Bahia aposta alto no setor mineral

20/09/2007
A Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM) trabalha com a meta de alçar a Bahia ao terceiro lugar no ranking de Estados produtores de minérios. A perspectiva é que o objetivo seja alcançado pelo menos nos próximos quatro anos, período no qual a arrecadação estadual com os minérios deverá passar dos atuais 4% do Produto Interno Bruto (PIB) para 8%.

A espinha dorsal da estratégia para alcançar o objetivo passa por uma espécie de enobrecimento da extração, conforme explica o presidente da CBPM, Paulo Fontana.

`Nos últimos anos, o Estado cometeu um erro de dedicar-se de maneira intensiva à extração de minerais industriais, como argila, areia e granito`, observa o executivo. Ele acrescenta que a perspectiva da CBPM no contexto atual é o investimento em minerais metálicos, como ouro, níquel, ferro e chumbo.

`Apenas para se ter uma idéia, uma tonelada de argila custa hoje R$ 1,8, enquanto uma tonelada de níquel chega a R$ 1,5 mil`, diz.

A ofensiva mais agressiva em direção ao incremento da extração de minérios será dada hoje, com a publicação, de uma só vez, de nove editais de licitação para exploração comercial de áreas ricas em minérios de zinco, níquel, ouro, fosfato, areia silicosa, barita, calcário calcítico e talco. Apenas para se ter uma idéia da dimensão do lançamento dos nove editais atuais, nos seus 35 anos de existência, a CBPM ofertou ao mercado apenas 25 áreas para exploração mineral.

Do total das nove áreas-alvo da megalicitação, pelo menos oito se localizam no semiaacute;rido. A perspectiva é que a extração mineral tenha repercussão positiva na geração de emprego e renda numa das regiões mais pobres do Estado.

Um dos itens mais cobiçadas pelas empresas participantes da concorrência pública são as áreas de pesquisa de zinco, que totalizam cerca de 94 mil hectares, entre os municípios de Mundo Novo, Jacobina, Piritiba e Miguel Calmon.

A CBPM investiu cerca de R$ 8 milhões em sondagens e dimensionou recursos da ordem de seis milhões de toneladas de sulfeto de zinco nas jazidas, com teor médio de 6,4% do metal. Também foi detectada a presença de cobre e ouro nas jazidas da região. Estimativas iniciais dão conta de que a arrecadação do Estado via royalties da exploração de zinco poderia render aos cofres públicos pelo menos R$ 17 milhões ao ano.

A maior parte das licitantes deverão ser empresas multinacionais de grande porte. `Isso decorre do volume de recursos que devem ser aportados para a exploração`, explica Fontana. Apesar da ênfase em minerais metálicos, há vedetes, entre os metais industriais ofertados ao mercado, mediante a concorrência pública. Este é o caso da reserva de areia silicosa de Itarantim, no sul da Bahia - única área ofertada ao mercado localizada fora do semiaacute;rido. A areia silicosa da região se caracteriza pela qualidade na aplicação em construção civil, com o índice de 99,74% de pureza, ideal para a indústria de cerâmica e vidro.

Pelo menos uma empresa japonesa teria mostrado interesse na exploração do insumo, com planos de exportar a areia silicosa para a Europa, a partir do Porto de Ilhéus. De acordo com levantamento inicial da CBPM, a jazida de areia de Itarantim deve conter pelo menos 70 mil toneladas do insumo. Pelo menos 40 empresas demonstraram interesse em participar da licitação.

Fonte: Jornal A Tarde

20/09/07