Programa de alfabetização é lançado na Bahia

10/05/2007
Mais de 30% da população baiana de 285 municípios é analfabeta. O índice de analfabetismo adulto chega a ser o maior do Brasil em termos absolutos, correspondendo a 20% da população do estado. O quadro se torna mais grave no campo, onde 31,6% das pessoas não sabem ler e escrever. Em todo o Brasil existem 15 milhões de pessoas acima dos 15 anos nessa situação.

Por conta de números como esses, que segundo especialistas não podem corresponder a um país que tem metas de desenvolvimento, os governos federal e estadual lançaram ontem o Programa Estadual de Alfabetização e o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE). Diante dessa realidade, o governador Jaques Wagner disse que essa é uma marca que o governo atual deseja apagar da história. `Em quatro anos devemos atingir a meta de um milhão de alfabetizados na Bahia`, declarou.

O programa chamado de Topa - Todos pela Educação, tem o objetivo de reduzir, no mínimo em 50%, o índice de analfabetismo de adultos a partir de 15 anos. Por apresentar o maior percentual de analfabetismo do país, a região Nordeste terá os primeiros investimentos do programa.

Na Bahia, um prêmio servirá de estímulo para o alcance da meta de redução desses dados. O Prêmio Cosme de Farias vai reconhecer as prefeituras que mais conseguirem diminuir o índice de analfabetismo. O nome do prêmio faz uma homenagem a um dos combatentes da causa na Bahia e criador da Liga contra o analfabetismo.

Ontem, durante a assinatura dos decretos referentes aos programas, no Centro de Convenções da Bahia foi exposto a metodologia do programa e os investimentos que devem ser feitos até o final da década. Uma das metas apresentadas pelo secretário de Alfabetização do Ministério da Educação, Ricardo Henriques, é aumentar a responsabilidade dos estados e municípios, onde 80% dos recursos serão partilhados entre as duas esferas. De acordo com Henriques, antes os programas relacionados a educação tratavam o assunto, como um problema essencialmente social. `Nossa visão agora é de que esse é um problema simultaneamente educacional e social`, enfatizou. No Brasil apenas, 64 municípios, ou seja 1,2%, tem menos de 4% na taxa de analfabetismo. Segundo o secretário o governo quer dá ênfase ao trabalho de professores das redes públicas de ensino na alfabetização, onde no mínimo 75% do professorado deve ser das redes. Eles receberão pagamento de bolsas equivalentes a R$200 por mês em cima do salário e os coordenadores devem receber R$300.

Na formação inicial a carga horária também sofrerá mudanças com o aumento para 60 horas. `Um dos desejos é que as universidades federais que estão em torno dos municípios com altas taxas de analfabetismo ajudem `, destacou informando ainda questões como o Programa Nacional do Livro Didático e a distribuição de óculos para alunos com deficiência visual.

O ministro da Educação, Fernando Haddad, disse em entrevista coletiva no Centro de Convenções, que pela primeira vez o país tem uma meta de qualidade e não de quantidade `e o governo está abandonando aquela postura passiva de esperar projetos das mãos dos prefeitos e governadores. Dessa vez nós é que estamos indo aos municípios`.

Segundo Haddad, existem recursos da união para financiar o plano que está há mais de cem anos atrasado. Ele destacou ainda que o Brasil enfrentou vários desafios, como a implantação da democracia e a estabilidade econômica e que esse é mais um desafio a ser enfrentado. O ministro citou como novidades do programa, as transformações na metodologia e o deslocamento dos professores da rede pública. O recurso global anunciado para o programa é de R$315 milhões, dos quais 80% serão transferidos aos estados e municípios, o que representa um repasse de R$252 milhões.

Na Bahia, somente em 2007 serão investidos no programa Topa, cerca de R$13 milhões. O secretário estadual de Educação Adeum Sauer foi mais longe na questão quando assumiu que a reversão do quadro é uma responsabilidade do governo, junto com a União, os municípios e a sociedade civil. Ele frisou que os dados demonstram o descaso histórico sofrido pela população baiana.

Fonte: Jornal Tribuna da Bahia

Repórter: Lilian Machado

10/05/07