Derba comemora 90 anos com uma trajetória de conquistas

30/08/2007
fotos_funcionarios_derba.jpgCom uma área de 567.295,3 km² e cerca de 136 mil Km de rodovias estaduais, a Bahia é o quinto estado do País em extensão territorial. A primeira estrada aqui construída foi a BA 415, que liga as cidades de Ilhéus à Itabuna, entregue à população em 1919, pelo Derba (Departamento de Infra-estrutura de Transportes). Desde então, o órgão não parou de trabalhar, multiplicando o número de rodovias ao longo do tempo.

Uma retrospectiva do desenvolvimento rodoviário foi feita nesta última quinta-feira (30), durante as comemorações dos 90 anos do órgão - marcada pela celebração de uma Missa em ação de Graças, seguida de uma exposição de fotográfica sobre a trajetória do Derba. Os eventos, realizados na sede da autarquia da Secretaria Estadual de Infra-estrutura (Seinfra), reuniram o secretário da pasta, Antonio Carlos Batista Neves, que representou o governador Jaques Wagner, o diretor-geral do Derba, Jorge Tufic, e demais diretores, funcionários, fornecedores e sindicalistas, além de ex-diretores e colaboradores da entidade.

A celebração religiosa, que faz parte dos festejos há mais de 30 anos, foi presidida pelo padre Rosivaldo Mota, da Paróquia Ressurreição do Senhor, em Ondina. Em seguida, o servidor mais antigo do Derba, o engenheiro Luís Azevedo, com 52 anos de casa e ainda na ativa, foi homenageado com uma placa de reconhecimento pelos anos de serviços prestados.

Segundo Batista Neves, o momento é de dupla comemoração. 'Estamos celebrando os 90 anos da instituição com um balanço extremamente positivo durante os oito meses de gestão. Na minha avaliação, pude constatar que neste período foram muitas as conquistas do órgão. A obra recém inaugurada na Serra do Marçal é um exemplo de dificuldade vencida pelo competente corpo técnico que presta relevantes serviços ao Estado', afirmou.

O secretário disse ainda que 'temos um novo Derba, voltado para as necessidades da população, um órgão eficaz que agora não pára de trabalhar. Isso é motivo de orgulho, porque, apesar das dificuldades, é um marco na administração pública estadual. E sua história ficou marcada assim, desbravando as matas para construir as primeiras estradas e trazer o progresso e novos caminhos para as localidades mais distantes', enfatizou.

Batista Neves assegurou que, nos próximos meses, todas as residências de manutenção estejam reaparelhadas. 'Serão entregues quatro patrulhas mecanizadas que auxiliarão o trabalho do Derba, conseguidas com o apoio do Ministério da Integração Nacional, que se somarão a outras seis, em fase de concretização com o Ministério de Desenvolvimento Agrário'.

O diretor-geral do Derba, Jorge Tufic, destacou que as conquistas são resultados do intenso trabalho que nova administração vem realizando. 'Mais de 4.200 quilômetros de estradas já foram recuperados. Também merecem destaque a restauração das rodovias BA 052, trecho Mundo Novo/Porto Feliz (38 km de extensão) e BA 026, Nova Itarana/Entroncamento BR 116 (12,47 km de extensão)', comentou.

Com investimento superior a R$ 30 milhões, essas intervenções beneficiaram mais de um milhão de habitantes de dez municípios. As obras foram reiniciadas em 5 de fevereiro deste ano, através do Programa de Integração dos Corredores Rodoviários (PCR), financiado pelo Banco Interamericano (BID), com 40% de contrapartida do Estado. Segundo o secretário, a próxima obra a ser entregue à população é a da BA 262, trecho Floresta Azul - Firmino Alves (37,12 km de extensão) em setembro. Orçada em cerca de R$ 27 milhões, essa intervenção vai beneficiar 100 mil habitantes.

O evento foi marcado ainda por discursos de esperança na renovação do Derba. A vontade de mudança foi expressa pelo presidente da Associação dos Servidores do Derba (ASDERBA - Sindicato), Nilton Ramos, que agradeceu ao governo pela atenção dada ao órgão. 'Essa é a hora do renascimento do nosso Derba, que precisa ser reestruturado com equipamentos e uma nova política de cargos e salários. Estamos confiantes que essa gestão atenderá as nossas reivindicações', declarou Ramos.

Além de Ramos, estavam presentes o vice-presidente da ASDERBA - Sindicato, Carlito Kruschewsky, e o superintendente da SASDERBA (Sociedade Assistencial dos Servidores do Derba), Manoel Ribeiro de Carvalho. Todos compartilhavam do mesmo sentimento de confiança no novo momento do órgão. 'Apesar das dificuldades de recursos para um órgão de Infra-estrutura, estamos dispostos a realizar grandes feitos e recuperar nossa malha rodoviária. Essa luta é o nosso grande objetivo, pautados na nossa missão e nas lembranças da trajetória de sucesso deste órgão', ressaltou ainda o diretor do Derba.

Histórias

Mas nem sempre foi assim. Antes, para abrir uma estrada, os engenheiros do Derba utilizavam bois ou cavalos em galeotas (carros de mão), que faziam o aterro e corte do terreno. 'Abríamos o mato com facão e machados, não dispúnhamos de outras ferramentas para fazer o eixo de exploração do terreno, nem se sonhava com patrol ou tratores', explicou José Jonas Carvalho, engenheiro do Derba desde 1964.

Com 43 anos de casa, ele conta que ficou a saudade de tempos difíceis, de fazer estradas no 'olhômetro', por falta de tecnologia. E lembra também de um fiscal do Derba, que acompanhando de bicicleta, em 1965, a obra da estrada Maracás-Contendas do Sincorá, atropelou uma onça. 'Corria ele e a onça para o mato novamente', relatou Carvalho.

Juracy Bastos Leite, coordenador de tecnologia no Derba e formado em engenharia civil, começou sua trajetória fazendo uma história parecida com a do órgão onde começou a trabalhar, aos 11 anos de idade, como mensageiro. 'Em 1965, comecei como mensageiro e prossegui minha carreira como auxiliar de escritório, auxiliar de almoxarife e técnico em estradas', lembrou Leite com saudade de uma época em que se tinha que aprender tudo muito rápido. O que mais o marcou foi ter participado do projeto e da construção da Linha Verde. 'Foi gratificante ao final da obra, no retorno pra casa, à noite, ver a estrada pronta, sinalizada, reluzente', relatou o engenheiro.

Canoa

Tempos de saudade também foram lembrados pelo empreiteiro Álvaro José Viana, que relatou que para construir a estrada Itapebi-Belmonte, no sul do Estado, levou 30 dias numa viagem de canoa subindo o rio Jequitinhonha. 'Era a única forma de chegar lá', explicou Viana. Para o engenheiro Kamal Emilio Chaoui, 74, dos quais 46 dedicados ao Derba, algumas lembranças são inesquecíveis. 'Acompanhei a construção da ponte Ilhéus-Pontal. Um marco para o sul do Estado', lembrou.

O engenheiro Luís Azevedo, 69, entrou no Derba aos 17 anos de idade como estagiário, em 1955. Ele relembra dos tempos de prosperidade e espera que o órgão continue sempre atingindo novas metas e contribuindo para o desenvolvimento do estado, abrindo novos caminhos para a população. 'Em 1962, quando pavimentamos o trecho Alagoinhas-Catu, mesmo com inúmeras dificuldades de acesso da época, realizamos um trabalho que a população reconheceu como uma marca das grandes obras do Derba', contou Azevedo.

Fonte: Ascom Derba/Seinfra