Aneel quer trocar medidores de energia

20/08/2010
O prejuízo anual causado por perdas de energia no Brasil passa de R$ 6 bilhões, podendo chegar a R$ 8,1 bilhões se forem contabilizados os impostos que deixam de ser arrecadados. Isso corresponde a 5,8% de toda a energia que é produzida no país.

A fim de amenizar esse problema, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) pretende substituir 60 milhões de aparelhos de medição em todo o país. Dependendo do modelo a ser adotado, a medição passará a ser feita a distância, sem a necessidade de a empresa deslocar um funcionário até o local para fazer a leitura.

`Estamos finalizando os estudos que indicarão o padrão dos equipamentos a serem adotados. Eles certamente passarão a ter um sistema de comunicação por faixa de rádio que possibilitará a leitura remota. Além disso, informarão sobre eventuais interrupções do fornecimento de energia e indicarão o nível de qualidade do serviço, com a possibilidade de registrar as variações de tensão da energia fornecida`, explica o diretor-geral da Aneel, Nelson Hübner.

De acordo com ele, a definição do padrão de equipamento deve ser concluída até o fim do primeiro trimestre de 2011. `Ainda em 2010 definiremos os papéis de cada entidade envolvida nesse processo e pretendemos começar a mudar os equipamentos em 2011 para, em 2012, com a experiência adquirida, o plano já estar estruturado`, diz diretor.

`Será necessário encontrar formas de viabilizar a fabricação de todo esse equipamento, adaptando a indústria nacional à demanda que surgirá`, acrescentou. Hübner adiantou que entre as medidas de apoio que podem ser adotadas estão benefícios fiscais e financiamentos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

A expectativa da agência é de que todo o processo de substituição dos medidores de energia leve entre seis e dez anos. Mas esse prazo, segundo Hübner, pode ser reduzido caso a adaptação dos fabricantes seja bem-sucedida.

`Nossa previsão é de que cada novo relógio custará entre R$ 200 e R$ 400, valor que varia em função do nível de sofisticação do equipamento`, diz o diretor.

Hübner participou ontem da abertura do seminário internacional `Perdas em Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica`, em Brasília, que termina hoje. Durante o evento, ele disse que há casos de empresas cujo desperdício de energia beira 40% , fato confirmado pelo secretário executivo da Comissão de Integração Energética Regional e assessor da Eletrobras, Antônio Carlos Marques de Menezes. `Este problema de perda de energia afeta todos os países da América Latina. No Rio de Janeiro, o índice de perda chega a 38%, enquanto em Manaus (AM) passa de 40%`, afirmou Menezes.

Autor(es): Agência Brasil, de São Paulo

Valor Econômico - 20/08/2010.