10/02/2011
Numa reunião bastante tensa que adentrou até tarde da noite de terça-feira para tratar do apagão do Nordeste, a presidente Dilma Rousseff exigiu da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) que intensifique a fiscalização preventiva nas principais linhas de transmissão e subestações do País. E que todas as explicações técnicas sobre a causa do incidente, que deixou 46 milhões de pessoas no escuro, estejam nas mãos dela até amanhã ou, no máximo, até o início da semana que vem..
`O estilo dela é de cobrar e é de cobrar mesmo. Ela quer saber tudo nos mínimos detalhes`, revelou ao Estado uma fonte que participou da reunião. Segundo essa fonte, ao contrário de muitos ministros, que deixam decretos e projetos de lei nas mãos da equipe técnica, e simplesmente tomam conhecimento dos resultados apenas no final, Dilma acompanha de perto todas as etapas. `Se alguém faz um decreto, um projeto de lei, muitos ministros não se envolvem. Não é o caso dela como ministra nem como presidente da República. Ela quer saber os detalhes dos detalhes dos detalhes`, ressaltou.
Em razão de uma ocorrência de forte repercussão como essa, que atingiu oito Estados na sexta-feira, ainda mais no setor no qual ela esteve à frente durante anos, Dilma foi categórica. `Ela quer muito mais ações preventivas para ter um sistema absolutamente confiável`, afirmou a fonte. Uma fonte do Planalto revelou que Dilma continua insistindo em não aceitar como explicação para o ocorrido a falha no cartão de proteção da subestação Luiz Gonzaga, em Pernambuco.
Em nota, o Ministério de Minas e Energia informou ontem que o sistema Nordeste já estava com uma linha de transmissão desligada para manutenção, o que contribuiu para agravar as condições do sistema da região.
Falhas. O diretor-geral da Aneel, Nelson Hubner, disse ao Estado que, de fato, há alguns anos, não era prática da agência fazer muitas fiscalizações preventivas, mas a agência passou a atuar nessa frente de forma mais intensa nos últimos anos.
`Ano passado fizemos muito mais fiscalizações do que a média histórica da agência`, ressaltou. E confirmou que a presidente quer que o órgão regulador priorize esse tipo de fiscalização. Para cumprir essa demanda, Hubner informou que o quadro de funcionários da equipe de fiscalização terá de ser reforçado. `Temos de colocar mais gente nas linhas (de transmissão). De fato, ela quer e acho que é muito importante mesmo.`
A participação da Aneel, segundo Hubner, na reunião de terça-feira foi para acompanhar e assessorar os outros agentes do setor elétrico, pois a agência só poderá atuar de forma concreta depois da conclusão do Relatório de Análise de Perturbação (RAP), previsto para ser divulgado pelo Operador Nacional do Sistema (ONS) até amanhã.
`A gente tem discutido, vai ter de rediscutir, ver se teve problema de decisão operacional. Acho que cabe uma revisão da questão da proteção como um todo`, ressaltou. Hubner explicou que `por causa de um erro de proteção, teve de desligar tudo`. Por essa razão, sustentou, terá de ser averiguado o que de fato aconteceu para desencadear o desligamento do sistema e, depois disso, elaboradas recomendações e instruções para evitar que o incidente se repita.
`A origem foi uma falha no cartão de proteção. Mas aquilo não pode acontecer (desligar o sistema e deixar milhões de consumidores no escuro)`, ponderou.
Autor(es): Karla Mendes e Tânia Monteiro.
O Estado de S. Paulo - 10/02/2011.
`O estilo dela é de cobrar e é de cobrar mesmo. Ela quer saber tudo nos mínimos detalhes`, revelou ao Estado uma fonte que participou da reunião. Segundo essa fonte, ao contrário de muitos ministros, que deixam decretos e projetos de lei nas mãos da equipe técnica, e simplesmente tomam conhecimento dos resultados apenas no final, Dilma acompanha de perto todas as etapas. `Se alguém faz um decreto, um projeto de lei, muitos ministros não se envolvem. Não é o caso dela como ministra nem como presidente da República. Ela quer saber os detalhes dos detalhes dos detalhes`, ressaltou.
Em razão de uma ocorrência de forte repercussão como essa, que atingiu oito Estados na sexta-feira, ainda mais no setor no qual ela esteve à frente durante anos, Dilma foi categórica. `Ela quer muito mais ações preventivas para ter um sistema absolutamente confiável`, afirmou a fonte. Uma fonte do Planalto revelou que Dilma continua insistindo em não aceitar como explicação para o ocorrido a falha no cartão de proteção da subestação Luiz Gonzaga, em Pernambuco.
Em nota, o Ministério de Minas e Energia informou ontem que o sistema Nordeste já estava com uma linha de transmissão desligada para manutenção, o que contribuiu para agravar as condições do sistema da região.
Falhas. O diretor-geral da Aneel, Nelson Hubner, disse ao Estado que, de fato, há alguns anos, não era prática da agência fazer muitas fiscalizações preventivas, mas a agência passou a atuar nessa frente de forma mais intensa nos últimos anos.
`Ano passado fizemos muito mais fiscalizações do que a média histórica da agência`, ressaltou. E confirmou que a presidente quer que o órgão regulador priorize esse tipo de fiscalização. Para cumprir essa demanda, Hubner informou que o quadro de funcionários da equipe de fiscalização terá de ser reforçado. `Temos de colocar mais gente nas linhas (de transmissão). De fato, ela quer e acho que é muito importante mesmo.`
A participação da Aneel, segundo Hubner, na reunião de terça-feira foi para acompanhar e assessorar os outros agentes do setor elétrico, pois a agência só poderá atuar de forma concreta depois da conclusão do Relatório de Análise de Perturbação (RAP), previsto para ser divulgado pelo Operador Nacional do Sistema (ONS) até amanhã.
`A gente tem discutido, vai ter de rediscutir, ver se teve problema de decisão operacional. Acho que cabe uma revisão da questão da proteção como um todo`, ressaltou. Hubner explicou que `por causa de um erro de proteção, teve de desligar tudo`. Por essa razão, sustentou, terá de ser averiguado o que de fato aconteceu para desencadear o desligamento do sistema e, depois disso, elaboradas recomendações e instruções para evitar que o incidente se repita.
`A origem foi uma falha no cartão de proteção. Mas aquilo não pode acontecer (desligar o sistema e deixar milhões de consumidores no escuro)`, ponderou.
Autor(es): Karla Mendes e Tânia Monteiro.
O Estado de S. Paulo - 10/02/2011.