20/03/2009
Existe um conjunto de razões que ajuda a entender porque, apesar da diferença de preços, importar derivados não se tornou um negócio para as grandes distribuidoras. Uma fonte do setor lembrou que ainda não existe no país infraestrutura privada de armazenamento, transporte e estocagem de combustíveis que permita tornar viável importações em volumes competitivos. O que existe é da Petrobras, que não costuma abrir espaço para concorrentes em seu principal mercado.
Até 1998, o mercado brasileiro era fechado, com monopólio da Petrobras, que ainda hoje é dona de 98% do parque de refino. Outra razão, é o próprio peso da Petrobras no mercado. Um executivo ouvido pelo Valor explicou que as empresas decidiram não importar até agora, porque `não se sabe qual seria a reação da Petrobras`. A importação não é simples, diz um outro executivo, porque além dos problemas logísticos, existe um tempo entre a tomada da decisão e a chegada do produto. `E se nesse período a Petrobras baixar preços, o importador tem prejuízo. Sem contar que ele depende dos portos e gasodutos da Petrobras.`
A lembrança mais forte remete a 2007, quando um pool de distribuidoras comprou no exterior, a preços mais em conta, diesel destinado ao Nordeste. Na véspera da chegada do produto no Maranhão, a Petrobras ofereceu diesel mais barato para todos os clientes na região, acarretando prejuízo aos compradores. As empresas falam com muito cuidado sobre o tema porque dizem temer retaliações da estatal, de quem são `clientes cativos`. Entre as dificuldades temidas estão prazos menores para pagamento de produtos comprados nas refinarias e cotas (de combustíveis) menores.
Mas nem sempre foi assim. Em 2003, um pool de distribuidoras, que incluia a BR, Ipiranga, Esso, Shell e Texaco, importou 4 milhões de litros de óleo diesel para abastecer o Norte e Nordeste. Pouco depois, a Esso importou 15 milhões de litros de gasolina da Argentina. O objetivo declarado na época era testar a competição e o livre acesso aos dutos de transporte do país. No fim de 2004 começou a ser registrado novo descasamento entre os preços internos e os internacionais - a gasolina e o diesel eram vendidos nas refinarias da Petrobras com preços, antes dos impostos, mais elevados.
O tema vem sendo abordado por analistas, que defendem ora uma redução de preços para ajudar a queda de juros, ora a manutenção dos atuais preços para ajudar a estatal a fazer caixa. Com o aumento da pressão sobre a Petrobras, a empresa pode ter que baixar margens. Os executivos da companhia repetem que não repassam a volatilidade do mercado internacional para o preços internos. E que além do preço, é preciso considerar o câmbio e tendência futura do mercado.
Esta semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva explicitou o que todos já tomavam como certo: a Petrobras precisa fazer caixa para cumprir seu ambicioso programa de investimentos e também contribui para o superávit primário do Tesouro. Os analistas afirmam que, apesar de desconhecerem os riscos de reajuste para baixo nos preços da gasolina e diesel vendidos pela Petrobras, eles apostam em um cenário de estabilidade de preços até a próxima onda de aumentos dos preços do petróleo. (CS)
Valor Econômico - 20/03/2009.
Até 1998, o mercado brasileiro era fechado, com monopólio da Petrobras, que ainda hoje é dona de 98% do parque de refino. Outra razão, é o próprio peso da Petrobras no mercado. Um executivo ouvido pelo Valor explicou que as empresas decidiram não importar até agora, porque `não se sabe qual seria a reação da Petrobras`. A importação não é simples, diz um outro executivo, porque além dos problemas logísticos, existe um tempo entre a tomada da decisão e a chegada do produto. `E se nesse período a Petrobras baixar preços, o importador tem prejuízo. Sem contar que ele depende dos portos e gasodutos da Petrobras.`
A lembrança mais forte remete a 2007, quando um pool de distribuidoras comprou no exterior, a preços mais em conta, diesel destinado ao Nordeste. Na véspera da chegada do produto no Maranhão, a Petrobras ofereceu diesel mais barato para todos os clientes na região, acarretando prejuízo aos compradores. As empresas falam com muito cuidado sobre o tema porque dizem temer retaliações da estatal, de quem são `clientes cativos`. Entre as dificuldades temidas estão prazos menores para pagamento de produtos comprados nas refinarias e cotas (de combustíveis) menores.
Mas nem sempre foi assim. Em 2003, um pool de distribuidoras, que incluia a BR, Ipiranga, Esso, Shell e Texaco, importou 4 milhões de litros de óleo diesel para abastecer o Norte e Nordeste. Pouco depois, a Esso importou 15 milhões de litros de gasolina da Argentina. O objetivo declarado na época era testar a competição e o livre acesso aos dutos de transporte do país. No fim de 2004 começou a ser registrado novo descasamento entre os preços internos e os internacionais - a gasolina e o diesel eram vendidos nas refinarias da Petrobras com preços, antes dos impostos, mais elevados.
O tema vem sendo abordado por analistas, que defendem ora uma redução de preços para ajudar a queda de juros, ora a manutenção dos atuais preços para ajudar a estatal a fazer caixa. Com o aumento da pressão sobre a Petrobras, a empresa pode ter que baixar margens. Os executivos da companhia repetem que não repassam a volatilidade do mercado internacional para o preços internos. E que além do preço, é preciso considerar o câmbio e tendência futura do mercado.
Esta semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva explicitou o que todos já tomavam como certo: a Petrobras precisa fazer caixa para cumprir seu ambicioso programa de investimentos e também contribui para o superávit primário do Tesouro. Os analistas afirmam que, apesar de desconhecerem os riscos de reajuste para baixo nos preços da gasolina e diesel vendidos pela Petrobras, eles apostam em um cenário de estabilidade de preços até a próxima onda de aumentos dos preços do petróleo. (CS)
Valor Econômico - 20/03/2009.