma das vantagens será pôr fim às brigas pela divisão da conta de água nos condomínios. `É injusto que uma residência onde moram somente duas pessoas tenha que pagar o mesmo que outra com cinco moradores`, considera Sérgio Sampaio, presidente do Sindicato das Empresas de Administração de Imóveis em Condomínios do Estado da Bahia (Secovi-BA).

Para os condôminos do edifício Crescenciano dos Santos, na Sete Portas, a medida foi a solução contra a inadimplência que prejudicava o abastecimento. Desde dezembro de 2006, o prédio funciona com um hidrômetro em cada apartamento.

`Ficamos dez anos sem água, porque como tinham moradores que não pagavam, a receita não dava para quitar`, lembra Ana Maria Pacheco, membro da comissão administradora.

A dívida chegou a R$ 400 mil e os moradores tiveram que apelar para carros-pipa para ter acesso ao líquido.

Agora, com o novo sistema, Ana Maria diz que o problema está resolvido e os imóveis voltaram a ser valorizados. `Um apartamento que era vendido até por R$ 8 mil, porque o proprietário queria se livrar, agora está custando R$ 35 mil`, ressalta.

O modelo de individualização da cobrança de água já é comum, inclusive, nas obras para moradia popular. Há dois anos, durante a implantação de um projeto de urbanização na invasão do Inferninho, no coração do Costa Azul, a comunidade pediu à Companhia de Desenvolvimento Urbano da Bahia (Conder), que capitaneou o projeto, que este modelo fosse implantado.

`Os moradores daqui são vigilantes, porteiros, gente que já viu muita confusão por causa deste negócio da conta ser única`, afirma José Jesus, diretor geral da Associação Santa Rosa de Lima, que hoje representa as quatro comunidades integrantes do conjunto habitacional: Recanto Feliz, Primeira Vila, Paraíso I e II.

Fonte: Jornal A Tarde

04/10/07