12/09/2007
Mesmo sem o Banco Central (BC) comprar dólares no mercado, as reservas internacionais aumentaram US$ 1,131 bilhão anteontem. A autoridade monetária informou que o aumento das reservas se deve à valorização de títulos americanos, nos quais são aplicadas as reservas.
As reservas internacionais subiram de US$ 161,591 bilhões para US$ 162,722 bilhões entre a quinta-feira da semana passada, véspera do feriado de 7 de setembro, e a última segunda-feira.
O crescimento das reservas chamou a atenção de analistas econômicos, já que desde o dia 14 de agosto o BC suspendeu seus leilões de compra de moeda estrangeira no mercado, depois que as incertezas que afetaram o mercado financeiro internacional puxaram as cotações.
Desde então, as reservas vinham apresentando movimentos normalmente menores que US$ 200 milhões, vinculadas à oscilação de preços de ativos e à variação da paridade entre as moedas estrangeiras em que os recursos são aplicados.
Num gesto raro, o BC, que não costuma dar maiores explicações sobre os movimentos nas reservas internacionais, disse que as suas aplicações feitas em títulos públicos americanos se valorizaram fortemente. Os investidores estrangeiros estão tirando seus recursos de aplicações arriscadas e comprando títulos americanos. Esse movimento leva à valorização dos papéis americanos.
Entre a quinta-feira e a segunda-feira, os juros dos títulos americanos de um mês caíram de 4,28% para 3,93%, o que, em contrapartida, significa valorização dos preços dos papéis. Os juros dos títulos americanos de cinco anos caíram de 4,51% para 4,32%.
Esse movimento nos juros ocorreu também porque os investidores passaram a atribuir uma chance maior de corte nos juros básicos pelo Federal Reserve, o BC dos Estados Unidos, depois que foram divulgados dados que apontaram queda no emprego americano - o que indica maior risco de recessão.
Daqui por diante, é de se esperar que as reservas internacionais sofram oscilações um pouco mais intensas do que antigamente, ainda que não tão fortes como a ocorrida na segunda-feira. A diretoria do BC aprovou recentemente novas diretrizes para a aplicação das reservas internacionais - que significa que irá correr um pouco mais de risco.
Tradicionalmente, as reservas internacionais espelhavam exatamente os passivos externos do governo - formado sobretudo pela dívida externa oficial. A regra valia tanto para as moedas em que os recursos eram investidos quanto para os prazos.
Como o Tesouro vinha colocando em prática um programa de recompra da dívida externa, isso por si só já vinha indicando a necessidade de alterar a composição das reservas. O governo retirou do mercado os títulos com vencimento mais curto, o que, de outro lado, permite que as aplicações sejam mais longas.
Com o crescimento das reservas ocorrido a partir de 2004, o país tornou-se credor em moeda estrangeira e, por isso, o BC concluiu que as reservas não precisam mais reproduzir fielmente os passivos. Hoje, há uma grande concentração de investimentos em papéis denominados em dólares porque a maior parte da dívida é referenciada nesta moeda.
O BC não costuma divulgar com freqüência como são aplicadas suas reservas, mas sabe-se que, há um ano, 4% das delas estavam aplicadas no curtíssimo prazo, para resgate imediato; 16% estavam aplicados no curto prazo, com vencimento de até um ano; e os 80% restantes estavam aplicados em investimentos de prazo maior que um ano.
Em agosto passado, 89% das reservas, que então somavam US$ 161,097 bilhões, estavam aplicadas em títulos, e outros 4% em operações compromissadas com títulos. A segunda aplicação mais importante são os depósitos em bancos sediados no exterior, com 7%. As aplicações em ouro correspondiam a 0,8% das reservas internacionais.
Fonte: Jornal O Estado de São Paulo
Em 12/09/2007.
As reservas internacionais subiram de US$ 161,591 bilhões para US$ 162,722 bilhões entre a quinta-feira da semana passada, véspera do feriado de 7 de setembro, e a última segunda-feira.
O crescimento das reservas chamou a atenção de analistas econômicos, já que desde o dia 14 de agosto o BC suspendeu seus leilões de compra de moeda estrangeira no mercado, depois que as incertezas que afetaram o mercado financeiro internacional puxaram as cotações.
Desde então, as reservas vinham apresentando movimentos normalmente menores que US$ 200 milhões, vinculadas à oscilação de preços de ativos e à variação da paridade entre as moedas estrangeiras em que os recursos são aplicados.
Num gesto raro, o BC, que não costuma dar maiores explicações sobre os movimentos nas reservas internacionais, disse que as suas aplicações feitas em títulos públicos americanos se valorizaram fortemente. Os investidores estrangeiros estão tirando seus recursos de aplicações arriscadas e comprando títulos americanos. Esse movimento leva à valorização dos papéis americanos.
Entre a quinta-feira e a segunda-feira, os juros dos títulos americanos de um mês caíram de 4,28% para 3,93%, o que, em contrapartida, significa valorização dos preços dos papéis. Os juros dos títulos americanos de cinco anos caíram de 4,51% para 4,32%.
Esse movimento nos juros ocorreu também porque os investidores passaram a atribuir uma chance maior de corte nos juros básicos pelo Federal Reserve, o BC dos Estados Unidos, depois que foram divulgados dados que apontaram queda no emprego americano - o que indica maior risco de recessão.
Daqui por diante, é de se esperar que as reservas internacionais sofram oscilações um pouco mais intensas do que antigamente, ainda que não tão fortes como a ocorrida na segunda-feira. A diretoria do BC aprovou recentemente novas diretrizes para a aplicação das reservas internacionais - que significa que irá correr um pouco mais de risco.
Tradicionalmente, as reservas internacionais espelhavam exatamente os passivos externos do governo - formado sobretudo pela dívida externa oficial. A regra valia tanto para as moedas em que os recursos eram investidos quanto para os prazos.
Como o Tesouro vinha colocando em prática um programa de recompra da dívida externa, isso por si só já vinha indicando a necessidade de alterar a composição das reservas. O governo retirou do mercado os títulos com vencimento mais curto, o que, de outro lado, permite que as aplicações sejam mais longas.
Com o crescimento das reservas ocorrido a partir de 2004, o país tornou-se credor em moeda estrangeira e, por isso, o BC concluiu que as reservas não precisam mais reproduzir fielmente os passivos. Hoje, há uma grande concentração de investimentos em papéis denominados em dólares porque a maior parte da dívida é referenciada nesta moeda.
O BC não costuma divulgar com freqüência como são aplicadas suas reservas, mas sabe-se que, há um ano, 4% das delas estavam aplicadas no curtíssimo prazo, para resgate imediato; 16% estavam aplicados no curto prazo, com vencimento de até um ano; e os 80% restantes estavam aplicados em investimentos de prazo maior que um ano.
Em agosto passado, 89% das reservas, que então somavam US$ 161,097 bilhões, estavam aplicadas em títulos, e outros 4% em operações compromissadas com títulos. A segunda aplicação mais importante são os depósitos em bancos sediados no exterior, com 7%. As aplicações em ouro correspondiam a 0,8% das reservas internacionais.
Fonte: Jornal O Estado de São Paulo
Em 12/09/2007.