27/08/2008
Salvador e a Região Metropolitana (RMS) deixaram a desagradável liderança no ranking de desemprego do Dieese, posição que ocupava desde 1996. Segundo a pesquisa de Emprego e Desemprego de julho de 2008, divulgada nesta quarta-feira, dia 27, a capital baiana saiu da primeira para a segunda posição, com 20,4% de desempregados; 0,2 pontos percentuais a menos que em junho e a menor taxa desde julho de 1997. O posto de capital do desemprego passou para Recife, que apresentou o índice de 21,26% de população desocupada.
Apesar do crescimento no número de pessoas empregadas, é preciso ter cautela, diz a economista Vânia Moreira, da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI). `Esse é o primeiro mês que isso acontece, então é muito cedo para dizer que é permanente`. Além disso, a economista Ana Margaret Simões, do Diesse, alerta que Recife tem mais o que comemorar do que Salvador. `Eles estão com uma taxa de desemprego maior, mais tiveram mais postos de trabalho. Lá, foram 19 mil vagas em julho, enquanto aqui foram 4 mil. A diferença é que lá houve um crescimento da população economicamente ativa e aqui ficou estável. A pressão do mercado é que provocou essa elevação da taxa de desemprego de Recife`, explica.
Ana Margaret esclarece que apesar do número de postos de trabalho em Salvador ter sido inferior, apenas mil novas pessoas entraram para o mercado, o que significa que sobraram três mil vagas para serem ocupadas pelos desempregados.
Entre as diferentes áreas, o agregado `outros setores`, que inclui serviços domésticos e construção civil fez a diferença. Essa foi a única área que apresentou desempenho positivo, reduzindo a taxa de desemprego em Salvador. Foram criadas entre junho e julho deste ano dez mil novos postos de trabalho neste grupo, enquanto a Indústria perdeu três mil, o Comércio mil e o setor de Serviços, dois mil.
`Isso é uma surpresa, porque normalmente Serviços têm melhor desempenho. Esse mês houve um crescimento da Construção Civil. Mas a redução em Serviços não é tão significativa, já que foi uma queda de duas mil vagas, sobrando 881 mil postos`, explica Ana Margaret.
Outro fator é a formalização do mercado de trabalho. O Setor privado dispensou três mil prestadores de serviço, em compensação contratou quatro mil. O salário também melhorou. O rendimento médio dos assalariados passou de R$936 para R$1.060.
Tendência - De acordo com Vania Moreira a redução na taxa de desemprego em julho é um movimento típico da época. `No primeiro semestre há um crescimento na taxa, já que as pessoas que ocupavam os trabalhos temporários são dispensadas e no segundo semestre há uma queda, pela situação inversa`, diz.
No período de um ano, a tendência é de redução. Entre julho de 2007 e 2008, a taxa de desemprego reduziu 1,1 ponto percentual, saindo de 21,5% para 20,4%. Mas a queda entre esse último ano e os doze meses anteriores foi inferior. Entre julho de 2006 e 2007, esse índice caiu 8,22%, agora foi apenas 1,1%.
Ana Margaret não está otimista para os próximos meses. Ela acredita que a economia nacional e internacional pode afetar o crescimento local. `O mercado de trabalho não responde apenas a política local. Também está exposto à economia nacional e internacional. A conjuntura atual é de redução do crescimento econômico do país, o que tende a influenciar a ocupação`, diz.
Ela explica que o Copom aumentou a taxa de juros, para diminuir o crédito e com isso desacelerar a inflação. Esse ciclo impacta nas ofertas de emprego. Além disso, de acordo com ela, Salvador e RMS têm um acumulado de 372 mil desempregados, conquistados principalmente entre os meados das décadas de 80 e 90, quando o país abriu a economia e as empresas passaram por reestruturação, substituindo funcionários por tecnologia.
Para Ana Margaret o problema do desemprego não tem como ser resolvido em curto prazo. `Precisa de desenvolvimento sustentável. A economia precisa apresentar uma dinâmica maior. Atualmente, não tem sido suficiente para acabar com o desemprego em Salvador, apenas reduzir`, diz.
REPÓRTER: PAULA PITTA
FONTE: A TARDE ON LINE
EM 27/08/2008.
Apesar do crescimento no número de pessoas empregadas, é preciso ter cautela, diz a economista Vânia Moreira, da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI). `Esse é o primeiro mês que isso acontece, então é muito cedo para dizer que é permanente`. Além disso, a economista Ana Margaret Simões, do Diesse, alerta que Recife tem mais o que comemorar do que Salvador. `Eles estão com uma taxa de desemprego maior, mais tiveram mais postos de trabalho. Lá, foram 19 mil vagas em julho, enquanto aqui foram 4 mil. A diferença é que lá houve um crescimento da população economicamente ativa e aqui ficou estável. A pressão do mercado é que provocou essa elevação da taxa de desemprego de Recife`, explica.
Ana Margaret esclarece que apesar do número de postos de trabalho em Salvador ter sido inferior, apenas mil novas pessoas entraram para o mercado, o que significa que sobraram três mil vagas para serem ocupadas pelos desempregados.
Entre as diferentes áreas, o agregado `outros setores`, que inclui serviços domésticos e construção civil fez a diferença. Essa foi a única área que apresentou desempenho positivo, reduzindo a taxa de desemprego em Salvador. Foram criadas entre junho e julho deste ano dez mil novos postos de trabalho neste grupo, enquanto a Indústria perdeu três mil, o Comércio mil e o setor de Serviços, dois mil.
`Isso é uma surpresa, porque normalmente Serviços têm melhor desempenho. Esse mês houve um crescimento da Construção Civil. Mas a redução em Serviços não é tão significativa, já que foi uma queda de duas mil vagas, sobrando 881 mil postos`, explica Ana Margaret.
Outro fator é a formalização do mercado de trabalho. O Setor privado dispensou três mil prestadores de serviço, em compensação contratou quatro mil. O salário também melhorou. O rendimento médio dos assalariados passou de R$936 para R$1.060.
Tendência - De acordo com Vania Moreira a redução na taxa de desemprego em julho é um movimento típico da época. `No primeiro semestre há um crescimento na taxa, já que as pessoas que ocupavam os trabalhos temporários são dispensadas e no segundo semestre há uma queda, pela situação inversa`, diz.
No período de um ano, a tendência é de redução. Entre julho de 2007 e 2008, a taxa de desemprego reduziu 1,1 ponto percentual, saindo de 21,5% para 20,4%. Mas a queda entre esse último ano e os doze meses anteriores foi inferior. Entre julho de 2006 e 2007, esse índice caiu 8,22%, agora foi apenas 1,1%.
Ana Margaret não está otimista para os próximos meses. Ela acredita que a economia nacional e internacional pode afetar o crescimento local. `O mercado de trabalho não responde apenas a política local. Também está exposto à economia nacional e internacional. A conjuntura atual é de redução do crescimento econômico do país, o que tende a influenciar a ocupação`, diz.
Ela explica que o Copom aumentou a taxa de juros, para diminuir o crédito e com isso desacelerar a inflação. Esse ciclo impacta nas ofertas de emprego. Além disso, de acordo com ela, Salvador e RMS têm um acumulado de 372 mil desempregados, conquistados principalmente entre os meados das décadas de 80 e 90, quando o país abriu a economia e as empresas passaram por reestruturação, substituindo funcionários por tecnologia.
Para Ana Margaret o problema do desemprego não tem como ser resolvido em curto prazo. `Precisa de desenvolvimento sustentável. A economia precisa apresentar uma dinâmica maior. Atualmente, não tem sido suficiente para acabar com o desemprego em Salvador, apenas reduzir`, diz.
REPÓRTER: PAULA PITTA
FONTE: A TARDE ON LINE
EM 27/08/2008.