Após a morte de torcedores, agora se fala em demolir a Fonte Nova

27/11/2007
A primeira condenação, por conta da morte de sete pessoas no fim da tarde de domingo, deve recair sobre a Fonte Nova. O local da maior tragédia oficial da história do futebol brasileiro pode ser demolido, antes mesmo da construção de nova arena para a disputa do Mundial de 2014. A hipótese de colocar a estrutura abaixo foi acenada ontem pelo governador Jaques Wagner (PT) e por Orlando Silva, ministro do Esporte.

Ambos estiveram pela manhã no estádio, para ver o rombo na estrutura que provocou a queda dos torcedores. O acidente ocorreu a dez minutos do final quando um bloco de cimento se despregou de uma laje da arquibancada superior e fez com que várias pessoas caíssem de altura de 15 metros. O jogo não foi interrompido. Silva e Wagner saíram da Fonte Nova com veredictos parecidos em torno do destino do complexo esportivo erguido em 1951.

`A impressão é que foi o último ato`, observou Orlando Silva, ao referir-se ao jogo em que o Bahia empatou com o Vila Nova-GO por 0 a 0 e garantiu matematicamente o retorno à Segunda Divisão do Brasileiro.

O ministro acredita que aquele jogo, motivo para festa e ponto de partida da tragédia, foi o derradeiro momento importante do velho estádio. Embora não tenha dado mais detalhes a respeito de sua observação, Orlando Silva deixou escapar a posição do governo federal sobre um campo condenado por recentes estudos de entidades especializadas, além do Ministério Público da Bahia, Vigilância Sanitária e Corpo de Bombeiros.

Jaques Wagner tratou de não fugir do tom do ministro, embora tenha adotado postura mais cautelosa. `Tudo vai ficar esclarecido e apurado, com isenção de análise`, explicou, com evidente cuidado para não usar discurso alarmista. A primeira medida foi interditar a Fonte Nova, como havia pedido o Ministério Público em 2006.

O governador passou o dia trocando informações com seus assessores e com o secretário do Trabalho, Nilton Vasconcelos, ao qual é subordinado Bobô, diretor da Superintendência de Desportos do Estado da Bahia (Sudesb), que administra a Fonte Nova. Wagner disse que o acidente pode ter sido provocado por uma `fatalidade localizada` e não por problema geral das instalações do estádio.

Mas deu a entender que demolir a Fonte Nova é alternativa viável, apresentada até em estudo enviado à Fifa, no qual Salvador se apresentava como uma das 18 candidatas a receber jogos do Mundial de 2014.

Outra hipótese prevê ampla reforma no estádio e em seu entorno, a fim de que seja recuperado, senão para partidas da Copa mas para continuar a ser usado em competições domésticas e nacionais. A terceira poderia ser a desativação da Fonte Nova e a construção de nova arena, em outro local, com recursos da iniciativa privada.

A opção que mais preocupa a população, segundo pesquisas da imprensa local, é a construção de novo estádio. Além de prever capacidade para só 40 mil torcedores, há temor de que as obras venham a estimular corrupção.

A Fonte Nova, na origem, tinha capacidade até menor do que a futura arena - em 1951, foi liberada para 30 mil pessoas. Vinte anos depois, teve a capacidade ampliada para 80 mil, mas havia muito mais gente na reinauguração, em 6 de maio de 1971. Na época, oficialmente houve duas mortes, número não confiável, divulgado em tempos de ditadura militar.

Fonte: Jornal Estado de São Paulo - Esporte

27/11/2007