NOVO MÍNIMO DEVE INJETAR CERCA DE R$ 21 BI NA ECONOMIA

28/02/2008
O novo valor de R$ 412,40 do salário mínimo, que passa a valer neste sábado e significa um aumento de 8,52% sobre o atual de R$ 380, deve injetar em torno de R$ 21 bilhões na economia brasileira nos próximos 12 meses, considerando-se cerca de 45 milhões de pessoas que têm remuneração atrelada ao mínimo, segundo informou o diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Clemente Ganz Lúcio. `Apesar do aumento real, o valor ainda fica aquém dos R$ 1.924,59 necessários para cobrir as necessidades do trabalhador. Porém, o ganho de 3,7% acima da inflação é superior ao que muitas categorias estão conseguindo em suas negociações`, afirma Lúcio. O trabalhador que recebe o mínimo precisaria cumprir uma jornada de 110 horas e 46 minutos em janeiro para adquirir o conjunto de alimentos da cesta básica.

O deputado José Pimentel (PT-CE), relator-geral do orçamento, afirmou que os recursos para o aumento do salário estão garantidos na proposta orçamentária deste ano. Segundo ele, no projeto de lei encaminhado ao Congresso Nacional a previsão era de R$ 407,41, mas com a definição da reestimativa de receitas e da inflação do ano passado, o valor poderá ser reajustado para R$ 412,42. O Executivo deve encaminhar ao Congresso medida provisória reajustando o mínimo, já que o projeto de lei para isso ainda não foi aprovado pela Câmara dos Deputados e nem pelo Senado. Outro estímulo para a economia vem dos números relativos ao desemprego, que em janeiro permaneceu estável em relação a dezembro de 2007, em 14,2% da População Economicamente Ativa (PEA), segundo dados da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) feita pelo Dieese e pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) e divulgada ontem em São Paulo.

No próximo sábado, o salário mínimo passa a valer R$ 412,40, 8,52% a mais que os R$ 380 pagos no último ano. O novo patamar deve injetar cerca de R$ 21 bilhões na economia brasileira nos próximos 12 meses, considerando-se algo em torno de 45 milhões de pessoas que têm remuneração atrelada ao mínimo, informou o diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócioeconômicos (Dieese), Clemente Ganz Lúcio.

`Apesar do aumento real, o valor ainda fica aquém dos R$ 1.924,59 necessários para cobrir as necessidades do trabalhador. Porém, o ganho 3,7% acima da inflação é superior ao que muitas categorias estão conseguindo em suas negociações`, afirma Lúcio. O relator geral do Orçamento federal, deputado José Pimentel (PT-CE), afirma que os recursos para o aumento do salário mínimo estão garantidos na proposta orçamentária deste ano, de acordo com a Agência Brasil. Segundo Pimentel, no projeto de lei encaminhado ao Congresso Nacional, a previsão para o salário mínimo era de R$ 407,41, mas, com a definição da reestimativa de receitas e da inflação do ano passado, o valor poderá ser reajustado para R$ 412,42. O Executivo deverá encaminhar ao Congresso Nacional medida provisória reajustando o salário mínimo, já que o projeto de lei nesse sentido ainda não foi aprovado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado.

Aliada ao incremento do mínimo, outra boa notícia diz respeito ao nível de ocupação no mercado de trabalho, que nos últimos 12 meses aumentou 4,3%, no conjunto das regiões acompanhadas pela Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) - que engloba as áreas metropolitanas de Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Salvador, São Paulo e Distrito Federal. O estudo feito pelo Dieese em conjunto com a Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) e divulgado ontem em São Paulo mostra que no último ano foram criados 704 mil postos de trabalhos, número superior ao de pessoas que ingressaram no mercado de trabalho (572 mil). Isso reduziu o contingente de desempregados em 133 mil pessoas.

O nível de ocupação cresceu em todas as regiões pesquisadas, embora com intensidades diferenciadas, sendo mais forte em Salvador (7,5%), seguido pelo Distrito Federal (6,6%), Recife (5,4%), Porto Alegre (5,4%), Belo Horizonte (4,9%) e por último São Paulo (3,0%). Em janeiro de 2008, a taxa de desemprego permaneceu estável, na comparação com dezembro último, em 14,2% da População Economicamente Ativa (PEA) nas seis regiões. Esta foi a menor taxa para um mês de janeiro desde 1998. No ano passado a variação havia atingido 15,3%. No período, o número de desempregados somou 2,803 milhões, 6 mil a mais que em dezembro último. Esse resultado é conseqüência do corte de 26 mil vagas e da saída de 20 mil pessoas do mercado de trabalho. Segundo Patrícia Lino da Costa, economista do Dieese, apesar dos indicadores de recuperação do emprego, as pessoas estão conseguindo novos trabalhos, porém, isso não significa melhores salários. `Ainda existem 1,4 milhão desempregados no País o que torna o mercado ofertado e não ajuda a elevar os ganhos`.

Entre dezembro de 2006 e de 2007, o rendimento médio real dos ocupados no conjunto das regiões metropolitanas praticamente não se alterou (-0,1%). Entre as regiões, a maioria apresentou crescimento, sendo 9,6% no Distrito Federal, 4,6% em Salvador, 3,4% em Porto Alegre e 1,6% em Belo Horizonte. O rendimento ficou estável em Recife, mas caiu em São Paulo (3,0%), o que pesou na conta geral.

Os novos postos foram criados em todos os setores analisados, sendo 428 mil em serviços (5%), 164 mil na construção civil (20,2%), 65 mil no comércio (2,4%) e 42 mil na indústria (1,6%). De acordo com Alexandre Loloian, analista da Fundação Seade, a demanda no setor de construção está intensificando as buscas por profissionais na área. `Os dados também refletem o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)`, explica. Segundo Lúcio, mesmo que este ritmo de crescimento registrado nos últimos dois anos se mantenha, serão necessários, pelo menos, dez anos para que o Brasil consiga reduzir o desemprego a níveis de Primeiro Mundo. Para o economista Fábio Romão, da LCA Consultoria, os números do Dieese confirmam a tendência apontada por outras pesquisas `Em todas elas vemos que a massa salarial cresce mais pela ocupação do que pelo rendimento propriamente dito.`

Repórter: Anna Lúcia França

Fonte: Gazeta Mercantil

Em 28/2/2008.