Odebrecht leva Galeão por R$ 19 bilhões

22/11/2013
galeao1.jpgA operadora do melhor aeroporto do mundo, de Cingapura, vai administrar o Galeão. O consórcio Aeroportos do Futuro, liderado pela Odebrecht em parceria com a Changi, de Cingapura, venceu o leilão de privatização do aeroporto do Galeão com lance de R$ 19.018.888.000,00 bilhões, ágio de 294% em relação ao valor mínimo estabelecido de R$ 4,828 bilhões. A disputa foi para o leilão viva-voz, mas não houve novas propostas.

No total, o governo arrecadou R$ 20.838.888.000,00. O leilão durou 1h37m, com início às 10h. O ágio global do leilão ficou em 251,6%, já que o governo esperava arrecadar R$ 5,9 bilhões.

A proposta da Odebrecht ficou muito acima das propostas dos demais consórcios. Segundo fontes da Odebrecht ouvidas na BM&FBovespa, esta era a última chance de a empresa ter participação na concessão de um grande aeroporto, já que a companhia ficou fora de Cumbica, Viracopos e Brasília. Por isso, a empresa fez uma oferta tão agressiva, com ágio de quase 300% em relação ao valor mínimo. No leilão viva-voz não houve lances por Galeão que superassem este valor.

Em segundo lugar ficou o consórcio liderado por Carioca Engenharia, com aeroportos de ADP (Paris) e Amsterdã, que ofereceram R$ 14,5 bilhões. Em terceiro lugar ficou o consórcio formado por Ecorodovias, Invepar e Aeroporto de Frankfurt, com lance de R$ 13,113 bilhões. O valor surpreendeu o mercado e superou, inclusive, o aeroporto de Guarulhos, vencido pela Invepar em fevereiro do ano passado por R$ 16,2 bilhões.

O valor que será pago pelo Galeão também supera o leilão do Campo de Libra, no pré-sal, leiloado mês passado por R$ 15 bilhões. O consórcio vencedor do aeroporto carioca é formado pela Odebrecht Transportes S.A, liderou com participação de 60%. Os outros 40% pertencem à empresa Excelente B.V (Changi). A Infraero, pelo edital, fica com 49% da concessão.

O leilão do aeroporto de Confins foi mais disputado, com pelo menos seis lances. O vencedor foi o consórcio Aerobrasil (Flughafen München (Munique)/Flughafen Zurich (Zurique) com CCR) com proposta de R$ 1.820.000,00 (ágio de 66% em relação ao valor inicial). A proposta anterior do consórcio era de R$ 1,72 bilhão. Do consórcio Aerobrasil, a Companhia de Participações em Concessões CPC-CCR liderou com 75%, a Zurich Airport Servives Worldwild entrou com 24% e a Munich Airport International ficou com 1%.

Com a concessão de Galeão e Confis, somando ao movimento de Guarulhos, Viracopos e Brasília, passaram pelos aeroportos privados 85,4 milhões de pessoas em 2012, 44,2% do total nacional. Levando em conta a movimentação internacional, passaram pelos aeroportos 16,8 milhões de pessoas no ano passado, 88,7% do total.

Para especialistas, Galeão privatizado vai brigar por voos com Guarulhos

O forte ágio pago pelo consórcio Odebrecht/Changi (Cingapura) pelo aeroporto do Galeão demonstra que o grupo deverá entrar na luta com o também privatizado Guarulhos por voos internacionais. Para Paulo Fleury, presidente do Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos), o Brasil deve ganhar com esta forte concorrência:

— É claro que o grupo vencedor vai lutar para atrair mais voos internacionais pro Rio, disputar a posição de hub (distribuidor) de voos com São Paulo. Isso tende a ser positivo —disse.

Ele afirmou que é cedo para dizer se o valor ofertado é elevado em relação ao movimento do aeroporto, que transportou 17,7 milhões de passageiros no ano passado porque há muito espaço para crescimento do setor, novos ganhos poderão ser obtidos na administração dos aeroportos, que tendem a parecer shoppings, e com custos baixos dos recursos do BNDES que devem financiar as obras e melhorias:

— É um setor com risco muito baixo e que, com poucas mudanças, já trarão ganho aos usuários — afirmou o especialista.

Fonte: O Globo.

Em 22/11/2013.