Indústria naval terá investimento de R$1,5 bi na Bahia

07/05/2008
Apesar do potencial do estado, durante muito tempo a indústria naval da Bahia ficou estagnada. Agora, o setor parece dar sinais de retomada, despontando novamente no cenário nacional. De acordo com informações da Secretaria da Indústria, Comércio e Mineração (SICM), o estado está captando recursos privados para a implantação de quatro estaleiros. Os investimentos estimados são da ordem de R$1,5 bilhão e podem gerar cerca de 11 mil empregos.

`Não podemos divulgar os nomes das empresas interessadas, mas posso adiantar que são quatro instituições brasileiras que já atuam com estaleiros em outros estados`, adianta o chefe de gabinete da SICM, Antônio Carlos Matias. Segundo o dirigente, no prazo máximo de 60 dias, os locais onde serão instalados os empreendimentos devem ser definidos, mas a Baía de Aratu e São Roque do Paraguaçu, em Maragogipe, estão entre os pontos mais prováveis. Ele diz que os estaleiros vão atender a Petrobras, e, além de construir navios e plataformas, vão realizar reparos nas embarcações da estatal. Quanto à previsão de início das obras, ele afirma que projetos deste porte normalmente demoram um ano para começar.

Os futuros investimentos na indústria naval baiana vêm a calhar com a informação de que a Petrobras prevê realizar uma megalicitação para a construção de 146 embarcações de apoio marítimo para as operações de exploração e produção até 2014. O diretor de abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, chegou a declarar, em março deste ano, que os navios terão que ser construídos no Brasil, já que esse tipo de embarcação permite a participação de estaleiros menores na concorrência. Ele acredita que as licitações poderão ser feitas ainda esse ano e o primeiro navio ficará pronto no fim de 2009. A encomenda deverá totalizar investimentos de cerca de R$10 bilhões, segundo estimativas do mercado.

*** Protocolos somam R$6,7 bi

A Bahia deve receber mais R$6,7 bilhões em investimentos industriais. Esta é a previsão da Secretaria estadual da Indústria, Comércio e Mineração (SICM), tomando como base os protocolos de intenção assinados este ano e ainda os que estão em análise pelo governo. Mesmo com o volume anunciado, até agora somente 15 dos 92 projetos foram confirmados, o que totaliza investimentos de pouco mais de R$100 milhões, com a previsão de gerar 1.180 novos empregos.

Dentre as 15 indústrias, cuja instalação já está confirmada, os maiores investimentos serão instalados no município de Camaçari: uma fábrica de armazenagem e logística, no valor de R$55 milhões e com previsão de gerar 300 empregos, e uma indústria de argamassas e rejuntes, com investimentos de R$13 milhões e geração de 50 empregos. Apesar dos investimentos já terem sido divulgados, a SICM não revelou o nome das empresas.

O chefe de gabinete da secretaria, Antônio Carlos Matias, prefere informar apenas que, além dos protocolos já assinados, outros 77 estão em fase de assinatura. `Deste total, 39 são projetos pendentes do ano passado e 22 são projetos da área energética. Tudo demandará recursos da ordem de R$6,6 bilhões`, explica. De acordo com o dirigente, a demora na assinatura desses protocolos é devido ao processo burocrático que o mesmo está inserido. `Têm projetos que requer a assinatura de vários representantes`, justifica Matias.

Quantos aos 69 protocolos de intenções assinados pelo governo estadual no ano passado - que podem resultar em investimentos de R$8,5 bilhões e previsão de 11.134 empregos -, apenas um nome foi informado, o da Bahia Mineração (BML), que pretende concluir em 2010 a primeira etapa do projeto na área de ocorrência de minério de ferro em Caetité. Vale ressaltar que esse empreendimento representa mais da metade dos investimentos garantidos para o setor de mineração no ano passado, R$3,7 bilhões dos R$5,3 bilhões.

Repórter: Graciela Alvarez

Fonte: Correio da Bahia

Em 7/05/2008.