Analistas questionam meta de 4,5% para 2009

27/06/2007
A decisão do Conselho Monetário Nacional (CMN) de manter a meta de inflação em 4,5% para 2009 pode comprometer as expectativas de inflação no longo prazo. Embora a decisão já fosse esperada, analistas consideram que o mais adequado seria o País aproveitar o bom momento e sinalizar que tem como meta uma inflação mais perto dos patamares internacionais, entre 3% e 4%.

`Seria importante que o Brasil sinalizasse que persegue uma inflação menor no longo prazo, o que poderia ser feito baixando o centro da meta`, avalia Vladimir Caramaschi, economista-chefe da corretora Fator. O fato de o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ter dito que, embora a meta fosse 4,5%, o BC na prática teria como alvo `desejável` os 4% também foi criticada. `Este tipo de comunicação é ruim, pouco clara e passa a impressão que existem uma meta oficial e outra extra-oficial` diz Caramaschi.

O economista-chefe da corretora Liquidez, Marcelo Voss, também considera 4% mais adequados. `O Brasil já tem condições de conviver com uma inflação mais próxima de outros emergentes, sem comprometer o crescimento`, diz Voss. Os investidores em juros futuros, negociados na BM&F, mais atentos hoje à cena externa deram pouca importância à decisão do CMN. O DI de janeiro de 2010, o mais negociado, apontou taxa anual de 10,75%, ante 10,77% do último ajuste. Outubro deste ano mostrou taxa anual de 11,51%, contra 11,54% do fechamento anterior.

No câmbio, o dólar continua refletindo a maior aversão ao risco das bolsas de valores, em semana de reunião do Fed. Ontem, o dólar subiu 0,10%, cotada R$ 1,954. O BC comprou moeda a R$ 1,953 para as reservas, que estão em US$ 144 bilhões. Só em abril, o BC comprou US$ 11 bilhões para as reservas, valor recorde para um único mês. O risco-país voltou a subir 1,49%, a 156 pontos-base. A Bovespa caiu 0,35%, a 53.851 pontos.

Fonte: Gazeta Mercantil

Jiane Carvalho

27/6/2007.