23/05/2007
O desenvolvimento econômico da cidade de Barra, a 680 km de Salvador, no oeste, está comprometido pelas péssimas condições da BA-160 e da BA-052 , que liga cidades ribeirinhas do São Francisco a Irecê, em um percurso de 83 km.
A situação da BA-160, por exemplo, se reflete em áreas como educação e saúde, bem como nas do turismo e comércio, atividades prejudicadas pelas dificuldades de acesso. Construída em 1997, a BA-160 diminui o percurso da viagem em 200 km entre Barra e Salvador, em relação ao trajeto antigo, via Ibotirama.Há pelo menos dois anos, os buracos começaram a surgir na pista.
Em fevereiro, a queda de uma cabeceira de ponte sobre o Rio Anjicos, no Km-70, piorou mais as condições de tráfego. No local, uma ponte foi improvisada, permitindo a passagem de carros pequenos e inviabilizando a passagem de caminhões e ônibus. De acordo com o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Meio Ambiente e Turismo de Barra, João Rogério Júnior, é difícil mensurar as perdas econômicas que o município de Barra está sofrendo. Ele afirma, no entanto, que é visível a queda violenta no movimento do comércio local.
Como exemplo o secretário cita que as frutas e verduras vendidas na tradicional feira ao lado do Mercado Municipal são originárias da região de Irecê. `Desde que o tráfego na BA-160 foi interrompido para caminhões e ônibus, os preços aumentaram e a qualidade dos produtos diminuiu`, destaca.
CONDIÇÕES - Quem trafega pela BA-160 enfrenta uma série de dificuldades.
Na BA-161, a situação não é diferente. Com 140 km de extensão, a rodovia, que liga Barra ao entroncamento com a BR-242, também tem trechos críticos de buracos, principalmente na região do município de Muquém do São Francisco. `O Derba iniciou a Operação Tapa-Buracos na BA-161, porém, paralisou os trabalhos`, afirma Francisco Xavier, que é diretor municipal de Indústria, Comércio e Turismo de Barra.
Nas duas rodovias há longos trechos sem cobertura de telefonia celular e poucas opções de telefone público. Segundo o motorista Altamiro Santos, `além do perigo de sofrer acidente nos buracos, a gente não tem como chamar por socorro`. `Acho que deveriam melhorar as condições de trafegabilidade das estradas e aumentar a cobertura da telefonia móvel`, diz o motor ista.
LIGAÇÃO - A BR-242, principal ligação do oeste do Estado com o litoral baiano, passou por melhorias nos últimos meses e vem facilitando a vida das pessoas que trafegam neste trecho. A rodovia é fundamental no escoamento da produção regional de grãos, que nesta safra alcançou 4.670.460 toneladas e tem como destino toda a região Nordeste e os portos para exportação dos produtos.
Segundo Vanir Kölln, presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Luís Eduardo Magalhães, a BR-242 melhorou muito em relação ao passado, `mas carece ainda da construção de pista dupla nas principais serras, para dar condições de tráfego, sem que os carros de passeio fiquem atrás das carretas, o que é perigoso`. `O governo deve ficar atento para não deixar sucatear, mantendo empresas realizando a Operação Tapa-Buracos e limpando as margens, pois a região, pelo volume de grãos que produz, merece estradas conservadas`, enfatiza o presidente do sindicato. Felício Leite, 63 anos, motorista há 33 anos, reconhece que a BR-242 está com a pista em bom estado, boa sinalização adequada e acostamento sem mato. `Há uma diferença em relação ao ano passado quando no máximo a gente andava 300, a 400 km por dia. Rodamos entre 600 a 700 km por dia. A viagem agora está muito segura e tranqüila`, diz Felício.
A expectativa dos produtores da região, no entanto, é a construção de uma ferrovia de acesso aos portos, ligando o oeste baiano até Brumado (onde já tem uma ferrovia), conectando a região produtora à ferrovia Norte/Sul, no Estado do Tocantins. Fonte: Jornal A Tarde MÍRIAM HERMES SUCURSAL BARREIRAS hmiriam@grupoatarde.com.br 2) Produção de grãos chega pela BR-242
A BR-242, principal ligação do oeste do Estado com o litoral baiano, passou por melhorias nos últimos meses e facilitou a vida dos motoristas que trafegam neste trecho. A rodovia é fundamental no escoamento da produção regional de grãos, que, nesta safra, alcançou 4.670.460 toneladas e tem como destino a região Nordeste e os portos para exportação. Em relação ao ano passado, destaca Vanir Kölin, presidente da Associação dos Produtores Rurais de Luís Eduardo Magalhães, a situação da rodovia é bem melhor.
Porém há outras vias que dificultam o escoamento de grãos e outros produtos dos municípios da região. Motorista há sete anos, Ivael Rodrigues, 25 anos, diz que as rodovias estaduais da região estão em péssimas condições. `As estradas para Angical, Cotegipe e Irecê, passando por Barra, estão dificultando nosso trabalho, pois tem lugar que a gente gasta oito horas para fazer 100 km.
Outro trecho ruim é de Ibotirama para Bom Jesus da Lapa e de Serra Dourada até Santa Maria da Vitória, onde gastamos quatro horas para percorrer 40 km. Não existe mais estrada, só crateras`, indica.
Já o motorista Mauro Cardoso, 48 anos, na profissão há 20 anos, destaca que o acesso a Santa Rita de Cássia está comprometido por buracos, o que facilita a ação de bandidos, que atacam motoristas e roubam cargas. Na região oeste, entretanto, a rodovia estadual conhecida como Anel da Soja está sendo recuperada e, segundo os produtores e motoristas, já apresenta melhores condições de escoamento da produção.
3) Buraqueira dificulta o acesso a cidades na região sul do Estado
O quadro das rodovias estaduais no sul da Bahia é desolador.
Buracos cobrem a pista e algumas rodovias já nem têm asfalto. Sinalização vertical ou horizontal é raridade. Quando chove, trafegar é quase um pesadelo, porque os veículos `patinam` no lamaçal. Nos dias de sol, a poeira atrapalha a visão, e os acidentes, devido a animais na pista, são constantes. Na maioria das estradas, não há sinal de celular para pedir socorro. À noite, o perigo dobra com os assaltos.
Nos dados da Polícia Rodoviária Estadual, apenas as rodovias BA415, 262 e 130 registram grande número de acidentes, devido ao intenso tráfego na ligação com a região sudoeste.
Os 42 kmda 415, entre Itabuna e Ibicaraí, só têm buraco. Seguindo até Floresta Azul, são 9 km ainda mais difíceis, sem sinalização. A viagem melhora nos 36 km da BA-162 até Firmino Alves, que estão sendo recuperados. Esta área integra uma importante bacia leiteira, afetada pela precariedade das estradas.
Quem bem conhece esta dura realidade são os 18.412 moradores de Maraú, a 428 km de Salvador. Os 60 km da BA-030 estão intransitáveis, até mesmo para tratores. Em condições normais, o percurso é feito em 40 minutos. Hoje, são mais de três horas. O acesso à cidade vem sendo realizado de barco, via Camamu ou Itacaré.
Comerciantes protestam pela dificuldade de abastecimento e está difícil escoar a produção de minério, dendê e piaçava.
O prefeito José Lemos (PMDB) decretou estado de emergência e pediu socorro ao chefe da residência do Departamento de Estradas e Rodagens (Derba) em Itabuna, Almiro Mendes Neto. Maraú é um dos mais belos recortes turísticos na Costa do Cacau, com praias paradisíacas.
Porém, perde divisas por causa das dificuldades de acesso, segundo o prefeito. Importante para o setor turístico, a BA-270, que liga Santa Luzia a Canavieiras, tem 74 km esburacados.
A estrada integra um corredor de cidades turísticas do sul e extremo sul e reduz o percurso para o visitante que vem do Sul do País. Entretanto, muitos preferem rodar mais 245 km por uma rodovia bem-pavimentada, passando por Itabuna e Ilhéus, até chegar Canavieiras.
Os 15 mil moradores de Santa Cruz da Vitória e Itaju do Colônia penam há quase dez anos na buraqueira na BA-667.
Os dois municípios integram uma grande bacia leiteira, mesmo assim, agricultores e pecuaristas sofrem para escoar seus produtos dos municípios até os destinos.
Fonte: Jornal A Tarde
(ANA CRISTINA OLIVEIRA)
SUCURSAL ITABUNA
anaco@grupoatarde.com.br
Em 23/05/2007
A situação da BA-160, por exemplo, se reflete em áreas como educação e saúde, bem como nas do turismo e comércio, atividades prejudicadas pelas dificuldades de acesso. Construída em 1997, a BA-160 diminui o percurso da viagem em 200 km entre Barra e Salvador, em relação ao trajeto antigo, via Ibotirama.Há pelo menos dois anos, os buracos começaram a surgir na pista.
Em fevereiro, a queda de uma cabeceira de ponte sobre o Rio Anjicos, no Km-70, piorou mais as condições de tráfego. No local, uma ponte foi improvisada, permitindo a passagem de carros pequenos e inviabilizando a passagem de caminhões e ônibus. De acordo com o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Meio Ambiente e Turismo de Barra, João Rogério Júnior, é difícil mensurar as perdas econômicas que o município de Barra está sofrendo. Ele afirma, no entanto, que é visível a queda violenta no movimento do comércio local.
Como exemplo o secretário cita que as frutas e verduras vendidas na tradicional feira ao lado do Mercado Municipal são originárias da região de Irecê. `Desde que o tráfego na BA-160 foi interrompido para caminhões e ônibus, os preços aumentaram e a qualidade dos produtos diminuiu`, destaca.
CONDIÇÕES - Quem trafega pela BA-160 enfrenta uma série de dificuldades.
Na BA-161, a situação não é diferente. Com 140 km de extensão, a rodovia, que liga Barra ao entroncamento com a BR-242, também tem trechos críticos de buracos, principalmente na região do município de Muquém do São Francisco. `O Derba iniciou a Operação Tapa-Buracos na BA-161, porém, paralisou os trabalhos`, afirma Francisco Xavier, que é diretor municipal de Indústria, Comércio e Turismo de Barra.
Nas duas rodovias há longos trechos sem cobertura de telefonia celular e poucas opções de telefone público. Segundo o motorista Altamiro Santos, `além do perigo de sofrer acidente nos buracos, a gente não tem como chamar por socorro`. `Acho que deveriam melhorar as condições de trafegabilidade das estradas e aumentar a cobertura da telefonia móvel`, diz o motor ista.
LIGAÇÃO - A BR-242, principal ligação do oeste do Estado com o litoral baiano, passou por melhorias nos últimos meses e vem facilitando a vida das pessoas que trafegam neste trecho. A rodovia é fundamental no escoamento da produção regional de grãos, que nesta safra alcançou 4.670.460 toneladas e tem como destino toda a região Nordeste e os portos para exportação dos produtos.
Segundo Vanir Kölln, presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Luís Eduardo Magalhães, a BR-242 melhorou muito em relação ao passado, `mas carece ainda da construção de pista dupla nas principais serras, para dar condições de tráfego, sem que os carros de passeio fiquem atrás das carretas, o que é perigoso`. `O governo deve ficar atento para não deixar sucatear, mantendo empresas realizando a Operação Tapa-Buracos e limpando as margens, pois a região, pelo volume de grãos que produz, merece estradas conservadas`, enfatiza o presidente do sindicato. Felício Leite, 63 anos, motorista há 33 anos, reconhece que a BR-242 está com a pista em bom estado, boa sinalização adequada e acostamento sem mato. `Há uma diferença em relação ao ano passado quando no máximo a gente andava 300, a 400 km por dia. Rodamos entre 600 a 700 km por dia. A viagem agora está muito segura e tranqüila`, diz Felício.
A expectativa dos produtores da região, no entanto, é a construção de uma ferrovia de acesso aos portos, ligando o oeste baiano até Brumado (onde já tem uma ferrovia), conectando a região produtora à ferrovia Norte/Sul, no Estado do Tocantins. Fonte: Jornal A Tarde MÍRIAM HERMES SUCURSAL BARREIRAS hmiriam@grupoatarde.com.br 2) Produção de grãos chega pela BR-242
A BR-242, principal ligação do oeste do Estado com o litoral baiano, passou por melhorias nos últimos meses e facilitou a vida dos motoristas que trafegam neste trecho. A rodovia é fundamental no escoamento da produção regional de grãos, que, nesta safra, alcançou 4.670.460 toneladas e tem como destino a região Nordeste e os portos para exportação. Em relação ao ano passado, destaca Vanir Kölin, presidente da Associação dos Produtores Rurais de Luís Eduardo Magalhães, a situação da rodovia é bem melhor.
Porém há outras vias que dificultam o escoamento de grãos e outros produtos dos municípios da região. Motorista há sete anos, Ivael Rodrigues, 25 anos, diz que as rodovias estaduais da região estão em péssimas condições. `As estradas para Angical, Cotegipe e Irecê, passando por Barra, estão dificultando nosso trabalho, pois tem lugar que a gente gasta oito horas para fazer 100 km.
Outro trecho ruim é de Ibotirama para Bom Jesus da Lapa e de Serra Dourada até Santa Maria da Vitória, onde gastamos quatro horas para percorrer 40 km. Não existe mais estrada, só crateras`, indica.
Já o motorista Mauro Cardoso, 48 anos, na profissão há 20 anos, destaca que o acesso a Santa Rita de Cássia está comprometido por buracos, o que facilita a ação de bandidos, que atacam motoristas e roubam cargas. Na região oeste, entretanto, a rodovia estadual conhecida como Anel da Soja está sendo recuperada e, segundo os produtores e motoristas, já apresenta melhores condições de escoamento da produção.
3) Buraqueira dificulta o acesso a cidades na região sul do Estado
O quadro das rodovias estaduais no sul da Bahia é desolador.
Buracos cobrem a pista e algumas rodovias já nem têm asfalto. Sinalização vertical ou horizontal é raridade. Quando chove, trafegar é quase um pesadelo, porque os veículos `patinam` no lamaçal. Nos dias de sol, a poeira atrapalha a visão, e os acidentes, devido a animais na pista, são constantes. Na maioria das estradas, não há sinal de celular para pedir socorro. À noite, o perigo dobra com os assaltos.
Nos dados da Polícia Rodoviária Estadual, apenas as rodovias BA415, 262 e 130 registram grande número de acidentes, devido ao intenso tráfego na ligação com a região sudoeste.
Os 42 kmda 415, entre Itabuna e Ibicaraí, só têm buraco. Seguindo até Floresta Azul, são 9 km ainda mais difíceis, sem sinalização. A viagem melhora nos 36 km da BA-162 até Firmino Alves, que estão sendo recuperados. Esta área integra uma importante bacia leiteira, afetada pela precariedade das estradas.
Quem bem conhece esta dura realidade são os 18.412 moradores de Maraú, a 428 km de Salvador. Os 60 km da BA-030 estão intransitáveis, até mesmo para tratores. Em condições normais, o percurso é feito em 40 minutos. Hoje, são mais de três horas. O acesso à cidade vem sendo realizado de barco, via Camamu ou Itacaré.
Comerciantes protestam pela dificuldade de abastecimento e está difícil escoar a produção de minério, dendê e piaçava.
O prefeito José Lemos (PMDB) decretou estado de emergência e pediu socorro ao chefe da residência do Departamento de Estradas e Rodagens (Derba) em Itabuna, Almiro Mendes Neto. Maraú é um dos mais belos recortes turísticos na Costa do Cacau, com praias paradisíacas.
Porém, perde divisas por causa das dificuldades de acesso, segundo o prefeito. Importante para o setor turístico, a BA-270, que liga Santa Luzia a Canavieiras, tem 74 km esburacados.
A estrada integra um corredor de cidades turísticas do sul e extremo sul e reduz o percurso para o visitante que vem do Sul do País. Entretanto, muitos preferem rodar mais 245 km por uma rodovia bem-pavimentada, passando por Itabuna e Ilhéus, até chegar Canavieiras.
Os 15 mil moradores de Santa Cruz da Vitória e Itaju do Colônia penam há quase dez anos na buraqueira na BA-667.
Os dois municípios integram uma grande bacia leiteira, mesmo assim, agricultores e pecuaristas sofrem para escoar seus produtos dos municípios até os destinos.
Fonte: Jornal A Tarde
(ANA CRISTINA OLIVEIRA)
SUCURSAL ITABUNA
anaco@grupoatarde.com.br
Em 23/05/2007