Turismo naval esbarra na falta de estrutura

26/03/2008
Apesar da franca expansão na demanda por cruzeiros marítimos, setor que em 2007 apurou um incremento da ordem de 30% na venda de pacotes na Bahia, a presença de uma infra-estrutura portuária deficiente já ameaça comprometer o futuro do segmento turístico em Salvador. Em meio a um sistema ainda precário e improvisado de atendimento ao passageiro de navio, estão cerca de 300 mil turistas, os quais vêm descobrindo todo ano a dura realidade que é desembarcar hoje na capital baiana. Descendo de navios em rampas de madeira e expostos ao sol e à chuva, milhares de visitantes enfrentam a falta de segurança e o desconforto na chegada a um dos mais importantes destinos turísticos do país.

Para o coordenador geral do Escritório de Revitalização do Comércio, órgão vinculado à Secretaria Municipal de Transportes e Infra-estrutura (Setin), Marcos Cidreira, o quadro atual é crítico e reflete a falta de condições adequadas na recepção a esses navios. `Depois que desembarcam no Porto de Salvador, esses passageiros são afunilados em uma espécie de curral e, em seguida, jogados aos leões na Avenida da França. Ficam totalmente largados e expostos aos marginais e ao próprio transporte clandestino. Ou seja, não existe atualmente um receptivo turístico capaz de atender esse público`, declara.

A situação de abandono aos turistas, conforme avalia contrasta com a própria expansão na demanda por cruzeiros marítimos no estado. `Entre dezembro de 2007 e março deste ano, 95 navios aportaram em Salvador, trazendo um total de 300 mil pessoas. Para a próxima alta temporada, serão mais de cem transatlânticos chegando à cidade. Aliado a isso, cada visitante desse gasta em média 1cem euros ao desembarcar, totalizando, apenas nesses quatro meses, 30 milhões de euros injetados somente na economia do município`, revela.

Segundo o presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav), regional Bahia, Pedro Manoel da Costa, apesar das empresas do setor terem fechado o ano passado com um incremento da ordem de 30% na venda de pacotes de cruzeiros, a capital baiana ainda convive com uma infra-estrutura improvisada no campo portuário. `O Porto de Salvador ainda não dispõe de condições adequadas para recepcionar esses navios. Por exemplo, não existe uma estação de embarque, de desembarque e nem sequer um atracadouro exclusivo para essas embarcações. Se tivéssemos um equipamento portuário adaptado, poderíamos até mesmo duplicar o fluxo de navios que hoje chegam à cidade`, argumenta.

Para tentar reverter esse cenário, está em discussão um planejamento para transformar os armazéns 1 e 2 do porto em um moderno terminal de passageiros. `O projeto estava parado na Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba), mas agora em março o Conselho de Autoridade Portuária oficializou esses dois espaços para construção desse empreendimento. Inclusive, a Secretaria Especial dos Portos já autorizou a companhia a preparar o processo licitatório para selecionar a empresa que irá construir e operar essa nova unidade`, explica Marcos Cidreira. De acordo com informações da Codeba, a previsão é que na próxima alta estação 2008/2009, o armazém 1 já esteja operando como um novo terminal.

Fonte: Jornal Correio da Bahia

Repórter: Alan Amaral

Em 26/03/2008.