28/06/2007
A decisão de parte dos professores estaduais de se manter em greve - só marcando a próxima assembléia para reavaliação do movimento após o feriadão do 2 de Julho - pegou de surpresa a equipe do governo envolvida nas negociações, desde antes de 8 de maio, quando a paralisação foi deflagrada. `O jogo democrático é de liberdade, mas também de responsabilidade`, afirmou o governador Jaques Wagner, não escondendo a indignação durante entrevista coletiva, ontem, na Governadoria.
Sobre o reajuste linear de 17,28% solicitado pela categoria, o governador reafirmou, taxativo: `Não há nenhuma hipótese desse reajuste acontecer, até mesmo porque não sou irresponsável`. Ele disse não compreender a intransigência da categoria, mesmo depois de o Estado ter apresentado a melhor proposta de reajuste médio de todo o país, no âmbito do setor público. `São 4,5%, ou seja, 1,2% de ganho real`, destacou.
No caso específico dos professores, a proposta original do governo prevê para um total de cerca de 44 mil professores um reajuste de 17,28% para cerca de 15 mil, 15% para 1,5 mil e 4,5% para os demais. Os líderes do movimento, entretanto, alegam que o reajuste diferenciado proposto pelo governo não recompõe a diferença dos interníveis salariais.
`Fizemos, na verdade, um grande esforço para conceder 17,28% para corrigir a defasagem histórica sofrida por parte dos professores classificados nos níveis mais baixos e que estavam ganhando menos que o salário mínimo`, explicou Wagner. `Estranhamente, em vez de comemorar, alguns professores dos níveis mais altos deflagraram uma greve antes mesmo da finalização das negociações gerais com o funcionalismo público, quando já se previa a instalação das mesas setoriais`, disse.
Segundo o governador, mesmo na situação atual, a Bahia está na quinta posição no ranking dos melhores salários pagos aos professores estaduais no país. Ficam apenas à frente da Bahia, por ordem, Pará, São Paulo, Distrito Federal e Mato Grosso. `Ainda assim, a diferença não é tanta. Em São Paulo, mesmo considerando a diferença econômica, para a carga de 30 horas, a remuneração é de R$ 1.295, enquanto na Bahia é de R$ 1 mil`, afirmou.
Irracionalidade - Para Wagner, o comportamento de determinados segmentos dos professores envolvidos na greve `é contra tudo que já se viu no movimento sindical`. Ele estranhou muito o fato das aulas não terem sido retomadas, após a reinstalação da mesa setorial em reunião realizada na última segunda-feira, com a intermediação do Ministério Público. `Não vou fazer acusações simplistas de que a greve é política. Prefiro dizer que houve perda de comando e há uma irracionalidade por parte de alguns segmentos de professores dos níveis 3 e 4`, declarou.
A equipe do governo que acompanhou Wagner na entrevista coletiva - o secretário da Educação, Adeum Sauer, era um dos presentes - ressaltou ainda que dos 11 sindicatos ligados ao funcionalismo público estadual, apenas o dos Trabalhadores em Educação do Estado da Bahia (APLB-Sindicato) não respeitou o regimento interno, que previa uma primeira etapa de definição do reajuste geral, seguida da instalação de mesas setoriais para tratar de questões específicas.
Na conversa com os jornalistas, o governador recebeu um telefonema informando o fim da greve em Itabuna. Pela manhã, quando esteve em Barreiras, ele já havia notado a baixa adesão ao movimento também na região oeste. `Menos de 20% das escolas do interior estão paralisadas. As demais já fizeram o plano de reposição das aulas`, informou Sauer.
A Secretaria da Educação (SEC) já desenvolveu planos prevendo o cumprimento dos 200 dias do ano letivo. A previsão inicial é que o calendário seja estendido até 18 de janeiro.
Medidas para cumprimento do ano letivo
O Ministério Público começa a analisar hoje a adoção de medidas legais para garantir o cumprimento do ano letivo na rede pública estadual. `Estou surpreso, desapontado e indignado com o posicionamento radical dos professores`, afirmou o procurador-chefe Lidivaldo Brito. Depois de ter intermediado a mesa setorial, ele também acompanhou ontem a entrevista concedida pelo governador.
`Não havia justificativa para a manutenção do movimento, após a reinstalação esta semana da mesa setorial, tendo o governo ido até mais além, passando a discutir logo a pauta das reivindicações`, explicou Brito.
Ele lembrou que já existe uma sentença judicial reconhecendo a ilegalidade da greve, com determinação do retorno imediato às aulas, sob pena de multa diária de R$ 20 mil. `Mas outras providências legais também podem ser tomadas e vamos adotá-las o mais breve possível`, ressaltou o procurador.
Para Brito, a greve dos professores prejudica particularmente os adolescentes negros, que constituem a principal clientela da escola pública. Dentre eles, a situação dos estudantes do 3º ano pré-vestibular é a que mais preocupa. `Já havíamos até estabelecido um calendário de reuniões e, para a nossa surpresa, a assembléia não acatou o encaminhamento da direção da APLB, o que nos leva a crer que está havendo um choque de interesses no movimento, prejudicando muito os estudantes`, afirmou.
Fonte: Diário Oficial
28/06/07
Sobre o reajuste linear de 17,28% solicitado pela categoria, o governador reafirmou, taxativo: `Não há nenhuma hipótese desse reajuste acontecer, até mesmo porque não sou irresponsável`. Ele disse não compreender a intransigência da categoria, mesmo depois de o Estado ter apresentado a melhor proposta de reajuste médio de todo o país, no âmbito do setor público. `São 4,5%, ou seja, 1,2% de ganho real`, destacou.
No caso específico dos professores, a proposta original do governo prevê para um total de cerca de 44 mil professores um reajuste de 17,28% para cerca de 15 mil, 15% para 1,5 mil e 4,5% para os demais. Os líderes do movimento, entretanto, alegam que o reajuste diferenciado proposto pelo governo não recompõe a diferença dos interníveis salariais.
`Fizemos, na verdade, um grande esforço para conceder 17,28% para corrigir a defasagem histórica sofrida por parte dos professores classificados nos níveis mais baixos e que estavam ganhando menos que o salário mínimo`, explicou Wagner. `Estranhamente, em vez de comemorar, alguns professores dos níveis mais altos deflagraram uma greve antes mesmo da finalização das negociações gerais com o funcionalismo público, quando já se previa a instalação das mesas setoriais`, disse.
Segundo o governador, mesmo na situação atual, a Bahia está na quinta posição no ranking dos melhores salários pagos aos professores estaduais no país. Ficam apenas à frente da Bahia, por ordem, Pará, São Paulo, Distrito Federal e Mato Grosso. `Ainda assim, a diferença não é tanta. Em São Paulo, mesmo considerando a diferença econômica, para a carga de 30 horas, a remuneração é de R$ 1.295, enquanto na Bahia é de R$ 1 mil`, afirmou.
Irracionalidade - Para Wagner, o comportamento de determinados segmentos dos professores envolvidos na greve `é contra tudo que já se viu no movimento sindical`. Ele estranhou muito o fato das aulas não terem sido retomadas, após a reinstalação da mesa setorial em reunião realizada na última segunda-feira, com a intermediação do Ministério Público. `Não vou fazer acusações simplistas de que a greve é política. Prefiro dizer que houve perda de comando e há uma irracionalidade por parte de alguns segmentos de professores dos níveis 3 e 4`, declarou.
A equipe do governo que acompanhou Wagner na entrevista coletiva - o secretário da Educação, Adeum Sauer, era um dos presentes - ressaltou ainda que dos 11 sindicatos ligados ao funcionalismo público estadual, apenas o dos Trabalhadores em Educação do Estado da Bahia (APLB-Sindicato) não respeitou o regimento interno, que previa uma primeira etapa de definição do reajuste geral, seguida da instalação de mesas setoriais para tratar de questões específicas.
Na conversa com os jornalistas, o governador recebeu um telefonema informando o fim da greve em Itabuna. Pela manhã, quando esteve em Barreiras, ele já havia notado a baixa adesão ao movimento também na região oeste. `Menos de 20% das escolas do interior estão paralisadas. As demais já fizeram o plano de reposição das aulas`, informou Sauer.
A Secretaria da Educação (SEC) já desenvolveu planos prevendo o cumprimento dos 200 dias do ano letivo. A previsão inicial é que o calendário seja estendido até 18 de janeiro.
Medidas para cumprimento do ano letivo
O Ministério Público começa a analisar hoje a adoção de medidas legais para garantir o cumprimento do ano letivo na rede pública estadual. `Estou surpreso, desapontado e indignado com o posicionamento radical dos professores`, afirmou o procurador-chefe Lidivaldo Brito. Depois de ter intermediado a mesa setorial, ele também acompanhou ontem a entrevista concedida pelo governador.
`Não havia justificativa para a manutenção do movimento, após a reinstalação esta semana da mesa setorial, tendo o governo ido até mais além, passando a discutir logo a pauta das reivindicações`, explicou Brito.
Ele lembrou que já existe uma sentença judicial reconhecendo a ilegalidade da greve, com determinação do retorno imediato às aulas, sob pena de multa diária de R$ 20 mil. `Mas outras providências legais também podem ser tomadas e vamos adotá-las o mais breve possível`, ressaltou o procurador.
Para Brito, a greve dos professores prejudica particularmente os adolescentes negros, que constituem a principal clientela da escola pública. Dentre eles, a situação dos estudantes do 3º ano pré-vestibular é a que mais preocupa. `Já havíamos até estabelecido um calendário de reuniões e, para a nossa surpresa, a assembléia não acatou o encaminhamento da direção da APLB, o que nos leva a crer que está havendo um choque de interesses no movimento, prejudicando muito os estudantes`, afirmou.
Fonte: Diário Oficial
28/06/07