10/09/2007
De maior bacia leiteira do Norte e Nordeste e pólo calçadista, a microrregião agropastoril de Itapetinga, a 590 km de Salvador, experimenta novos rumos com o anunciado investimento de capital estrangeiro da ordem de US$ 140 milhões para construção de um complexo produtivo de açúcar e álcool combustível.
O interesse é crescente. Em apenas duas visitas de representantes de um grupo investidor franco-japonês este ano, mais de 15 mil hectares de terra agricultáveis foram apresentados pelos pecuaristas regionais.
`Existem áreas com restrições de relevo e topografia, mas não são entraves porque podem ser eliminadas do processo`, diz o secretário de Agricultura de Itapetinga, Alexandre Magno Os japoneses chegaram de surpresa, ávidos pelas terras, em sociedade com os franceses - cujo know-how em produção de açúcar supera 120 anos de experiência no País. Do total anunciado, US$ 60 milhões devem ser aplicados na implantação da usina de açúcar e os US$ 80 milhões restantes na de álcool. A meta é a geração de aproximadamente quatro mil empregos diretos no auge da colheita, com a previsão de produção de dois milhões de toneladas de cana por ano em uma área inicial com cerca de 40 mil hectares.
A intenção não tem data para ser concretizada, mas uma coisa é certa: o elevado preço das terras não tem sido obstáculo até então: num dos solos mais férteis e caros do País, um alqueire de terra (área equivalente a 20 hectares ou 20 campos de futebol) pode chegar até a R$ 120 mil.
SALTO - O salto econômico na região apresenta números expressivos na oferta de emprego e renda, mas encontra resistência dos pecuaristas tradicionais, que relutam em negociar as suas terras temendo a erradicação da pecuária de corte e leite em, no máximo, dez anos após a instalação das usinas.
A partir de Itapetinga, e por um raio de 30 quilômetros, existem mais de 200 mil hectares de pastagens para o rebanho leiteiro estimado em um milhão de cabeças.
Desse total, pelo menos 40 mil hectares serão erradicadas para o plantio e cultivo da cana.
O secretário de Agricultura de Itapetinga, Alexandre Magno, discorda da tese de que as pastagens serão erradicadas completamente como aconteceu em alguns municípios paulistas e sustenta que os 80% restantes da área de 200 mil hectares continuam para a atividade pecuária.
O sinal verde para a instalação do complexo só deverá ser feito quando a Bahia estiver inserida no Programa Nacional de Produção de Etanol (PNPE). `A Bahia ainda não foi mapeada como área produtora, mas gestões estão sendo feitas. Vale lembrar que a questão é complexa e envolve, além da instalação das usinas, toda infra-estrutura ao redor, como portos e estradas para escoamento da produção`, disse Magno.
CRÍTICAS - Posicionamento contrário tem os sindicatos rurais da região que, em recente levantamento, estimam em 10% o volume erradicado de pastagens de capim elefante plantadas nas zonas rurais de 15 municípios na região sudoeste do Estado para plantio de cana-de-açúcar. O produto tem sido utilizado na produção de álcool, aguardente e, em épocas de estiagem, como suplemento na alimentação do gado.
Por conta disso, ainda conforme levantamento, a pecuária de corte e leite, principal atividade econômica em Itapetinga e outros 11 municípios da região, corre risco de passar para segundo plano.
Na região sudoeste 24 variedades industriais de cana-de-açúcar são cultivadas e parte delas está num campo da EBDA nas estações experimentais de Barra do Choça e Itambé. As plantações fazem parte dos trabalhos técnicos da estatal em parceria com a Embrapa Gado de Leite e a Petrobras, para produção de forragem.
Segundo professores e pesquisadores da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb) consultados por A TARDE e que cujos nomes são preservados a pedido dos mesmos, para alcançar uma produção de dois milhões de toneladas por mês, as usinas do grupo devem ocupar uma área de 28 mil hectares. `Só que essas usinas vão atrair outras e toda área de pastagem pode desaparecer, o que causará um impacto ambiental sem proporções. E se o projeto não der certo, como isso será revertido?`, indaga um pesquisador da Uesb com 10 anos de estudo na área.
Temendo ser mal-interpretado pelos que, segundo ele, `defendem o progresso a todo custo`, o pesquisador sustenta que as terras de Itapetinga, apesar do elevado índice de fertilidade, não estão em uma região propicia ao plantio de canade-açúcar. `A região Extremo Sul é muito mais favorável`.
O pesquisador da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), Gilson Caruso, com 30 anos de estudo voltados exclusivamente para a cana-de-açúcar, afirma ser viável a produção de álcool no sudoeste. `Empresários de toda a região nos procuram em busca de dados de pesquisas para subsidiar a formação de parcerias nesta área`, disse Caroso. Nos últimos meses a movimentação de investidores internacionais em busca de áreas para implantação de usinas impressiona.
Fonte: Jornal A Tarde
Repórter: JUSCELINO SOUZA
09/09/07
O interesse é crescente. Em apenas duas visitas de representantes de um grupo investidor franco-japonês este ano, mais de 15 mil hectares de terra agricultáveis foram apresentados pelos pecuaristas regionais.
`Existem áreas com restrições de relevo e topografia, mas não são entraves porque podem ser eliminadas do processo`, diz o secretário de Agricultura de Itapetinga, Alexandre Magno Os japoneses chegaram de surpresa, ávidos pelas terras, em sociedade com os franceses - cujo know-how em produção de açúcar supera 120 anos de experiência no País. Do total anunciado, US$ 60 milhões devem ser aplicados na implantação da usina de açúcar e os US$ 80 milhões restantes na de álcool. A meta é a geração de aproximadamente quatro mil empregos diretos no auge da colheita, com a previsão de produção de dois milhões de toneladas de cana por ano em uma área inicial com cerca de 40 mil hectares.
A intenção não tem data para ser concretizada, mas uma coisa é certa: o elevado preço das terras não tem sido obstáculo até então: num dos solos mais férteis e caros do País, um alqueire de terra (área equivalente a 20 hectares ou 20 campos de futebol) pode chegar até a R$ 120 mil.
SALTO - O salto econômico na região apresenta números expressivos na oferta de emprego e renda, mas encontra resistência dos pecuaristas tradicionais, que relutam em negociar as suas terras temendo a erradicação da pecuária de corte e leite em, no máximo, dez anos após a instalação das usinas.
A partir de Itapetinga, e por um raio de 30 quilômetros, existem mais de 200 mil hectares de pastagens para o rebanho leiteiro estimado em um milhão de cabeças.
Desse total, pelo menos 40 mil hectares serão erradicadas para o plantio e cultivo da cana.
O secretário de Agricultura de Itapetinga, Alexandre Magno, discorda da tese de que as pastagens serão erradicadas completamente como aconteceu em alguns municípios paulistas e sustenta que os 80% restantes da área de 200 mil hectares continuam para a atividade pecuária.
O sinal verde para a instalação do complexo só deverá ser feito quando a Bahia estiver inserida no Programa Nacional de Produção de Etanol (PNPE). `A Bahia ainda não foi mapeada como área produtora, mas gestões estão sendo feitas. Vale lembrar que a questão é complexa e envolve, além da instalação das usinas, toda infra-estrutura ao redor, como portos e estradas para escoamento da produção`, disse Magno.
CRÍTICAS - Posicionamento contrário tem os sindicatos rurais da região que, em recente levantamento, estimam em 10% o volume erradicado de pastagens de capim elefante plantadas nas zonas rurais de 15 municípios na região sudoeste do Estado para plantio de cana-de-açúcar. O produto tem sido utilizado na produção de álcool, aguardente e, em épocas de estiagem, como suplemento na alimentação do gado.
Por conta disso, ainda conforme levantamento, a pecuária de corte e leite, principal atividade econômica em Itapetinga e outros 11 municípios da região, corre risco de passar para segundo plano.
Na região sudoeste 24 variedades industriais de cana-de-açúcar são cultivadas e parte delas está num campo da EBDA nas estações experimentais de Barra do Choça e Itambé. As plantações fazem parte dos trabalhos técnicos da estatal em parceria com a Embrapa Gado de Leite e a Petrobras, para produção de forragem.
Segundo professores e pesquisadores da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb) consultados por A TARDE e que cujos nomes são preservados a pedido dos mesmos, para alcançar uma produção de dois milhões de toneladas por mês, as usinas do grupo devem ocupar uma área de 28 mil hectares. `Só que essas usinas vão atrair outras e toda área de pastagem pode desaparecer, o que causará um impacto ambiental sem proporções. E se o projeto não der certo, como isso será revertido?`, indaga um pesquisador da Uesb com 10 anos de estudo na área.
Temendo ser mal-interpretado pelos que, segundo ele, `defendem o progresso a todo custo`, o pesquisador sustenta que as terras de Itapetinga, apesar do elevado índice de fertilidade, não estão em uma região propicia ao plantio de canade-açúcar. `A região Extremo Sul é muito mais favorável`.
O pesquisador da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), Gilson Caruso, com 30 anos de estudo voltados exclusivamente para a cana-de-açúcar, afirma ser viável a produção de álcool no sudoeste. `Empresários de toda a região nos procuram em busca de dados de pesquisas para subsidiar a formação de parcerias nesta área`, disse Caroso. Nos últimos meses a movimentação de investidores internacionais em busca de áreas para implantação de usinas impressiona.
Fonte: Jornal A Tarde
Repórter: JUSCELINO SOUZA
09/09/07