Bahia pede obras em todos os setores

07/03/2007
Se os pleitos formulados pelo governo baiano no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) forem viabilizados, algumas velhas aspirações da Bahia, sempre reivindicadas e nunca atendidas, finalmente se tornarão realidade. Uma delas é o contorno ferroviário de Cachoeira e São Félix, o chamado `gargalo do Paraguaçu`, que historicamente, além de infernizar a vida das duas cidades, também entrava o transporte ferroviário no Estado.

Outra é a Barragem de Cristalândia, em Brumado, que será erguida numa dimensão bem maior do que a atual, ao custo de R$ 90 milhões. O miolo da malha urbana de Salvador, cronicamente relegado a segundo plano no que diz respeito a saneamento, também terá outro tratamento. Os 18 pontos críticos já foram identificados e a primeira leva de projetos enviada a Brasília abocanhará a maior parte dos R$ 780 milhões do setor de saneamento e habitação.

ENERGIA - Segundo a secretária da Casa Civil do governo estadual, Eva Maria Della Cella Dal Chavon, no setor de transportes as obras previstas nas BRs 101, 116 e 324, por exemplo, são de recuperação, mas em outras situações, como o contorno de Cachoeira e a ferrovia ligando Camaçari ao Porto de Aratu, as obras são inteiramente novas.

O pacote de reivindicações baianas inclui projetos em todos os setores. No da energia, por exemplo, a instalação de mais uma usina de biodiesel. `O PAC é um conjunto de ações do qual as obras físicas são parte. Prevê a valorização do salário mínimo, a redução da tabela do Imposto de Renda, com o propósito de aumentar o poder aquisitivo da população. No caso da usina de biodiesel, por exemplo, há o aspecto da plantação das leguminosas como a soja e a mamona, o que pode ser feito com pequenos produtores e assentamentos da reforma agrária`, lembrou ela.

ESTRATÉGIA - Segundo a secretária, o PAC tem como estratégia básica promover o crescimento através de investimentos na infra-estrutura logística (estradas e ferrovias), na energética (geração e distribuição) e, a novidade, a infra-estrutura social e urbana, o que inclui desde a urbanização e saneamento de favelas até a conclusão do metrô de Salvador, conforme o projeto original, até Pirajá. A parte que está sendo executada hoje vai até a Rótula do Abacaxi.

`O governador tem nos orientado a intensificar a produção de bons projetos. É como disse o presidente Lula, às vezes o que falta não é dinheiro e sim bons projetos. E o banco de projetos que encontramos é precário`, afirmou. A secretária ressalta que dos R$ 170,8 bilhões previstos para investimentos do PAC até 2010, o Nordeste deve ser contemplado com R$ 43,7 bilhões. E a Bahia tem potencialidades para captar boa parte desses recursos. Cita que entre 1990 e 2005 o PIB do Brasil cresceu 38,46% enquanto o baiano foi de 53,43%. Mas a população de baixa renda não viu os benefícios desse crescimento.

A Tarde

Repórter Levi Vasconcelos

06/03/07