Reunião entre Petrobras e Bolívia termina sem acordo

09/05/2007
BUENOS AIRES - Terminou sem acordo a reunião entre a Petrobras e o governo boliviano, nesta quarta-feira, 9, em La Paz, na Bolívia. Foi o primeiro encontro entre representantes da empresa e autoridades do governo do presidente Evo Morales, após o decreto sobre as duas refinarias da estatal no território boliviano.

`Foi um encontro cordial, muito tranqüilo, onde detalhamos a proposta da Petrobras às autoridades bolivianas`, disse o brasileiro José Freitas, presidente da Petrobras Bolívia. `Agora vamos esperar a resposta do governo boliviano.` O prazo dado pelo presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, recordou Freitas vence nesta quinta-feira. O governo boliviano deverá responder se aceita o preço pedido pela Petrobras pela venda total das duas refinarias que comprou nos anos noventa. ´Expropriação´

Com apoio do presidente Lula, Gabrielli, o ministro brasileiro das Minas e Energia, Silas Rondeau, e o Itamaraty reagiram ao decreto de Morales, dizendo tratar-se de uma `expropriação` do fluxo de caixa das refinarias. A previsão é de que o ministro boliviano de Hidrocarbonetos, Carlos Villegas, entregue a proposta da Petrobras ao presidente Morales ainda nesta quarta-feira. A empresa brasileira, dona de duas das seis principais refinarias da Bolívia, teria reduzido sua oferta pelas duas unidades de refino nas últimas horas. A proposta teria caído dos US$ 136 milhões, informados na semana passada, para US$ 112 milhões, de acordo com os jornais bolivianos La Razón, de La Paz, e El Deber, de Santa Cruz de la Sierra. Assessores do ministro Villegas afirmaram, logo após a reunião, que a `nova proposta` da Petrobras era esperada, assim como a Bolívia também deverá melhor seu preço por esta compra (agora de 100% das duas refinarias) nas próximas horas. Não se descarta que Morales aumente `levemente` a proposta de US$ 60 milhões, com o argumento, para o público boliviano, de que as duas unidades são simbólicas na trajetória da nacionalização dos hidrocarbonetos no país. As duas refinarias - Gualberto Villaroel, em Cochabamba, e Guillermo Elder, em Santa Cruz - levam nomes de defensores históricos deste processo. Assessores de Morales recordaram, nesta quarta-feira, que ele é a favor do `diálogo` com o Brasil, como ele mesmo disse na véspera, mas que as refinarias são `muito importantes, em termos estratégicos` para fazer valer o decreto de nacionalização do petróleo e gás, assinado em maio do ano passado. `Todos nós queremos preço justo pelas refinarias`, disse um assessor de Morales, repetindo a palavra `justo` usada pelo presidente Lula ao se referir a esta venda. BBC BRASIL.com - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização escrita da BBC BRASIL.com. FONTE: Estado de São Paulo Em 09/05/2007