Bahia Azul

07/05/2007
O programa de saneamento ambiental da Baía de Todos os Santos, mais conhecido como Bahia Azul, mudará de direção. A partir deste ano, a prioridade será resolver o problema de 18 áreas críticas em Salvador, onde o esgoto tem sido lançado diretamente em rios, sem ligação com a rede de coleta, o que expõe a população a doenças, como a diarréia.

Nessas áreas, a maioria ocupada por famílias de baixa renda, a população que mora no entorno dos rios será reassentada no próprio bairro, em habitações providas de esgoto domiciliar e mais distantes das margens dos rios.

A promessa é de João Lopes, superintendente de saneamento da Secretaria de Desenvolvimento Urbano do Estado (Sedur).

Ele garante, também, que o processo de mudança dos moradores não será feito como planejado pelo governo anterior.

Segundo Lopes, o projeto antigo pretendia apenas pagar uma indenização de R$ 6 mil a cada família e desapropriar as áreas. `Mas nós não viemos da mesma escola que o outro governo.

Os tempos são outros`, afirma o superintendente, sociólogo por formação.

O projeto atual pretende garantir novas moradias antes de iniciar o processo de desapropriação.

Mas ainda não há previsão de quando começarão as obras, pois não há verba prevista no orçamento estadual deste ano para o programa. A Sedur está preparando projeto executivo para solicitar recursos ao governo federal para executar o saneamento ambiental, o reassentamento dos moradores e a urbanização das áreas críticas.

VERBAS - Para executar o projeto, serão necessários em torno de R$ 150 milhões, segundo Lopes.

Entre os rios mais atingidos, estão o Camurugipe, o Cobre e o Mané Dendê, localizados em bairros de baixa renda, como Pirajá, Mata Escura, Pau da Lima, Periperi e Lobato.

Iniciado em 1996, o Bahia Azul foi financiado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e utilizou US$ 440 milhões. Em 2005, uma avaliação do Tribunal de Contas do Estado identificou que a quantidade de ligações domiciliares realizadas não conferia efetividade ao sistema. Apenas 1% do valor investido foi destinado ao financiamento de ligações entre as moradias e a rede geral de esgoto.

Fonte: Jornal A Tarde

Repórter: Katherine Funk

06/05/07