03/07/2007
GENEBRA - O presidente boliviano Evo Morales alerta que o Brasil não pode apenas ser líder regional sem aceitar os `custos` de promover uma situação mais justa dos demais países da América do Sul e da integração entre as economias. Em entrevista ao Estado, o vice-chanceler boliviano, Hugo Fernandez Araóz, aponta que as empresas estrangeiras de petróleo, entre elas a Petrobras, já acumularam lucros que compensaram os investimentos feitos nos últimos anos no país.
`Precisamos que os grandes países, como Brasil e Argentina, estejam dispostos não apenas a ser líderes, como também a assumir os custos de uma maior articulação entre os países. E para isso há que pagar, e isso é que pode ser um tema difícil `, afirmou. Para o vice-chanceler, `os países grandes não podem ver esse preço como um custo, mas como um investimento`.
Em sua avaliação, a sociedade civil brasileira está mais disposta a pagar pelos custos de ajuda aos países mais pobres. `Na Europa, França e Alemanha tiveram de ajudar aos menos desenvolvidos, como foram Irlanda e Espanha em um momento. O mesmo esquema precisamos pensar para a América do Sul `, disse.
Cobranças
Sobre o papel da Venezuela na região, o vice-chanceler avalia que o governo de Hugo Chávez ainda não pode disputar a liderança sul- americana com o Brasil. `Hoje, o Brasil é o líder, mas a Venezuela precisa ter seu papel, pois tem petróleo e enormes recursos`, afirmou Fernandez Araóz, jesuíta nos anos 60 e 70.
Na avaliação do vice-chanceler, os recursos gerados pelo petróleo e gás natural na Bolívia são as apostas do país em seu plano de redução da pobreza. Para ele, a Petrobras e as demais empresas petrolíferas estrangeiras já tiveram lucros suficientes para amortizar os investimentos que fizeram na Bolívia nos últimos anos.
`Todas as empresas que foram à Bolívia recuperaram facilmente seus investimentos. Contavam com isenções fiscais, não pagavam impostos e em pouco tempo amortizaram todo seu investimento. Não podem se queixar de que a Bolívia os tratou mal. O que queremos é um tratamento equilibrado`, afirmou o representante de La Paz. `A Petrobras, como uma multinacional, aproveitou as condições artificiais que se criaram na Bolívia para atrair capital. Mas o estado tem de recuperar sua capacidade de repartir a riqueza. As grandes empresas têm sua utilidade, mas não podíamos seguir como estava antes`, disse.
Segundo ele, desde que o processo de nacionalização começou e os contratos foram revistos, a Bolívia quadruplicou seus ingressos vindos do petróleo e gás natural. `Aumentamos os ingressos das vendas de US$ 300 milhões por ano para US$ 1,2 bilhão. Esse dinheiro será usado para o desenvolvimento do País. Para isso, temos de cobrar dos que ganham mais para dar aos que ganham menos `, completou o ex- jesuíta.
Fonte: Jornal Estado de S. Paulo
Em 3/07/2007.
`Precisamos que os grandes países, como Brasil e Argentina, estejam dispostos não apenas a ser líderes, como também a assumir os custos de uma maior articulação entre os países. E para isso há que pagar, e isso é que pode ser um tema difícil `, afirmou. Para o vice-chanceler, `os países grandes não podem ver esse preço como um custo, mas como um investimento`.
Em sua avaliação, a sociedade civil brasileira está mais disposta a pagar pelos custos de ajuda aos países mais pobres. `Na Europa, França e Alemanha tiveram de ajudar aos menos desenvolvidos, como foram Irlanda e Espanha em um momento. O mesmo esquema precisamos pensar para a América do Sul `, disse.
Cobranças
Sobre o papel da Venezuela na região, o vice-chanceler avalia que o governo de Hugo Chávez ainda não pode disputar a liderança sul- americana com o Brasil. `Hoje, o Brasil é o líder, mas a Venezuela precisa ter seu papel, pois tem petróleo e enormes recursos`, afirmou Fernandez Araóz, jesuíta nos anos 60 e 70.
Na avaliação do vice-chanceler, os recursos gerados pelo petróleo e gás natural na Bolívia são as apostas do país em seu plano de redução da pobreza. Para ele, a Petrobras e as demais empresas petrolíferas estrangeiras já tiveram lucros suficientes para amortizar os investimentos que fizeram na Bolívia nos últimos anos.
`Todas as empresas que foram à Bolívia recuperaram facilmente seus investimentos. Contavam com isenções fiscais, não pagavam impostos e em pouco tempo amortizaram todo seu investimento. Não podem se queixar de que a Bolívia os tratou mal. O que queremos é um tratamento equilibrado`, afirmou o representante de La Paz. `A Petrobras, como uma multinacional, aproveitou as condições artificiais que se criaram na Bolívia para atrair capital. Mas o estado tem de recuperar sua capacidade de repartir a riqueza. As grandes empresas têm sua utilidade, mas não podíamos seguir como estava antes`, disse.
Segundo ele, desde que o processo de nacionalização começou e os contratos foram revistos, a Bolívia quadruplicou seus ingressos vindos do petróleo e gás natural. `Aumentamos os ingressos das vendas de US$ 300 milhões por ano para US$ 1,2 bilhão. Esse dinheiro será usado para o desenvolvimento do País. Para isso, temos de cobrar dos que ganham mais para dar aos que ganham menos `, completou o ex- jesuíta.
Fonte: Jornal Estado de S. Paulo
Em 3/07/2007.