Gás de campos maduros começa a suprir a Bahiagás

02/08/2007
O consórcio formado pelas empresas Panergy e ERG Petróleo e Gás será o pioneiro na venda de gás extraído de campos maduros. As empresas assinaram contrato de dez anos com a Companhia de Gás da Bahia (Bahiagás) para fornecimento do combustível. É o primeiro contrato do gênero firmado desde outubro de 2005, quando a Agência Nacional do Petróleo (ANP) fez a primeira licitação de áreas marginais de ocorrência de gás e petróleo.

No primeiro ano de contrato, que começará a ser contado daqui a 90 dias, o fornecimento será de 10 mil a 15 mil metros cúbicos de gás natural por dia, ou cerca de 7 milhões de metros cúbicos ao longo de 12 meses. A partir do segundo ano, o volume deverá subir para até 35 mil metros cúbicos - em um ano, total de 10 milhões de metros cúbicos, segundo Normando Paes, um dos sócios da Panergy.

O gás está sendo extraído do campo de Morro do Barro, no município de Vera Cruz. O campo foi descoberto em abril de 1962, entrou em produção em setembro de 1964 e produziu até 1988. Ao deixar de ter escala que viabilizasse sua exploração pela Petrobras, a antiga concessionária, o campo foi devolvido à ANP. Dos 11 poços perfurados, cinco estão sendo mapeados pelo consórcio ERG/Panergy.

O gás será transportado por carretas na forma de gás natural comprimido (GNC), que atende basicamente os postos de combustíveis. A partir de novembro, o gás do campo de Morro do Barro também deverá abastecer o primeiro dos dois novos ferry-boats que farão a ligação entre Salvador e a Ilha de Itaparica, na Baía de Todos os Santos, onde fica o município de Vera Cruz.

A TWB, concessionária do sistema de ferry-boats, pretende colocar a segunda nova embarcação em funcionamento até dezembro de 2008.

`O volume de gás pode não parecer significativo, mas ele recupera poços e energia que estavam parados, sem uso nenhum`, diz Antonio Carlos Batista Neves, secretário estadual de Infra-Estrutura, pasta à qual a Bahiagás está ligada. `Esse gás atende uma demanda localizada e pode até abastecer pequenas indústrias`.

Até agora, foram realizados dois leilões de campos maduros pela ANP. A Panergy foi a única empresa a conseguir arrematar áreas nas duas rodadas - a outra, a do campo do Espigão, no Maranhão, foi descoberta pela Petrobras em 1969, mas nunca havia sido colocada em produção. `Em Morro do Barro, já detectamos potencial de trabalhar em outros poços além dos cinco em que já estamos atuando`, diz Normando Paes.

A oitava rodada de licitações da ANP, de novembro do ano passado, foi a do segundo leilão de áreas marginais. Ela havia sido suspensa pela 9ª Vara Federal de Brasília sob o argumento de que os critérios exigidos prejudicariam a participação da Petrobras. Há menos de duas semanas, o Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu a ação, o que volta a dar fôlego aos pequenos empreendedores que têm entrado no mercado de óleo e gás com o leilão de campos maduros. O campo do Espigão, da Panergy, por exemplo, está em fase de obtenção de licença ambiental. O campo tem reservas de gás natural estimadas em 283 milhões de metros cúbicos

Fonte: Jornal Valor

02/08/07