08/10/2007
Pela primeira vez, a Bahia recebe o Festival Internacional de Arte Eletrônica Sesc Videobrasil, com uma itinerância pensada especificamente para o Estado. O evento, considerado o maior festival de arte eletrônica da América Latina, chega a Salvador com uma estrutura exclusiva e terá, amanhã, às 21 horas, uma abertura inusitada e de acordo com a temática local: uma lavagem conceitual das escadarias da Capela do Museu de Arte Moderna da Bahia - MAM, na Av. Contorno, que traz ao festival a discussão sobre a existência de uma possível crise de baianidade.
Idealizada pelo artista plástico e videomaker Marcondes Dourado, a performance inédita L avagem da Capela do MAM dá início aos nove dias de atividades que englobam outras performances, seminários e a vinda a Salvador de artistas internacionais.
Na programação baiana do Videobrasil , palestras e obras de artistas como o alemão Marcel Odenbach, pioneiro da arte em vídeo; e Kenneth Anger, um dos inventores do cinema underground americano. Também haverá a exibição de três longas-metragens inéditos do cineasta britânico Peter Greenaway, da série Tulse Luper Suitcasese.
EXPANSÃO - O evento traz, ainda, uma grande retrospectiva de videoarte e obras da mostra competitiva Panoramas do Sul.
`O movimento de expansão do festival não obedece só ao desejo de ampliar o público que tem acesso ao seu conteúdo, mas também de estimular a produção artística do Nordeste, atualizando nossas visões da arte contemporânea`, declara Solange Farkas, diretora da Associação Cultural Videobrasil, à frente do festival, e do Museu de Arte Moderna da Bahia. OVideobrasil tem por tema este ano o longa-metragem referencial Limite, do cineasta brasileiro Mario Peixoto, tomado pelo evento como `uma obra-acontecimento, responsável por introduzir no cinema e no audiovisual brasileiros toda ordem de hibridações e estratégias de experimentação da imagem`, explica Solange.
ARTE SAGRADA - A proposta de Marcondes com a lavagem que abre o festival é quase uma aplicação prática da Escola de Frankfurt à cultura baiana, usando conceitos do teórico alemão Walter Benjamim.
Benjamim, em seu ensaio A Obra de Arte na Era de sua Reprodutibilidade Técnica [1936] fala que a reprodução do artístico ou sagrado o leva a perder a sua aura, ou razão de ser. `O conceito da lavagem das escadarias é para dar a idéia de como os nossos ícones estão desgastados, como usamos e abusamos da nossa baianidade, repetindo, de maneira leviana, comercial e turística, toda a nossa tradição`, critica o artista baiano.
`A manifestação da lavagem me inspirou como uma reflexão do mundo globalizado, onde acontece o Bonfim Light, por exemplo`, continua Dourado. `Nós desdobramos a esse nível de comercialização nossas tradições. Os elementos religiosos estão sendo usados em toda parte e de todas as maneiras.
Acredito que a arte é sagrada e pode discutir essas questões, o que liga o comercial com as tradições, e as relações de economia, cultura e tradição`.
CRUZ DE SONRISAL - E a performance tenta traduzir isso. Serão cinco baianas com uma garrafa pet de Fanta, de 2 litros, na cabeça, fazendo a lavagem da capela. Mais: o performer e videoartista Marcondes Dourado não revela tudo, mas adianta algo com uma dica: `Vai haver uma cruz construída de Sonrisal que vai ser dissolvida`.
`E como vai ser uma lavagem interna, os excluídos vão ter acesso à igreja, rompendo a tradição dos escravos, que eram excluídos das cerimônias, e lavar as escadarias era uma forma de se inserir, além de demonstrar generosidade`, completa ele.
Fonte:Jornal A Tarde - Caderno 2 08/10/07
Idealizada pelo artista plástico e videomaker Marcondes Dourado, a performance inédita L avagem da Capela do MAM dá início aos nove dias de atividades que englobam outras performances, seminários e a vinda a Salvador de artistas internacionais.
Na programação baiana do Videobrasil , palestras e obras de artistas como o alemão Marcel Odenbach, pioneiro da arte em vídeo; e Kenneth Anger, um dos inventores do cinema underground americano. Também haverá a exibição de três longas-metragens inéditos do cineasta britânico Peter Greenaway, da série Tulse Luper Suitcasese.
EXPANSÃO - O evento traz, ainda, uma grande retrospectiva de videoarte e obras da mostra competitiva Panoramas do Sul.
`O movimento de expansão do festival não obedece só ao desejo de ampliar o público que tem acesso ao seu conteúdo, mas também de estimular a produção artística do Nordeste, atualizando nossas visões da arte contemporânea`, declara Solange Farkas, diretora da Associação Cultural Videobrasil, à frente do festival, e do Museu de Arte Moderna da Bahia. OVideobrasil tem por tema este ano o longa-metragem referencial Limite, do cineasta brasileiro Mario Peixoto, tomado pelo evento como `uma obra-acontecimento, responsável por introduzir no cinema e no audiovisual brasileiros toda ordem de hibridações e estratégias de experimentação da imagem`, explica Solange.
ARTE SAGRADA - A proposta de Marcondes com a lavagem que abre o festival é quase uma aplicação prática da Escola de Frankfurt à cultura baiana, usando conceitos do teórico alemão Walter Benjamim.
Benjamim, em seu ensaio A Obra de Arte na Era de sua Reprodutibilidade Técnica [1936] fala que a reprodução do artístico ou sagrado o leva a perder a sua aura, ou razão de ser. `O conceito da lavagem das escadarias é para dar a idéia de como os nossos ícones estão desgastados, como usamos e abusamos da nossa baianidade, repetindo, de maneira leviana, comercial e turística, toda a nossa tradição`, critica o artista baiano.
`A manifestação da lavagem me inspirou como uma reflexão do mundo globalizado, onde acontece o Bonfim Light, por exemplo`, continua Dourado. `Nós desdobramos a esse nível de comercialização nossas tradições. Os elementos religiosos estão sendo usados em toda parte e de todas as maneiras.
Acredito que a arte é sagrada e pode discutir essas questões, o que liga o comercial com as tradições, e as relações de economia, cultura e tradição`.
CRUZ DE SONRISAL - E a performance tenta traduzir isso. Serão cinco baianas com uma garrafa pet de Fanta, de 2 litros, na cabeça, fazendo a lavagem da capela. Mais: o performer e videoartista Marcondes Dourado não revela tudo, mas adianta algo com uma dica: `Vai haver uma cruz construída de Sonrisal que vai ser dissolvida`.
`E como vai ser uma lavagem interna, os excluídos vão ter acesso à igreja, rompendo a tradição dos escravos, que eram excluídos das cerimônias, e lavar as escadarias era uma forma de se inserir, além de demonstrar generosidade`, completa ele.
Fonte:Jornal A Tarde - Caderno 2 08/10/07