23/03/2009
A Gol Linhas Aéreas anunciou um aumento de capital no valor de R$ 203,5 milhões na madrugada de sábado, junto com a apresentação dos seus resultados do quarto trimestre e do ano todo de 2008 - o primeiro anual com prejuízo desde que a companhia aérea estreou na bolsa de valores em 2004.
Para a operação, a empresa emitirá 26,1 milhões de ações - cerca de 6,6 milhões de ordinárias (com direito a voto) e 19,5 milhões de preferenciais (sem direito a voto) - a R$ 7,80 cada, que é o preço de fechamento no pregão de sexta-feira. A Gol destaca que esse valor equivale a 91% da cotação média das ações preferenciais nos últimos 30 pregões. Os acionistas têm até o dia 23 de abril para exercer o direito de preferência nessa emissão. O fundo Asas, da família Constantino, controla 74% do capital total e a totalidade das ordinárias.
A injeção de dinheiro novo deve fortalecer a estrutura de capital da companhia, elevando a proporção de capital próprio em relação aos recursos de terceiros, e ajudar a fazer frente aos planos de expansão de curto e longo prazo.
O aporte também melhorará a situação patrimonial da companhia, que no último ano se deteriorou com os consecutivos prejuízos. De 2007 para 2008, por exemplo, o patrimônio líquido da Gol caiu quase 60%, de R$ 2,5 bilhões para R$ 1,0 bilhão. A conta de lucros acumulados, que era de R$ 1,2 bilhão em 2007, reverteu-se no ano passado para prejuízos acumulados no total de R$ 273,8 milhões.
Em 2008, as oscilações recordes do petróleo mais a desaceleração da demanda e a desvalorização do real em meio à crise atingiram em cheio as companhias aéreas.
A Gol registrou um prejuízo líquido de R$ 687 milhões no quarto trimestre de 2008, frente perda de R$ 6,5 milhões no mesmo período de 2007. No ano, apesar de a receita líquida ter avançado quase 30%, o prejuízo somou R$ 1,4 bilhão, ante lucro de R$ 272,3 milhões em 2007.
Os números apresentados seguem, pela primeira vez, as regras internacionais de contabilidade (IFRS, na sigla em inglês). A Gol também preparou o balanço pelas regras brasileiras ajustadas à Lei 11.638, que levará o país à adoção completa do IFRS em 2010.
Se os resultados tivessem sido aferidos conforme a antiga contabilidade, o perda da Gol em 2008 teria sido de R$ 1,1 bilhão, um pouco menor. Mesmo assim, seria o pior resultado da história da empresa aérea, que até o ano passado só colecionava lucros anuais.
Pelo IFRS, no quarto trimestre doa no passado a companhia aérea elevou sua receita líquida em 5,2%, para R$ 1,5 bilhão, e reduziu os custos e despesas ligados à atividade em 3,6%. Assim, conseguiu um resultado da atividade positivo em R$ 53,8 milhões, contra perda de R$ 78,2 no mesmo período de 2007. A melhora operacional já era esperada por analistas de mercado e foi ajudada pela queda do petróleo entre outubro e dezembro.
O baque veio do resultado financeiro, negativo em R$ 700,6 milhões, contra ganho de R$ 54 milhões em 2007. Do total, quase R$ 502 milhões são resultado de perda - sem efeito caixa - com a intensa valorização do dólar após meados de setembro, uma vez que boa parte da dívida da companhia aérea está atrelada à moeda americana. Perdas com hedge de combustível e aumento do pagamento de juros também estão incluídos na conta financeira.
Num evento recente, o presidente da Gol, Constantino de Oliveira Jr., disse que 2009 será um ano difícil e o desafio será `fechar as contas`. Junto com seus resultados de 2008, a Gol reviu a projeção de crescimento de tráfego aéreo para este ano de 6% para o intervalo entre 2% e 4%.
Autor(es): Roberta Campassi
Valor Econômico - 23/03/2009.
Para a operação, a empresa emitirá 26,1 milhões de ações - cerca de 6,6 milhões de ordinárias (com direito a voto) e 19,5 milhões de preferenciais (sem direito a voto) - a R$ 7,80 cada, que é o preço de fechamento no pregão de sexta-feira. A Gol destaca que esse valor equivale a 91% da cotação média das ações preferenciais nos últimos 30 pregões. Os acionistas têm até o dia 23 de abril para exercer o direito de preferência nessa emissão. O fundo Asas, da família Constantino, controla 74% do capital total e a totalidade das ordinárias.
A injeção de dinheiro novo deve fortalecer a estrutura de capital da companhia, elevando a proporção de capital próprio em relação aos recursos de terceiros, e ajudar a fazer frente aos planos de expansão de curto e longo prazo.
O aporte também melhorará a situação patrimonial da companhia, que no último ano se deteriorou com os consecutivos prejuízos. De 2007 para 2008, por exemplo, o patrimônio líquido da Gol caiu quase 60%, de R$ 2,5 bilhões para R$ 1,0 bilhão. A conta de lucros acumulados, que era de R$ 1,2 bilhão em 2007, reverteu-se no ano passado para prejuízos acumulados no total de R$ 273,8 milhões.
Em 2008, as oscilações recordes do petróleo mais a desaceleração da demanda e a desvalorização do real em meio à crise atingiram em cheio as companhias aéreas.
A Gol registrou um prejuízo líquido de R$ 687 milhões no quarto trimestre de 2008, frente perda de R$ 6,5 milhões no mesmo período de 2007. No ano, apesar de a receita líquida ter avançado quase 30%, o prejuízo somou R$ 1,4 bilhão, ante lucro de R$ 272,3 milhões em 2007.
Os números apresentados seguem, pela primeira vez, as regras internacionais de contabilidade (IFRS, na sigla em inglês). A Gol também preparou o balanço pelas regras brasileiras ajustadas à Lei 11.638, que levará o país à adoção completa do IFRS em 2010.
Se os resultados tivessem sido aferidos conforme a antiga contabilidade, o perda da Gol em 2008 teria sido de R$ 1,1 bilhão, um pouco menor. Mesmo assim, seria o pior resultado da história da empresa aérea, que até o ano passado só colecionava lucros anuais.
Pelo IFRS, no quarto trimestre doa no passado a companhia aérea elevou sua receita líquida em 5,2%, para R$ 1,5 bilhão, e reduziu os custos e despesas ligados à atividade em 3,6%. Assim, conseguiu um resultado da atividade positivo em R$ 53,8 milhões, contra perda de R$ 78,2 no mesmo período de 2007. A melhora operacional já era esperada por analistas de mercado e foi ajudada pela queda do petróleo entre outubro e dezembro.
O baque veio do resultado financeiro, negativo em R$ 700,6 milhões, contra ganho de R$ 54 milhões em 2007. Do total, quase R$ 502 milhões são resultado de perda - sem efeito caixa - com a intensa valorização do dólar após meados de setembro, uma vez que boa parte da dívida da companhia aérea está atrelada à moeda americana. Perdas com hedge de combustível e aumento do pagamento de juros também estão incluídos na conta financeira.
Num evento recente, o presidente da Gol, Constantino de Oliveira Jr., disse que 2009 será um ano difícil e o desafio será `fechar as contas`. Junto com seus resultados de 2008, a Gol reviu a projeção de crescimento de tráfego aéreo para este ano de 6% para o intervalo entre 2% e 4%.
Autor(es): Roberta Campassi
Valor Econômico - 23/03/2009.