Governo fala em revitalizar o São Francisco para escoar produção

16/04/2007
O governo federal não abre mão da realização da transposição das águas do Rio São Francisco, mas garante que, antes disso, incrementará a sua revitalização.

Os governistas, no entanto, defendem o presidente Lula e dizem que a proposta de revitalização do `Velho Chico` prevê uma série de intervenções para resolver a questão da seca no Nordeste e alavancar a economia na região. Uma delas é o sistema multimodal de transportes do São Francisco, que tem como objetivo fazer uma sinergia logística, interligando a hidrovia, as rodovias e as ferrovias para facilitar o escoamento da produção dos principais pólos econômicos nordestinos, em especial, o oeste baiano.

De acordo com o secretário estadual de Infra-Estrutura, Antonio Carlos Batista Neves, esse sistema atenderá 19 pólos econômicos espalhados por todo o Nordeste, sobretudo, em quatro Estados: Bahia, Pernambuco, Ceará e Piauí.

`Esse sistema, uma vez implantado, vai interligar o oeste da Bahia até os portos de Aratu, de Pecém (45 km de Fortaleza, no Ceará) e de Suape, em Pernambuco, permitindo um ganho sobre os custos logísticos de transporte da produção, tanto do oeste baiano, quanto da região do Araripe, em Pernambuco, quanto do transporte de algodão para o Pólo Têxtil de Fortaleza`, declarou Batista Neves.

PAC vai investir R$ 60 mi

Na região do São Francisco, existem três modais: um rodoviário que é a BR-242 (300 km, de Luís Eduardo à Ibotirama); outro hidroviário, que interliga Ibotirama a Juazeiro (700 km); e um modal ferroviário, de Juazeiro a Aratu (500 km). No entanto, a interligação entre eles está justamente na hidrovia. `O que queremos com este sistema é fazer uma sinergia logística, criando o corredor multimodal do São Francisco para possibilitar, de forma mais eficiente e segura, o escoamento da produção do oeste da Bahia`. , explicou o superintendente de Transportes da Seinfra, Cleyton Miranda Barros.

Para a implantação do sistema, foi firmado um convênio entre o governo do Estado, através da Seinfra e da Seplan (Secretaria Estadual de Planejamento) e o governo federal - Chesf (Companhia Hidroelétrica do São Francisco) e a Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco do Parnaíba) - para fazer o estudo de viabilidade, o desenvolvimento de um novo ente gestor da hidrovia e um operador de transporte multimodal na região.

Segundo o secretário de Infra-Estrutura, está previsto no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), investimentos na ordem de R$ 60 milhões para a realização da dragagem e derrocagem da hidrovia, além de R$ 26 milhões, para a construção do acesso ao porto de Juazeiro até a FCA (Ferrovia Centro Atlântica). `Além da recuperação da hidrovia, estamos trabalhando na recuperação das estradas vicinais que dão acesso ao Rio São Francisco, para permitir que o modal hidroviário escoe as produções`, pontuou Batista Neves.

Conforme o diretor de Logística da Seinfra, Mateus da Cunha Dias, a curto prazo, seriam feitas apenas algumas intervenções de menor vulto, como derrocagens dos pedais depois da Barragem de Sobradinho - que pode melhorar a navegação em São Francisco com baixo investimento e também feito de forma rápida -, e o acesso ferroviário ao porto do Moinho Dias Branco, na baía de Aratu, que proporcionaria uma conexão ferroviária entre Juazeiro e o porto de Aratu. `Em médio e longo prazos, está prevista a construção de grandes troncos ferroviários de interligação com os principais portos do Nordeste`.

Fonte: Tribuna da Bahia

16/04/07