Lula vincula obras na Bahia à prorrogação da CPMF

30/10/2007
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse não existir um `plano b` para a hipótese de o Senado não aprovar a prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) e chegou a brincar com a possibilidade de o Palácio do Planalto ter alternativas nesse assunto. `Eu não sei quem foi o louco que inventou um ‘plano b`. Ou seja: se você começa a pensar num ‘plano b` significa que não está dando prioridade no ‘plano a`, e eu tenho dito que a CPMF não é um desejo do presidente da República, é uma necessidade do Brasil`, comentou, logo depois de participar, na manhã de ontem, em Salvador, da inauguração do Cimatec 2, o novo centro tecnológico do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) da Bahia.

Na visão de Lula, `todo mundo de bom senso sabe que ela (a CPMF) precisa ser aprovada, que não há como prescindir de R$ 40 bilhões`, e passou explicar a falta que esses recursos fariam, por exemplo, para os projetos que veio autorizar na Bahia. `Eu anuncio que vamos construir 1.100 quilômetros de ferrovia, que vamos fazer 524 quilômetros de estradas.

Ora, tudo isso tem dinheiro, e se as pessoas acham que podem tirar isso do orçamento, precisam assumir a responsabilidade de tirar também as obras do planejamento.

Não é um problema meu, é do País`.

REELEIÇÃO - Lula rechaçou também mais uma vez as suposições de que estaria por trás da manobra de alguns deputados da base governista de modificar a Constituição para permitir que ele dispute um terceiro mandato presidencial.

Garantiu que nenhum aliado falou com ele sobre o assunto e alertou a classe política para ter cuidado em não `brincar com a democracia na América Latina`.

Lembrou que a Constituição estabelece um mandato de quatro anos e uma reeleição. `Se o Congresso quiser fazer uma reforma política, todo mundo conhece minha tese: sou favorável a um mandato maior que quatro anos sem reeleição, isso depende do Congresso Nacional, não de mim. Eu agora estou quase proibido de tocar nesse assunto porque não vou dar palpite agora no mandato do meu sucessor`, salientou.

Conforme Lula, a prioridade no momento não é o terceiro mandato, e sim `consolidar o crescimento do Brasil`. Seu discurso na solenidade de inauguração do Cimatec 2, foi nessa linha.

Ao lado do governador Jaques Wagner, com quem participou da assinatura de vários convênios para obras federais na Bahia, afirmou que `o futuro do País está em nossas mãos`, criticando as `atitudes mesquinhas` que às vezes alguns políticos adotam ao se posicionar contra o Brasil.

O presidente assinalou, ainda, que, se a classe política `pensar grande e não permitir que a pequenez política tome conta da nossa cabeça`, o Brasil terá, neste começo do século 21, `a chance que Getúlio teve quando pensou em industrializar este País, a chance que teve o Juscelino quando lançou o plano de metas; o Plano Cruzado, o Real e não tiveram seqüência porque a pequenez política, o pensamento das próximas eleições atrapalharam a continuidade de um programa duradouro para este País`.

SEM CORTE DE IMPOSTOS - Para o presidente, esta é a hora de investir no Nordeste e recuperar o tempo perdido. `A nossa economia está sólida, diferente do que ocorria no passado, quando qualquer discursinho do presidente do Banco Central americano criava uma crise aqui`.

Ele deu a fórmula para o crescimento.

`Primeiro, é preciso consolidar definitivamente a democracia; segundo, é preciso que a gente continue baixando a taxa de juros; terceiro, é preciso que a gente tenha linha de crédito para financiamento e que este crédito esteja disponibilizado em pouco tempo, porque muitas vezes a burocracia atrapalha`. Lula não incluiu na receita a redução da carga tributária, e isso foi notado pelos empresários presentes à solenidade, entre eles o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o deputado Armando Monteiro (PTB-PE) defensor do fim da CPMF.

Fonte: Jornal A Tarde

30/10/07