Consumo de álcool veicular cresce 65,9%

01/04/2009
Em 12 meses, o consumo de álcool como combustível veicular na Bahia passou de 24,71 mil metros cúbicos por mês para 41 mil metros cúbicos, o que representa um aumento de 65,9%, de acordo com dados sobre a venda de combustíveis da Agência Nacional de Petróleo (ANP).

Em Salvador, o preço do produto apresenta uma tendência de queda entre os meses de fevereiro e março, confirmada pela levantamento de preços da ANP na última semana, que mostra o produto disponível por R$ 1,71, em média. Mas, de acordo com a ANP, é possível encontrar o produto na capital por uma variação de preços que vai de R$ 1,60, no posto com o menor preço, a R$ 1,79, nos três que vendem mais caro.

A venda de álcool em Salvador deve continuar a crescer, avalia o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado da Bahia (Sindicombustíveis), Walter Tanus Freitas. De acordo com ele, a tendência teve início há dois anos com o crescimento no número de carros flex nas ruas.

`O álcool caiu no gosto do consumidor, apesar de o gás natural veicular (GNV) continuar a ser o combustível mais barato`, compara. `Um carro movido a álcool consegue fazer até oito quilômetros com um litro de combustível. Com um metro cúbico do GNV, o consumidor pode fazer até 13 quilômetros`.

Mas este não é o sentimento do consumidor. Daniel Rangel conta que converteu seu carro flex para gás natural há sete anos e, apesar de seu custo inicial ter compensado, hoje ele não recomenda a conversão. `Acabei de comprar um carro novo e não pretendo instalar o kit-gás`, disse.

De acordo com ele, além do custo de instalação, que varia entre R$ 1 mil e R$ 3 mil, quem opta pelo veículo movido a gás natural também tem um custo de manutenção constante. `A economia que o gás proporciona hoje não compensa os custos adicionais`.

Gerentes e donos de postos de combustíveis mostram que esta tendência de consumo se reflete nas bombas. Apesar de não haver um levantamento específico sobre o assunto, o gerente de um posto de gasolina revela que há três anos vendia em média 80 litros de álcool por mês. Hoje, este consumo é de aproximadamente 450 litros, enquanto a venda de gasolina comum gira em torno de 300 litros ao mês. `Se somarmos o consumo das gasolinas comum e aditivada, ele será equivalente ao do álcool`, disse.

Se, para o consumidor, o álcool tem se mostrado boa alternativa, entre taxistas, o GNV continua sendo o principal combustível utilizado. `Apesar de o preço do álcool ser mais convidativo, com o GNV nós conseguimos rodar mais pelo mesmo valor`, afirma o presidente da Associação Metropolitana dos Taxistas (AMT), Valdeilson dos Santos.

Mesmo assim, há quem já pense em dispensar o uso do GNV. Taxista há 32 anos, Agnaldo Souza dos Santos conta que optou pelo carro movido pelos três combustíveis (gasolina, álcool e gás). `Hoje, eu tenho poder de escolha porque este carro veio com estas opções de fábrica, mas se fosse trocar de carro agora, não optaria por instalar um kit-gás`.

Esta tendência já pode ser vista nas empresas de conversão para gás natural. Wilson Souza Santos é gerente de uma dessas empresas e conta que, há um ano e meio, a média era de 300 conversões ao mês. `Hoje, nossa média é de aproximadamente 40 carros`, disse.

Ainda assim, ele afirma que o gás natural pode ser uma boa opção para quem circula bastante com o carro. `Hoje, muitos de nossos clientes são pessoas que compraram carros flex e testaram a economia por três a quatro meses antes de decidir pela conversão`.

Segundo o presidente do Sindicombustíveis, a tendência para os próximos meses é de queda nos preços do álcool e do GNV, que passou por uma revisão de preços em fevereiro e deve passar por nova revisão no próximo mês de maio.

Conforme a Bahiagás, distribuidora do combustível no Estado da Bahia, a tendência é de queda, apesar de o preço na bomba ser livre.

Repórteres: Thais Rocha e Donaldson Gomes

Fonte: A Tarde

Em 1/4/2009