Gás Natural Liquefeito importado abastecerá termelétricas a partir do fim de julho

03/06/2008
A primeira carga de Gás Natural Liquefeito (GNL) para as termoelétricas brasileiras chegará ao Brasil ao fim de julho, anunciou Maria das Graças Foster, diretora da área de Gás e Energia da Petrobras ontem no Rio de Janeiro. O suprimento será fruto dos acordos assinados ontem pela Petrobras com a BG Group, para o atendimento de importação do produto nos terminais de Pecém (CE) e Baía de Guanabara (RJ).

- Esse é mais um passo na montagem para garantir uma maior flexibilidade ao mercado de gás brasileiro - afirmou o presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli de Azevedo.

Os acordos prevêem a entrega de cargas cujos volumes são definidos a cada carregamento e a possibilidade de se estipular, a cada caso, qual dos terminais o gás será entregue. O primeiro carregamento ainda não tem o seu volume definido, mas deverá girar entre 75 mil metros cúbicos/dia a 135 mil metros cúbicos/dia, informou Maria da Graça.

O projeto para os terminais de importação de gás natural liquefeito abrangem dois terminais de regaseificação - Pecém e Baia da Guanabara - dois navios adaptados ao seu transporte, bem como dutos. A carga a ser despachada para malha de distribuidoras de gás, clientes da Petrobras, está prevista para final de julho, início de agosto.

- E já temos previsão para várias outras cargas até 2009 - completou a executiva.

Maria da Graça frisa a importância da modalidade dos contratos com a BG, pois estão previstos cancelamentos da carga e volumes variáveis, conforme a demanda. A intenção é que o abastecimento às termoelétricas brasileiras seja imediato.

- O melhor estoque para trabalharmos é o estoque zero - comentou ela. - Não pretendemos estocar para abastecer no futuro.

Segundo a diretora, as obras na Baía de Guanabara estão adiantadas e devem estar prontas antes do prazo, já ao final de setembro, início de outubro. Um terceiro terminal está nos planos da estatal, mas sua construção dependerá do sucesso do próximo leilão de energia.

- Quanto maior for a robustez da rede de energia, maiores as chances (de ele ser construído logo) - explicou.

A Petrobras trabalha com um horizonte de 2013 para o término de sua construção - um investimento calculado hoje em, no mínimo, US$ 400 milhões - para uma capacidade de 14 milhões de metros cúbicos a 20 milhões. A unidade poderá ser construída em Santa Catarina ou no Rio Grande do Sul.

- Vai depender do que for mais importante, se abastecer o mercado interno ou se abastecer, também, a América do Sul - comentou.

A Petrobras já tem outros três contratos de compra de GNL assinados, entre eles, um com a Shell. Os demais fornecedores não permitem que seus nomes sejam revelados, explicou a diretora. Gabrielli, presidente da Petrobras, frisou durante a assinatura dos acordos que a parceria com a BG é estratégica para a Petrobras. - Eles operam com extrema competência e têm um portfólio de ativos importante - frisou. Ele lembrou, ainda, a história de parcerias entre as duas empresas - seja comprando ou vendendo combustíveis uma a outra.

Desde o ano passado, a Petrobras vem renegociando com todas as distribuidoras os contratos de fornecimento de gás.

- Fechamos com todas as 24 que estão ativas contratos à luz da nova política de gás, que permite a compra de volumes firmes e inflexíveis, assim como volumes flexíveis - conta Maria da Graça.

A demanda total é de cerca de 37 milhões de metros cúbicos firmes e 10 milhões de metros cúbicos flexíveis até 2012. A diretora, contudo, lembrou que as negociações foram feitas levando-se em conta uma cesta de óleos combustíveis como referência dos preços praticados, sem se levar em conta o preço do petróleo a US$ 130 o barril.

- Há uma defasagem entre os preços acordados e o da nova realidade do petróelo Brent que não foi considerada - comentou.

Perguntada se isso significaria um novo aumento de preços, Maria da Graça lembrou que a nova política prevê reajustes trimestrais, a partir dos quais ocorrem repasses modulados:

- Mas é bom que se ressalte que precisamos da saúde financeira das distribuidoras, as quais também têm seus contratos com centenas e milhares de clientes. Assim, não podemos repassar a elas a volatilidade dos preços do petróleo.

Repórter: Ana Cecília Americano

Fonte: Jornal do Brasil

3/6/2008.