TVE transmite festejos da Revolta dos Búzios

10/08/2007
Em agosto de 1798, jovens negros baianos organizaram um movimento e saíram às ruas para defender a liberdade e o fim da escravidão. A mobilização entrou para a história como a Revolta dos Búzios e custou a vida de quatro jovens rebeldes - João de Deus do Nascimento, Manoel Faustino, Luis Gonzaga das Virgens e Veiga, e Lucas Dantas do Amorim Torres. Por ordem da corte portuguesa, eles foram perseguidos, presos e enforcados, em 8 novembro do ano seguinte.

Símbolo de resistência e coragem, a Revolta dos Búzios, também chamada de Conjuração Baiana ou Revolta dos Alfaiates, completa 209 anos no próximo dia 12 (domingo). Para marcar a data, a Câmara Municipal de Salvador promove um ato público amanhã (10), que contará com transmissão ao vivo da TVE, das 15h às 16h.

O espectador da Televisão Pública da Bahia acompanhará a chegada de um cortejo à Praça da Piedade, programado para sair dos Aflitos mais cedo, às 14 horas, com fanfarras, grupos de dança e outras entidades culturais. Na Piedade, será reinaugurado o busto de Manuel Faustino, monumento em bronze que foi instalado em 2004 e, posteriormente, roubado. A repórter Delza Schaun estará no local para informar detalhes do cortejo e entrevistar o público presente.

No estúdio da TVE, o âncora Jonny Santos receberá três convidados especiais. O antropólogo Antônio Godi, pesquisador de cultura negra, vai comentar a festa e contextualizar historicamente a Revolta do Búzios. O Olodum também participará da festa, ao lado da banda Arca do Axé. O Grupo Cultural Olodum realiza todo ano uma programação especial durante o mês de agosto para comemorar a Revolta, movimento inspirado na Revolução Francesa e que serviu como ponto de partida para a Independência da Bahia.

A Revolta dos Búzios chegou às ruas em 12 de agosto de 1798 e foi marcada por lances de bravura e também de traição. Apesar do mesmo desfecho da Inconfidência Mineira (1793), a forca, e dos ideais iluministas como referência, os dois movimentos não acumulam outras semelhanças. A revolta de Minas Gerais registra entre líderes, intelectuais e pessoas da elite, enquanto, na Bahia, os revoltosos eram, em sua maioria, pessoas do povo e profissionais da base da pirâmide social, como os alfaiates. O fim do regime escravocrata também não estava no projeto dos mineiros.

Fonte: Agecom

Em 9/08/2007.

09/08/07