Sesab, CRA e Semarh foram a Bom Jesus da Lapa avaliar a suspeita de contaminação

09/10/2007
Equipes da Vigilância Epidemiológica da Secretaria Estadual da Saúde (Sesab) e do Centro de Recursos Ambientais (CRA) da Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh) estiveram em Bom Jesus da Lapa, oeste do estado, para avaliar a situação decorrente da suspeita de contaminação do Rio São Francisco.

A equipe do CRA colheu amostras da água do rio, que serão encaminhadas aos laboratórios da Vigilância Epidemiológica e analisadas por especialistas da Universidade Federal da Bahia (Ufba). No sábado, os secretários estaduais da Saúde, Jorge Solla, do Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza, Valmir Assunção, e a diretora do CRA, Bete Wagner, se reuniram para traçar as linhas de ação do governo.

Conforme informações da Coordenação de Defesa Civil (Cordec) da Secretaria do Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza (Sedes), a prefeitura de Bom Jesus da Lapa notificou a ocorrência de alteração do odor e da coloração da água do São Francisco na cidade, na região do Rio das Rãs, afluente, e no município de Serra do Ramalho.

Cheiro forte - Os moradores de Bom Jesus da Lapa alegam que a água realmente está com um cheiro forte e que estão evitando usá-la. `De uns 10 dias pra cá, a água está com um cheiro forte, parece remédio. Tenho trazido água de casa pra lavar os pratos e os peixes, até saber o que é isso`, conta a comerciante Everalda Cordeiro de Sá, proprietária de uma barraca às margens do rio.

Francisco dos Santos, também comerciante, disse que os freqüentadores das barracas estão reclamando do cheiro forte e ele notou uma espécie de ‘lodo` na beira do rio, que nunca tinha visto antes.

O CRA colheu as amostras na sede e na zona rural de Bom Jesus da Lapa e nos municípios vizinhos de Paratinga e Serra do Ramalho.

Em duas semanas - De acordo com o biólogo José Antônio Lacerda, o resultado das análises deve ficar pronto em 10 a 15 dias, pois elas são feitas simultaneamente e existe uma metodologia diferenciada para cada uma.

`Vai ser feita uma análise detalhada do material coletado para detectar a presença de possíveis algas ou alguma bactéria, para depois serem tomadas as devidas providências, caso haja eventualmente alguma contaminação`, explicou Lacerda.

Mesmo com as suspeitas de contaminação, pescadores e barqueiros continuam trabalhando e afirmam não terem visto peixes mortos ou qualquer tipo de mudança na coloração da água.

`A única coisa é o cheiro, que está bem forte, parecendo que caiu algum tipo de remédio na água`, assegurou o pescador e barqueiro Gildásio de Souza, que vive e trabalha na região há mais de 10 anos.

A Vigilância Epidemiológica também vai tomar providências, de acordo com o resultado das análises.

Segundo a diretora do Laboratório Central de Saúde Pública da Sesab, Rosane Will, além da coleta de amostras da água, eles estão fazendo uma coleta de dados, uma retrospectiva de até quatro semanas atrás, para detectar casos de diarréia ou lesão de pele que eventualmente possam ter sido ocasionados pelo consumo da água do São Francisco.

Fonte: Diário Oficial

09/10/07