Tensão global afugenta estrangeiros e dólar sobe 1,7%

10/08/2007
SÃO PAULO - O dólar operava em alta de quase 2% nesta sexta-feira, 10, influenciado pela saída de investidores estrangeiros para a cobertura de perdas no exterior em meio à preocupação com as condições de crédito e com a liquidez global.

Às 11h53, a moeda norte-americana era cotada a R$ 1,960, em alta de 1,71%. Na véspera, o dólar já havia subido 2,17% em meio à instabilidade dos mercados.

A reação dos mercados internacionais a problemas de liquidez decorrentes da crise do crédito no mercado imobiliário norte-americano continua. O Federal Reserve chegou a fazer uma injeção de US$ 19 bilhões para garantir a liquidez no mercado, a maior operação desse tipo em quatro anos. A Bolsa de Valores de São Paulo caía mais de 2% no final desta manhã.

`O mercado lá fora está com grandes prejuízos, principalmente em relação à bolsa. O pessoal está se desfazendo de ativos`, disse Gerson de Nobrega, gerente da tesouraria do Banco Alfa de Investimento.

Às 11h19, o Ibovespa recuava 2,34%, para 52.178 pontos. Na mínima, caiu 2,94%, para 51.858 pontos. O volume financeiro era de R$ 1,189 bilhão. A baixa na bolsa paulista era generalizada.

`O fato de o banco central (dos EUA) estar injetando dinheiro mostra que ele está preocupado...dá uma assustada`, disse Júnior Hydalgo, diretor da Trust Investimento.

Em Nova York, o Dow Jones recuava 0,83% e o índice de principais ADRs brasileiros perdia 3,70%. Já o Risco País avançava 9 pontos, para 192 pontos-básicos.

Na Ásia, as perdas nos mercados foram generalizadas. A Bolsa da Coréia desabou 4,2%, a de Hong Kong caiu 2,9% e Tóquio encerrou com variação negativa de 2,4%. Na China, o Shenzhen Composto perdeu 2,2%. Na Europa, a situação não é diferente.

Turbulência

A turbulência nos mercados se intensificou no final de julho, com a preocupação dos investidores com o crédito imobiliário de alto risco nos Estados Unidos, e ganhou mais força à medida que surgiram problemas em diversos fundos associados ao setor.

Em meio à incerteza sobre o efetivo tamanho do problema, vários bancos centrais, como o Banco Central Europeu e o Federal Reserve, têm injetado dinheiro desde quinta-feira para aumentar a liquidez dos mercados e acalmar os investidores.

Fonte: REUTERS

Em 10/08/2007.